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Uma esmolinha pra jejuar no dia a dia

16/04/2014


 


Ainda é costume, nos dias da Semana Santa, respeitar-se algumas tradições repletas de proibições para os fiéis. Entre elas: Olhar-se no espelho, usar maquiagem e qualquer perfume, por serem sinais de vaidade. Tomar banho vendo o próprio corpo nu, provoca pensamentos pecaminosos. Namorar, dançar, assobiar, comete-se pecado, por serem sinais de alegria, pois Jesus passou o período inteiro sofrendo, segundo os mais devotos.

O maior de todos os pecados, contudo, é o de manter relações sexuais, principalmente na Sexta-Feira da Paixão. O homem que assim proceder, solteiro ou mesmo casado, fica impotente para o resto da vida, e a mulher, incapacitada para gerar filhos. E, se nesse dia, uma criança for gerada, nascerá com o chamado "cão no couro", ficará aperreada, sendo infeliz até a morte.

Roga-se na Semana Santa: "Dona, me dê uma esmolinha pra jejuar o dia de hoje!"  É o humilde apelo que ainda se ouve na Quinta e na Sexta-Feira Santa da Quaresma católica nestas bandas ribeirinhas do médio São Francisco e da Ipueira, sertão de tantas tradições e de religiosidade quase mística. Pessoas consideradas pobres, crianças da periferia batem nas portas das casas, com uma sacolinha na mão a pedir o jejum que lhes permitirá, provavelmente, uma refeição decente na Sexta-feira da Paixão. 

 Ninguém ousa recusar a oferta nem pede para o devoto-esmoler passar outro dia. Tem que ser na Sexta-Feira da Paixão.  Afinal, "repartir" o jejum é garantir para todos os dias do ano a fartura de que faz a oferta. Então, lá se vai uma batatinha, uma laranja, uma banana, uma talhada de abóbora um pouco de farinha e de feijão... Nada de sobras. A própria compra da semana já garante uma cota para esta doação. Evidentemente que o costume, com o crescimento das cidades e a chegada de forasteiros, está diminuindo e tende a acabar, inclusive aqui em Xiquexique.

O ritual de pedir esmola pra jejuar segue na manhã da Sexta-feira Santa, quando os ricos, os abonados, permutam bandejas de iguarias típicas da Quaresma e os pobres esmolam de porta em porta.

Seguindo, ainda, o ritual, muita gente diz que vai beber vinho “amargo”, sob o venerável e corriqueiro argumento de que é dia de sofrer a paixão.
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Médico cubano morre em Salvador

15/04/2014


 
 
O médico cubano Pedro Juan Tamayo Martin morreu na tarde de segunda-feira (14), em Salvador. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, o profissional, integrante do Programa Mais Médicos, chegou à capital baiana em meado de dezembro do ano passado, e estava lotado na Unidade de Saúde da Família São José de Baixo, no Subúrbio Ferroviário.

A suspeita é de que ele tenha sofrido um infarto. O corpo encontra-se no Instituto Médico Legal, responsável pela perícia. A Organização Pan-Americana de Saúde, que intermediou junto ao governo brasileiro a vinda de médicos cubanos pelo Programa Mais Médicos, já foi acionada para dar encaminhamento a repatriação do corpo.

Programa Mais Médicos

O Programa Mais Médicos faz parte de um programa federal de melhoria do atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde, que prevê mais investimentos em infraestrutura dos hospitais e unidades de saúde, além de levar mais médicos para regiões onde há escassez e ausência de profissionais.

O Mais Médicos permite a vinda de profissionais estrangeiros ou de brasileiros que se formaram no exterior sem a necessidade de revalidação do diploma.
R7
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Dilma desafia os manipuladores que fazem politicagem com a Petrobras


A presidente Dilma Rousseff defendeu ontem, (14), a Petrobras e disse que as denúncias de irregularidades na empresa serão investigadas e que eventuais ilícitos e casos de corrupção serão punidos com rigor. Dilma destacou que está empenhada em investigar as denúncias e que não vai admitir o uso político-eleitoral de problemas da empresa.
   
"Como presidente, mas sobretudo como brasileira, defenderei, em quaisquer circunstâncias e com todas as minhas forças, a Petrobras. Não transigirei em combater todo tipo de malfeito, ação criminosa, tráfico de influência, corrupção ou ilícito de qualquer espécie, seja ele cometido por quem quer que seja, mas igualmente não ouvirei calada a campanha negativa dos que, com proveito político, não hesitam em ferir a imagem dessa empresa que nosso povo construiu com tanto suor e lágrimas, com as mãos encharcadinhas de óleo, mas também de muita esperança", afirmou.

Dilma saiu em defesa da Petrobras durante cerimônia que marcou a viagem inaugural do navio petroleiro Dragão do Mar, construído no Estaleiro Atlântico Sul, no Porto de Suape, em Pernambuco. A presidenta garantiu que haverá apuração e punição, "com máximo de rigor", das denúncias envolvendo a Petrobras.

A estatal é alvo de investigação da Polícia Federal, do Tribunal de Contas, da Controladoria-Geral da União e do Ministério Público, por supostas irregularidades e superfaturamento na compra de uma refinaria em Pasadena, no estado norte-americano do Texas. A denúncia também deu origem ao pedido de instalação de comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a empresa pública.

"Mais que uma empresa, a Petrobras é um símbolo da luta do nosso povo, da afirmação do nosso país e um dos maiores patrimônios de cada um dos 200 milhões de brasileiros, por isso jamais vai se confundir com qualquer malfeito, com qualquer corrupção ou qualquer ação indevida de quaisquer pessoa, das mais graduadas às menos graduadas.O que tiver de ser apurado vai ser apurado com o máximo de rigor e o que tiver que ser punido também vai ser punido com o máximo de rigor", afirmou.

