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Ministério Público Federal pode quebrar toda indústria naval brasileira

28 de mar de 2015


 
O Procurador Julio Macedo de Oliveira, que atua junto ao tribunal de Contas da União, representou para que qualquer empréstimo do BNDES à empresa Sete Brasil seja suspenso por medida cautelar; contratada pela Petrobras, a Sete Brasil subcontratou diversos estaleiros para a produção de sondas e navios-plataforma no Brasil; empresas japonesas, que investiram no País, já cobram R$ 1,3 bilhão em valores pendentes; quebra da Sete Brasil arruinaria a política de conteúdo nacional para o pré-sal, desenvolvida durante o governo Lula; em nota, a empresa justifica os calotes e afirma que a Lava Jato dificultou a obtenção de financiamentos de longo prazo.

Uma ação do Ministério Público que atua junto ao Tribunal de Contas da União pode arruinar de vez a política de conteúdo nacional, que foi desenhada durante o governo do ex-presidente Lula para a Petrobras.

Nela, o procurador Julio Macedo de Oliveira pede que qualquer empréstimo do BNDES à empresa Sete Brasil seja suspenso por medida cautelar, em razão da Operação Lava Jato. O motivo é a suspeita de que representantes dos estaleiros tenham pago propinas a ex-executivos da Sete Brasil para obtenção de contratos.

Contratada pela Petrobras, a Sete Brasil subcontratou diversos estaleiros para a produção de sondas e navios-plataforma no Brasil. No entanto, alguns desses estaleiros, como o Atlântico Sul, na Bahia, e o Enseada, na Bahia, já estão praticamente encerrando suas atividades.

Empresas japonesas, como a Kawasaki, que investiram no País, cobram R$ 1,3 bilhão em valores pendentes e já apresentaram reclamações formais ao ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro Neto. Nos últimos meses, mais de 20 mil trabalhadores já foram demitidos – sobretudo no Rio Grande do Sul.

A política de conteúdo nacional na Petrobras é alvo de intensa disputa ideológica. Grupos de comunicação conservadores, como a Globo, combatem as políticas locais de desenvolvimento tecnológico e substituição de importações.

Em nota, a Sete Brasil atribui a crise à Lava Jato, que reduziu sua capacidade de obter financiamentos de longo prazo. Leia abaixo:


“A deflagração da “Operação Lava Jato” e o envolvimento do ex-Diretor de Operações da Companhia Pedro José Barusco Filho confirmado em depoimentos prestados no âmbito do acordo de colaboração premiada, em novembro de 2014, prejudicaram a obtenção dos financiamentos de longo prazo pela Sete Brasil.


Com o objetivo de apurar eventuais irregularidades ocorridas nos processos envolvendo estaleiros, operadores e fornecedores, visando não somente dar transparência aos processos da companhia, como também fornecer legitimidade a todos os investidores e financiadores do projeto, a Diretoria Executiva determinou, antes de qualquer solicitação de terceiros, o início de um processo de auditoria e investigação sobre todos os documentos e contratos relacionados ao projeto sondas desde a criação da Sete Brasil, em dezembro de 2010.


Os resultados das investigações levaram a Administração da Companhia a concluir que todos seus contratos vigentes foram pactuados observando os termos e condições usualmente praticados pelo mercado neste tipo de operação. Não foi apontado, até então, qualquer violação às leis que regulamentam tais contratos.”
 
Viomundo Brasil247
 
 
 



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O fascismo avança com o incentivo da mídia


Imaginemos a seguinte história. Estamos em setembro de 1999, no pior momento do governo FHC, que foi repleto de maus momentos. Fernando Henrique, mesmo contando com a blindagem da mídia hegemônica, tinha um grau de aprovação menor do que o atual índice de Dilma. O desemprego estava em 9,6% (hoje a mídia “festejou” o aumento do desemprego: 5,9%) e o poder de compra do salário mínimo era irrisório.      


A insatisfação com o PSDB era enorme. Imaginemos que em meio a este cenário duas sedes de diretórios dos tucanos houvessem sido atacadas com bombas, uma delas a da direção regional do PSDB em São Paulo. Editoriais furibundos bradariam contra “os inimigos da democracia”. Manchetes histéricas qualificariam o acontecido como “atos terroristas”. Não é preciso ir tão longe. Quando a União da Juventude Socialista (UJS) protestou em outubro de 2014 contra o crime eleitoral cometido pela revista Veja, jogando tinta e revistas velhas na sede da editora Abril, sem nada quebrar e sem em nenhum momento colocar em risco a integridade física de ninguém, adjetivos como “terroristas” e “inimigos da democracia” foram usados de forma abundante.

 
Em 1999, mesmo com FHC pior avaliado do que Dilma, não aconteceram ataques às sedes do PSDB. Mas acontece hoje com o PT, o partido da presidente da república, que em menos de 15 dias teve uma sede incendiada (Jundiaí) e na madrugada desta quinta-feira (26), o Diretório Regional do partido, no centro de São Paulo, foi alvo de coquetéis molotov. A mídia dá pouco destaque para o fato, que não sai em manchete, não é tema de colunistas amestrados e não