Dilma criticou o que chamou de "manipulação de dados" que apontam a desvalorização da Petrobras nos últimos anos e comparou os números da estatal antes do primeiro governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e atualmente.

"Manipulam dados, distorcem análises, desconhecem deliberadamente a realidade do mercado mundial de petróleo para transformar eventuais problemas em supostos fatos irreversíveis e definitivos. Escondem que, em 2003, a Petrobras valia apenas US$ 15,5 bilhões e hoje, mesmo com toda a crise internacional, com problemas a ela ligados e a questões relativas e conjunturais da bolsa, o valor de mercado chega a US$ 98 bilhões", comparou.

Dilma ainda citou o volume de reservas e de investimentos que a empresa tinha antes de 2003 e tem agora, o lucro líquido da estatal e as novas perspectivas de produção após a exploração do pré-sal. "Não podemos permitir, como brasileiros que amam e defendem este país, que se utilizem de ações individuais e pontuais, mesmo que graves, para tentar destruir a imagem da nossa maior empresa, nossa empresa mãe."

Agência Brasil. (ANSA)



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Mon Dieu! Quero voltar pra Bahia

13/04/2014

Paris tem glamour, mendigos, ladrões e preços altíssimos. No metrô, a situação é vergonhosa. As pessoas pulando catracas... Até senhoras idosas tentando entrar de graça. Há batedores de carteira, há os ridículos ladrões do golpe do anel e o que é pior: nos horários de pico, os ladrões de Paris avançam nas pessoas para roubarem bolsas, mochilas e o que encontrar mais facilmente nos turistas que dão “bobeira”, inclusive turistas cariocas. Isso mesmo. Cariocas. Só não vimos, ainda, um xiquexiquense. Mas vejo, ali no marché aux puces, um casal cearense.

Pois bem, há sempre uma confusão no metrô ou no trem. Algo patético e inacreditável pela cena indigna e risível de Paris. Agora mesmo presenciamos um roubo e um enorme tumulto.

Um policial apareceu e saiu correndo pra prender o ladrão, mas ele escapou. O sujeitinho fugiu gritando em francês, “Je ne suis pas pickpocket” (Eu não sou batedor de carteira), mesmo assim os parisienses afirmam que os ladrões “são gente originária do Leste Europeu”. Mas o certo é que os ladrões e as ladras, a maioria adolescente, se espalham correndo pra todo lado, ninguém sabe quem foi o ladrão ou se falta interesse da polícia em prendê-los.

A tática é sempre a mesma, seja dentro do metrô ou nos trens que partem do Aeroporto Charles De Gaulle, quando o turista entra no vagão ou no final da escada rolante, seja na rua, nos pontos mais turísticos ou nas varandas dos cafés e restaurantes, jovens, algumas grávidas ou crianças ainda, rodeiam o turista e criam uma situação confusa, pedem assinaturas ou pisam nos pés da vítima. A pessoa se distrai, tenta entender o que está acontecendo e quando consegue se afastar já foi roubada há muito tempo. Muitos não percebem o ato e ninguém intervém.

Já com relação aos preços, uma simples mochila que no Brasil custa 100 Reais, em Paris custa 400. Parece que os franceses estão desesperados por dinheiro. Coisa que não vi na Inglaterra, onde preços justos são praticados. E quanta tristeza sentir que a cidade luz, uma das maravilhas do mundo, esteja desesperada, sem fôlego pra reagir. Enquanto uma Ferrari desfila pela Avenida Champs-Elysèes, um mendigo, se tremendo de frio implora por comida.

Não resta dúvida. Em Paris o glamour convive, lado a lado, com ladrões, mendigos e medo.

É por essas e outras que eu não fico mais aqui. Quero voltar pra Bahia, mesmo que o meu retorno não tenha nenhuma semelhança com o protesto, dos anos 70, musicado em versos pungentes do compositor Paulo Diniz: “I don't want to stay here I wanna to go back to Bahia”, uma homenagem de Diniz a Caetano Veloso que se encontrava exilado em Londres por força da ditadura militar brasileira. Está decidido: Amanhã mesmo eu volto pra Bahia.
Au revoir.
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A lenda que virou história

12/04/2014



Estive há poucos dias em Minas Gerais. 
Partindo de Belo Horizonte num teco-teco  fui conhecer a represa de Três Marias. Ali, no hotel onde me hospedei, numa rodada de chopes, me contaram vários causos, entre eles o que se segue:



Há muitos e muitos anos, vivia às margens do Rio São Francisco, na parte que atravessa e banha Minas Gerais, a família do Sr. Miguelzinho e D. Helena. Da varanda da sua casa, à beira do rio, avistavam-se três ilhas que faziam parte de um arquipélago fluvial de vegetação exuberante, típica da região do Alto São Francisco.


O casal teve muitos filhos, entre os quais   as trigêmeas Maria da Conceição, Maria Teresa e Maria Antônia. Eram lindas moças de longos cabelos negros, corpos esbeltos e curvilíneos, sorrisos alegres. Encantavam todas as  pessoas: Homens, mulheres e crianças, irradiando suas formosuras de caboclas trigueiras e...mineiras.

Elas gostavam de nadar no rio, tais quais sereias sobre as águas de Mãe D’Água barranqueira. Quando as três mergulhavam pareciam cristais a se  confundir com a água barrenta do Velho Chico, pela transparência dos seus vestidos.

As Marias eram religiosas. Iam sempre à igreja participar do coral. Elas tinham por talento a voz melodiosa. Gostavam de cantar, principalmente à noite, após o pôr-do-sol, naquele momento mágico, quando o rio São Francisco se mistura com a noite e se prepara para dormir.

Nas suas margens, em um certo trecho perto do sítio de Miguelzinho, havia muitas pedras que formavam uma espécie de cadeira ou poltronas com braços também de pedras. Assim como um encosto de uma muralha.

Nas cadeiras de pedra que a natureza esculpiu com o tempo, as Marias gostavam de se sentar e ali permanecer por longo tempo contemplando as águas do rio passar. Viam os pescadores remando os seus paquetes, viam os viajantes embarcados nos vapores e sentiam o afago da brisa depois do ocaso do sol.

Certo dia, como de costume, as jovens foram para as pedras em formato de cadeira. Anoiteceu e amanheceu, o dia tornou a virar noite, a noite a virar dia e as Marias não voltaram para casa. 

Todos os serranos das Alterosas, toda Minas Gerais, procuraram pelas Marias e até o governador do Estado de Minas, na época Juscelino Kubistchek, se empenhou em encontrá-las. 
Mesmo com essas buscas minuciosas, elas nunca mais foram vistas.

Depois que as Marias desapareceram, os moradores da região, barranqueiros, viajantes, navegantes e pescadores passaram a chamar as três ilhas de Três Marias.

As ilhas desapareceram um dia com a imensa barragem mandada construir por Juscelino Kubistchek que se tornara presidente da república. A região e a barragem foram denominadas Três Marias em homenagem às belas sertanejas, cuja lenda se tornou esta breve história a mim repassada por um "mineirim", daqueles que se alimentam quietos.






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Eu quero tchu, eu quero tcha e lepo lepo


O mercado, no capitalismo, nunca pode parar na sua incessante busca pela rentabilidade. Ele precisa encontrar novos meios de entretenimento que gerem lucros vultosos. A fórmula mais fácil disso é, indiscutivelmente, estimular, sem escrúpulos, a imbecilidade de determinados segmentos da nominada  juventude.

Os meios de comunicação de massa cumprem, então, o seu papel: associam a ideia de “ser jovem” com a de “ser um imbecil”, aqui entendido como um irresponsável, que não se importa com nada que não seja o próprio prazer, imediato, rápido, fluido, como deve ser a linguagem nos tempos da globalização digital.
O sertanejo universitário surge nesse contexto. Ele vem ocupar o espaço dos ritmos que se prestam a proporcionar “diversão sem compromisso”, expressão que não quer outra coisa senão mascarar a baixíssima qualidade da música produzida, além de servir como sentença de absolvição da mediocridade humana de quem ouve esse estilo. Entender o estereótipo do sertanejo universitário, dessa ma­nei­ra, afigura-se como sendo da mais alta relevância para a compreensão da ideia corrente do que é ser um jovem hedonista no século 21.

O sertanejo universitário é sujeito destemido, porém sensível. Tem o dom da poesia in­crustado nas suas veias. Na balada, este santuário da “pegação da mulherada”, sente a verve aflorar com facilidade, produzindo versos riquíssimos, como os que se notam na composição “Ai se eu te Pego”, do cantor Michel Teló: “Sábado na balada. A galera começou a dançar. E passou a menina mais linda. Tomei coragem e comecei a falar. Nossa, nossa. Assim você me mata. Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego”.

De fato, é preciso ser muito perspicaz para rimar “dançar” com “falar”. Sobretudo, impressiona, sobremaneira,  a profundidade dos versos: quando passa a menina mais linda, ele toma coragem e fala. É um movimento controlado, premeditado. O eu lírico “toma coragem” e “parte para a caça” na balada. Inspirado pela beleza da garota, ele se aproxima e a corteja de uma maneira que qualquer mulher, de Carla Perez a Susan Sontag, sentir-se-ia enamorada: “Ai se eu te pego”, “ai se eu te pego”, ele repete à exaustão o verso aos ouvidos da “garota mais gostosa”.

Contudo, talvez a característica mais significativa deste personagem — o sertanejo universitário — seja mesmo a preferência pelo “idioma da velocidade”. Sertanejo que é sertanejo universitário evita a prolixidade; é sucinto, direto, objetivo. Sua linguagem despreza floreios verbais, construções frasais longas, vocábulos de difícil entendimento. Dado o portento de seu talento poético, ele acentua a desnecessidade do vocabulário complexo, adepto que é da lógica do “dizer muito com muito pouco” ou do “falar fácil é que é difícil”.
Conhecedor profundo da fonologia da gramática da língua portuguesa, ele lança mão do rico alfabeto fonético do idioma românico-galego e, conjugando-o com seu ideal filosófico de concisão e com as técnicas redacionais modernas que enaltecem o “texto enxuto”, passa a compor valorizando a mínima emissão de voz na entonação dos seus versos, economizando em palavras o que pode expressar, em seu entender, perfeitamente com vocábulos monossílabos. É daí que nasce a tendência manifesta das composições do estilo em priorizar a vocalização de uma única sílaba. Exemplificativamente, temos: “Eu quero tchu, eu quero tcha”, de João Lucas e Marcelo: “Eu quero tchu, eu quero tcha. Eu quero tchu tcha tcha tchu tchu tcha. Tchu tcha tcha tchu tchu tcha”.

“Eu quero tchu, eu quero tcha” é, sem dúvida, um dos mais formidáveis exemplos de como se pode economizar palavras, de como se pode fundir o dígrafo consonantal “ch” com o “t” e uma vogal (“a” ou “u”) e criar um hit nacional. O significado poético-filosófico do “tchu” e do “tcha” na composição também merece registro: o eu lírico cria um jogo de contrastes, antitético como as leis da dialética, onde o “tchu” só existe para o “tcha”, de modo que não pode haver “tcha” sem “tchu” nem “tchu” sem “tcha”. Daí o porquê de invocar-se as expressões alternadamente, silabando-as na velocidade da luz: “Tchu tcha tcha tchu tchu tcha”.


Do ponto de vista musical, o sertanejo universitário hoje é um gênero musical utilizado comumente para designar a fórmula da “música dançante feita para gente descerebrada”. É o correspondente hodierno, do século 21, ao que foi a axé music no fim do século 20, mais precisamente na década de 1990: a demonstração cabal de que o físico alemão Albert Einstein estava certo quando afirmou: “Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, quanto ao universo, ainda não estou completamente certo disso”.

Aprendi com este texto dentro do contexto que o que eu quero mesmo é o  tchu e o tchá com os acordes de Schubert ou Beethoven, preferencialmente, desde que me concedam a escolha de um forró pé de serra de Luiz Gonzaga,   daqueles que a gente  chamega  na alcova ou na esteira.

Mas o estouro (dos ouvidos) é ouvir a sinfonia exuberante do Lepo Lepo. É o ápice!

Se ficar comigo é porque gosta do meu rá rá rá rá rá rá rá o lepo lepo.  É tão gostoso quando eu rá rá rá rá rá rá rá o lepo lepo.

Eu não tenho carro, não tenho teto e se ficar comigo é porque gosta do meu rá rá rá rá rá rá rá lepo lepo, rá rá rá rá rá rá, Lepo Lepo.

São analfabetos funcionais a  pulverizar até  os ossos do  poeta soteropolitano Antonio de Castro Alves, o Cecéu,  no mausoléu a ele erigido na Praça que leva o seu glorioso nome no centro velho de Salvador.






Revista Bula
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Recordando a década perdida da música brasileira




Recordando os tristes anos de 1990, a década perdida da música brasileira, o império da axé music na indústria fonográfica nacional proporcionou algumas das mais constrangedoras composições que alguém, su­postamente um ser racional, já foi capaz de escrever. Naqueles idos, expressões do quilate de “vai dançando gostoso, balançando a bundinha” tornaram-se símbolos de uma geração destruída pelo assédio constante da lógica hedonista do “prazer carnavalesco ininterrupto, curtição acéfala e exibicionismo de corpos plasticamente esculpidos na academia”.

Era o princípio de uma tendência irrefreável, que só se acentuaria ao longo dos anos na música brasileira: a substituição do cérebro pelas nádegas. Era o começo da MIB: Música Imbecil Brasileira. O acrônimo de uma geração de jovens destruída pela estultice.
O grau de estupidez a que os ouvidos humanos foram submetidos nessa “idade das trevas” das rádios do País pode ser muito bem representado num dos hits do mais emblemático dos grupos surgidos no período. 

Refiro-me ao É o Tchan e a sua antológica “Na boquinha da garrafa”, sucesso radiofônico absoluto, cujas coreografias foram repetidas incessantemente em programas de auditório dominicais, com suas dançarinas calipígias “engatando” bem-sucedidas carreiras nas capas de revistas masculinas e no mundo das sub-celebrity. Vejamos: “No samba ela gosta do rala, rala. Me trocou pela garrafa. Não aguentou e foi ralar. Vai ralando na boquinha da garrafa. É na boca da garrafa. Vai descendo na boquinha da garrafa. É na boca da garrafa”.
A letra dispensa comentários e, por si só, revela a mais absoluta falta de respeito próprio, menos de quem compôs e produziu o grupo — um empresário na tarefa de lucrar na indústria do kitsch —, mais da parte de quem anotou na sua biografia momentos de supremo constrangimento “ralando na boquinha da garrafa”.
Quanto ao exibicionismo a que me refiro como caracterizador do período, este se notava na quantidade imensa de pessoas que passaram a trajar abadás multicoloridos qual uniformes denotativos de um suposto status citadino jovem, com os símbolos do “carnaval fora de época”. Havia mesmo uma hierarquia curiosa nas vestimentas: dependendo da cor do abadá, o sujeito era “playboy/patricinha” ou “pobre/povão”, pois já se sabia antecipadamente o preço elevado que se pagava para estar no bloco da “cervejada” ou dos “chicleteiros”, relegando o setor da “pipoca” para o vulgacho empobrecido.

Foi também uma época de criatividade única no desenvolvimento de coreografias para as muitas “danças” que surgiam: do vampiro, da manivela, da tartaruga, do tamanduá, do morcego. Quase toda a fauna brasileira foi vilipendiada, digo, homenageada nessas composições.

Ivete Sangalo merece uma atenção especial.

Originalmente vocalista da Banda Eva, seguiu o caminho para o qual todo “artista” de axé está direcionado: a carreira solo. Sangalo soube aproveitar como ninguém a catapulta. Carismática, piadista, juazeirense, beradeira (será que já cantou  em Xiquexique?) que se banhava no "Velho Chico"  e muito bem assessorada, ela sabia que seu repertório grotesco não a sustentaria mais do que alguns verões fora de Salvador.

Assim, tratou de cultivar uma imagem que a projetasse como cantora para além da axé music, que principiava a agonizar nas vendas das gravadoras. Hoje, contando com o apoio de quase toda a massa media da mídia que a tem por “grande cantora”, é empurrada “goela abaixo” do público pela televisão, que lhe dá um espaço imenso nos principais canais abertos, sem contar os sucessivos apelos propagandísticos.

Mas nem toda a máquina publicitária de Ivete Sangalo pode esconder a péssima qualidade do seu repertório, que não resiste a um exame qualitativo mais minucioso. “Carro velho”, sucesso comercial na sua voz, revela bem o quão criativa é a leitura de mundo da cantora: “Cheiro de pneu queimado. Carburador furado. Coração dilacerado. Quero meu negão do lado. Cabelo penteado. No meu carro envenenado. Eu vou, eu vou, então venha. Pois eu sei. Que amar a pé, amor. É lenha”.

No decorrer destes anos 2000, no entanto, a axé music entrou em colapso no mercado. Os carnavais fora de época (micaretas) foram aos poucos desaparecendo pela perda crescente de público. Os grupos “clássicos” do período deixaram de existir não por brigas de seus integrantes, mas pela simples falta de shows. O mercado usou e abusou da axé music enquanto era lucrativa. Quando deixou de sê-lo, descartou-a, substituída que foi, nas rádios comerciais, pelo horripilante forró universitário e pelo funk carioca (cuja nomenclatura correta é “batidão”).

Nem mesmo o movimento da “suingueira”, capitaneado por “pérolas” do nível de “Re­bolation”, e do recente "lepo lepo"  associados a um amplo apelo midiático que tem por diretriz espicaçar os “sucessos do carnaval”, conseguiu ressuscitar o declínio inexorável daquele gênero musical moribundo.

Bula de revista
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354 prefeituras baianas fecham as portas em protesto contra a falta de dinheiro

11/04/2014


Prefeitos de todo o Brasil esperam chamar a atenção da sociedade e do Congresso Nacional sobre a grave crise financeira enfrentada pelos municípios. A paralisação tem a adesão de 17 estados. Somente na Bahia, um total de 354 prefeituras fecharam as portas nesta sexta-feira (11), mantendo apenas os serviços essenciais.

A iniciativa é da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) que estabeleceu uma pauta de cinco itens prioritários que são: o aumento de 2% nos repasses ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM); a reformulação da lei do ISS – Imposto Sobre Serviço para que o tributo seja repassado ao município onde reside o tomador do serviço ao contrário do que ocorre hoje; Apreciação pelo Supremo Tribunal Federal da lei que redistribui os royalties do petróleo e gás, além do encontro de contas das dívidas previdenciárias e o fim da desoneração do IPI sobre a parcela que compõe a receita dos municípios.

De acordo com a presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Maria Quitéria Mendes a estagnação das receitas municipais coloca as prefeituras em uma situação de vulnerabilidade, sem autonomia nem condições de melhorar os serviços públicos e investir em infraestrutura. “A população é a maior sacrificada, pois há muito a ser feito e poucos recursos”.

Ela explica ainda a necessidade do Congresso votar pautas de interesse dos municípios, que há anos estão no Senado e na Câmara sem tramitação. “Nesse dia os prefeitos baianos se reunirão com parlamentares na sede da UPB para cobrar prioridade para a pauta municipalista”, conta Quitéria.
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Tornou-se banal morrer assassinado no Brasil


Mais de 10% de todos os homicídios ocorridos no mundo, em 2012, foram registrados no Brasil, de acordo com o Relatório Global sobre Homicídios 2013, feito pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) sobre dados do ano anterior. De acordo com o relatório, houve 437 mil assassinatos no mundo, em 2012, dos quais 50.108 no Brasil.

De acordo com a Unodc, há um cenário de estabilidade no número de homicídios no país, que ao lado do México, da Nigéria e do Congo está no segundo grupo de países com maior número de assassinatos do mundo, com índice de 25 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes. No primeiro grupo, onde figuram Colômbia, Venezuela, Guatemala e África do Sul, a situação de violência ainda é pior. Neles, o índice de assassinatos passa de 30 por 100 mil habitantes.

Enquanto nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo o índice de homicídios caiu, respectivamente, 29% e 11%, na Paraíba a taxa cresceu 150%, e na Bahia houve aumento de 75%. Segundo o estudo, Pernambuco, com redução de 38%, foi o único estado do Nordeste com queda no número de assassinatos.

No Brasil, 90% das vítimas de homicídios são homens. O abuso de álcool e outras drogas, e a disponibilidade de armas de fogo, são apontadas no estudo como determinantes para que aconteçam os assassinatos.

O relatório também destaca que o continente americano apresenta uma importante disparidade entre o total de homicídios cometidos e a condenação dos responsáveis, já que apenas 24% dos crimes são solucionados.

O levantamento ressaltou ainda as unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) como uma iniciativa determinante para a redução dos índices de homicídio em quase 80%, no Rio de Janeiro, entre 2008 e 2012.

Fonte: ONU


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Enquanto isso, no reino da Arábia...

09/04/2014


As mulheres não podem dirigir na Arábia Saudita. O argumento é religioso. Mas, obviamente, o Alcorão não fala nada neste sentido pois não existia carro na época de Maomé. Trata-se de uma política deprimente da monarquia aliada dos Estados Unidos, onde as mulheres são tratadas como seres inferiores. Hoje, elas se levantaram em protesto, dirigindo carros por 45 minutos em cidades como a capital Riad.
Normalmente, elas não podem sair às ruas sem se cobrir ou sem um parente homem próximo. Precisam ficar em alas separadas em restaurantes. Não podem exercer uma série de profissões. Na Arábia Saudita, existe uma política de Apartheid pior do que na África do Sul. Mas em vez de ser contra uma raça, é contra o gênero feminino.
Os sauditas, incluindo os homens, não podem ir aos cinemas. Não podem frequentar baladas. Não podem tomar um chope no bar. Homens e mulheres não podem se divertir tomando banho de mar juntos nas praias.
Dos 19 terroristas do 11 de Setembro, 15 nasceram na Arábia Saudita. Nenhum deles era iraquiano, iraniano ou sírio. A Arábia Saudita foi o último país do mundo a deixar de reconhecer o regime do Taleban, no Afeganistão. A monarquia saudita patrocina agora a repressão contra a oposição em Bahrain e também na Síria.
Os sauditas também são os difusores da vertente wahabbita do islamismo, a mais radical entre os sunitas. Apesar de seus carrões Maseratis e Lamborghinis, eles vivem em séculos no passado. Seus cidadãos não podem votar. A democracia é inexistente e as liberdades individuais são próximas do zero.
Ainda assim, os Estados Unidos classificam os sauditas como moderados. Seus monarcas são recebidos como aliados em Washington. O presidente Barack Obama tem medo de criticar a Arábia Saudita, o único país do mundo a levar o nome de uma família. Em seu discurso para o povo árabe, o líder americano, defendendo os avanços democráticos, teve medo de citar o nomes desta nação.
Podem argumentar que a Arábia Saudita tem petróleo. Mas o Irã e o Iraque também. E o regime de Teerã assumiu o posto de maior inimigo dos EUA depois da queda de Saddam. Na verdade, os sauditas optaram por usar todo o seu poder financeiro para criar um lobby em Washington para defender seus interesses. Também evitam entrar em choque com os interesses americanos.

Assim, a Arábia Saudita fica com fama de boazinha, e o Irã, com quem disputa o posto de líder do mundo islâmico, de mau. Muitos dizem que Israel seria responsável pela imagem ruim dos iranianos e do Hezbollah nos Estados Unidos. Mas ficariam surpresos ao descobrir que o papel dos sauditas é muito maior. O principal inimigo de Teerã é Riad, não os israelenses.
Olhem para Bahrain, Líbano, Iraque e palestinos. Apenas na Síria, agora, os dois países estão do mesmo lado, o de Bashar al Assad. Os iranianos, que são persas, porque sabem que sua influência no mundo árabe diminuiria. Os sauditas, pelo medo da contaminação. Afinal, uma hora ou outra, as mulheres se levantarão para poder dirigir. E as manifestações já começaram. Quem no mundo pode ser contra elas?
Alguns conservadores homens sauditas, nas suas férias de verão, invadem Beirute para cair na balada, se drogar, contratar profissionais do entretenimento adulto masculino e feminino, enquanto deixam suas mulheres trancafiadas em casa, muitas vezes contaminadas por doenças sexualmente transmissíveis contraídas de seus promíscuos, hipócritas e nojentos maridos.
Que fique claro, nem todos os homens sauditas são assim. Simplesmente, são vítimas de um regime formado pela aliança da família Saud que, para se manter no poder, permite que clérigos ultra-religiosos mandem nas questões sociais do país.


Por Guga Chacra 
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Ladrão de galinhas é julgado no Supremo Tribunal Federal



O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou um pedido de liminar para arquivar ação penal contra um homem acusado de roubar um galo e uma galinha, avaliados em R$ 40. Segundo o ministro, o caso deve ser resolvido no mérito do habeas corpus, após manifestação do Ministério Público.

O caso chegou ao STF após percorrer todas as instâncias do Judiciário. Segundo a denúncia, Afanásio Maximiniano Guimarães tentou roubar uma galinha e um galo que estavam no galinheiro da vítima, Raimundo das Graças Miranda.

Depois do ocorrido, a Defensoria Pública pediu ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que o processo fosse declarado extinto, uma vez que o acusado devolveu as aves. Apesar do pedido de aplicação do princípio da insignificância para encerrar o processo, a Justiça de Minas e o Superior Tribunal de Justiça (STJ), última instância da Justiça Federal, rejeitaram pedido para trancar a ação penal.

Ao analisar o caso no STF, o ministro Luiz Fux decidiu aguardar o julgamento do mérito do pedido para decidir a questão definitivamente. “A causa de pedir da medida liminar se confunde com o mérito da impetração, porquanto ambos referem-se à aplicabilidade, ou não, do princípio da insignificância no caso sub examine. Destarte, é recomendável que seja, desde logo, colhida a manifestação do Ministério Público Federal”, decidiu Fux.


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O Financial Times é pra inglês ver e não ler

08/04/2014

 
 
O jornal britânico Financial Times continua achando que faz parte do governo brasileiro. Continua palpitando em assuntos que não lhe competem. E, sem criatividade nenhuma, bate nas mesmas teclas: quer porque quer a demissão do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Já tentou isso no ano passado e agora tenta de novo. Ainda com juros e correção monetária quer assassinar a economia brasileira. Aí já é demais. Quem és tu, ó batata inglesa?
“O ministro Guido Mantega perdeu há muito tempo o respeito dos investidores. Trocá-lo por alguém que seja simpático ao mercado faria maravilhas”, afirmou o FT em editorial.
Em junho do ano passado, já se  comentava essas tentativas de ingerências do jornal britânico na economia brasileira. Na ocasião, o FT criticava o projeto de taxação das grandes fortunas.
“O fato é que a crítica do Financial Times é compreensível, o jornal está apenas defendendo seus próprios interesses, já que é mantido pelos ricos e conservadores que, definitivamente, não gostam de pagar impostos. Daí os paraísos fiscais e a lavagem de dinheiro pelos bancos que os ingleses são especialistas. Basta ver as denúncias contra seus bancos. Até a taxa libor eles maquiaram e fraudaram”. Aliás quem será escreve ou assessora as matérias do FT contra o governo popular de Dilma Roussef, quem será? Alguns patifes brasileiros?
É isso. O editoriais palpiteiros do jornal  Financial Times tem que ser lido como um editorial de um porta-voz dos mercados. Quer alguém afinado com os mercados, subserviente, na linha adotada pelos tucanos quando governaram o Brasil.
Pesquisem no Google no Yahoo  ou em qualquer site de pesquisa, com o nome financial times, e terão a linha difamadora contra o Brasil, idealizada com a verborréia do pasquim inglês.
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Em Irecê cantor de forró é morto em abordagem da polícia

O cantor de forró da "Banda dos Vaqueiros", Igor Féliz, de 19 anos, foi morto a tiros durante uma abordagem policial na cidade de Irecê, depois de ter roubado um carro e reagido com tiros à voz de prisão, segundo a versão da polícia. O caso ocorreu na madrugada de domingo (6) e ele foi sepultado nesta segunda-feira (7). A família, porém, garante que não há marcas de tiros no corpo do rapaz e acredita que ele tenha sido torturado.

 
Segundo o 7º Batalhão de Polícia Militar de Irecê, a abordagem foi realizada às 0h05, por policiais da Companhia de Emprego Tático Operacional (CETO), com o apoio das guarnições da 1ª, 2ª e 4ª Companhias de Polícia Militar. A perseguição teria começado depois da central de rádio da PM enviar informação de que um veículo pertencente a um senhor havia sido roubado perto de um espaço evangélico, no bairro de São José.
Ao chegar ao local, a equipe da CETO foi informada de que o suspeito fugiu por estrada vicinal, que dá acesso ao município de João Dourado, relata a polícia. Já perto de um outro povoado, um cidadão informou, via 190, a localização do suspeito e do veículo. Foi quando a guarnição da PM se deparou com o suspeito. Ainda de acordo com a polícia, ao avistar a viatura, ele realizou sem sucesso uma manobra de 180º com o veículo, conhecida como "cavalo de pau", e bateu em um telefone público. Ao descer do carro, o suspeito teria trocado tiros com a polícia, sendo atingido por disparos e encaminhado ao hospital de João Dourado.
Versão da família

Família relata que pescoço de artista estava quebrado e crânio machucado.
A mãe do cantor, Maria Rosa Gomes, não acredita que ele tenha reagido à abordagem da polícia. "Até acredito no que dizem, mas não que meu filho trocou tiros com eles e que eles atiraram nele, porque não tinha nenhuma marca de bala. Ele foi torturado! O pescoço estava quebrado, o crânio machucado e o abdômen preto, cor de carvão, e tinha um corte na bochecha com marca de coturno", disse a mãe da vítima.
Fonte: G1 Bahia
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A oposição tentou acabar a reeleição com medo do sucesso de Dilma


 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diz que a oposição ao governo Dilma  fez de tudo para acabar com a reeleição. "É muito engraçado porque não tínhamos reeleição. Com medo de mim, até reduziram o mandato para quatro anos. Agora estão com medo da Dilma se reeleger?", ironizou.

Partidos como o PSDB e o DEM defenderam a proposta do fim da reeleição, instrumento que foi aprovado em 1997 e utilizado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

"Copiamos tanto os Estados Unidos e podíamos copiar nisso: ter uma reeleição e acabou", disse, depois de participar de um debate sobre política externa em uma universidade em São Bernardo do Campo (SP).

Lula minimizou a ideia frustrada sobre o plebiscito para a reforma política, mas que o tema é condição vital para mudar o país. "A gente nem sempre consegue o que quer, mas tem que brigar."

Apesar de reunir-se às vezes  com a presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente afirmou que não dá palpites no governo e não opina na escolha de ministros. "Já terminou há quatro anos o  meu mandato e agora só tenho que torcer para a Dilma fazer pelo Brasil as coisas que ela acha que tem que fazer".

Retorno

Ainda sobre eleição, Lula voltar a negar a possibilidade de concorrer à Presidência."Eu elimino porque tenho candidata: a presidenta da República", afirmou. Questionado sobre se recebeu empresários e políticos pedindo para que substitua a petista, Lula disse que as pessoas sabem que não adianta "bater na sua porta". "Acho que a companheira Dilma é uma extraordinária presidenta e uma extraordinária candidata. A gente tem que julgar o governante pelos quatro anos de mandato, e tenho certeza que a Dilma tem feito e vai fazer muito mais, por isso não vejo ninguém com as qualidades dela para ser presidenta deste país".

A especulação sobre uma possível candidatura Lula ocorreu após a suposta queda na avaliação do governo Dilma.

O ex-presidente  responsabilizou a oposição. "Tem políticos da oposição que ficam dizendo que têm que melhorar a saúde, se esquecendo que no começo do meu mandato ajudaram a acabar com a CPMF e tiraram bilhões de reais da saúde", afirmou Lula, que se disse surpreendido com o poder de mobilização do Brasil.

Lula recomendou aos jovens que sejam bons políticos:

"Não existe nenhuma experiência em que a negação da política teve resultado", afirmou. Também pediu para que não neguem os partidos. "Não é de hoje que a gente vê em vários países do mundo as coisas acontecerem e as pessoas colocarem a política no ralo da podridão. Isso aconteceu no século passado, há 20 anos, sempre foi assim".


UOL
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Presidente Dilma determina o envio de máquinas agrícolas para municípios de até 50 mil habitantes

07/04/2014




A presidente  Dilma Rousseff informou nesta segunda-feira (7) que o governo federal já entregou mais de 14,1 mil máquinas para municípios de todo o país. No total, serão mais de 18 mil máquinas entregues em 5.061 municípios, inclusive Xiquexique.

Cada cidade com até 50 mil habitantes vai receber uma retroescavadeira, uma motoniveladora e um caminhão-caçamba. Para as cidades do semiárido ou em situação de emergência por causa da seca, o kit inclui um caminhão-pipa e uma pá-carregadeira.

“Nós estamos investindo mais de R$ 5 bilhões para comprar todas as 18.073 máquinas. Esse investimento é muito bom para os municípios, mas é também muito bom para a economia do país, porque só compramos máquinas produzidas aqui no Brasil.

Com isso, estimulamos a produção nacional e garantimos o emprego e a renda também para o trabalhador das cidades. Faltam menos de 4 mil máquinas para serem entregues. Já contratamos todos os equipamentos para maio, as fábricas trabalham a pleno vapor para atender às nossas encomendas e têm esse compromisso conosco”, disse.

 
Dilma informou ainda, em seu programa semanal Café com a Presidente que, além de beneficiar a população dos municípios menores com a manutenção das estradas vicinais, as máquinas melhoram o abastecimento de água na região da seca. “Nós precisamos de boas estradas vicinais para transportar os alimentos até a mesa dos brasileiros e também para evitar perdas da própria produção agrícola”, destacou.

Roraima, o Rio Grande do Norte, Sergipe, o Espírito Santo e Mato Grosso do Sul já receberam todas as máquinas. “Hoje mesmo vou estar lá em Contagem, Minas Gerais, para entregar mais máquinas às prefeituras de 151 municípios do estado. Já entregamos todas as retroescavadeiras previstas em todo o Brasil e estamos avançando também na entrega das outras máquinas, pois nós já distribuímos 3.511 motoniveladoras e 3.131 caminhões-caçamba”, falou a presidente Dilma.

Dilma ressaltou que todos os 1.440 municípios do semiárido ou em situação de emergência por causa da seca receberam a retroescavadeira, a motoniveladora e o caminhão-caçamba e que já foram entregues 1.431 caminhões-pipa e 960 pás-carregadeiras. O valor de mercado do kit com as três máquinas está em torno de R$ 1 milhão e, com as cinco máquinas para o semiárido, em R$ 1,4 milhão.

Fonte: Brasil Rede Atual

 
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Nando Antunes, irmão de Zico, foi preso e torturado na ditadura militar

Fernando Antunes Coimbra

A ditadura militar, instaurada no Brasil em 1º de abril de 1964, há 50 anos, perseguiu muitas pessoas: políticos, intelectuais, artistas e até mesmo jogadores de futebol. Um deles, Fernando Antunes Coimbra, o Nando, foi o primeiro a ser anistiado no futebol brasileiro.


Irmão menos famoso de Zico, ídolo eterno do Flamengo e da Seleção Brasileira, e de Edu, craque do América-RN nos anos 1960, o meia-atacante que defendeu o Ceará em 1968 sentiu na pele a brutalidade do regime que comandou o país durante 21 anos.


Perseguição
Antes de se profissionalizar, Nando foi aluno da Faculdade Nacional de Filosofia, do Plano Nacional de Alfabetização (PNA), idealizado por Paulo Freire e, por isso, considerado subversivo pelo regime militar.
“Depois do AI 5 (Ato Institucional Número Cinco), nós perdemos todos os direitos. Como sabíamos que tínhamos sido considerados subversivos, ficou todo mundo preocupado”, relembra o ex-jogador. Além de Nando, quase todos os formandos de filosofia foi perseguidos e presos pelos militares.
A ditadura o atrapalha em Portugal
Revelado pelo Fluminense, Nando passou por Madureira e América-RJ, antes de chegar ao Ceará em 1968. O bom futebol apresentado no Alvinegro chamou a atenção do Belenenses, de Portugal, que o contratou. “Era uma proposta muito boa, que não dava para o Ceará cobrir”, garante.
Zico e Fernando
Mas a aventura em terras lusitanas durou pouco tempo. Pressionado pela Polícia Internacional de Defesa do Estado, da ditadura de Antônio de Oliveira Salazar, que comandava o país europeu na época, o clube português dispensou o jogador.
 
 
A prisão na volta ao Brasil
De volta ao Brasil, o jogador foi preso pelo Departamento de Ordem Política e Social (Dops), onde foi submetido a torturas. “Fiquei três dias, em pé, de cara para a parede. Com a mão na cabeça. Ouvindo os que estavam sendo torturados gritarem terrivelmente”, pontua.
Nando relembra do terror psicológico que sofreu: “Quando ia ser interrogado, eles enfiavam um capuz e você ficava completamente indefeso. Você não sabia onde estava e ouvia as piores humilhações verbais possíveis”.
Apenas em 2010, 42 anos de sua prisão, o ex-jogador foi reconhecido oficialmente pelo governo brasileiro como o primeiro atleta de futebol perseguido político durante os tempos da ditadura, e por isso foi indenizado. No ano seguinte, lançou um livro e foi homenageado pelo Ceará Sporting Club.
Regime golpista atrapalhou a carreira dos irmãos
Devido ao parentesco com Nando, Edu, meia-atacante do América-RJ, artilheiro do Torneio Roberto Gomes Predrosa de 1969, sequer recebeu uma oportunidade para defender a Seleção Brasileira de 1970.
Mais tarde, foi a vez de Zico sofrer as consequências. Autor do gol que classificou o Brasil para a Olimpíada de Munique, em 1972, o ídolo rubro-negro ficou de fora da lista de convocados para os jogos. Nando nunca negou que decidiu parar de jogar para não prejudicar a carreira dos irmãos.
 
Fonte: Tribuna do Ceará

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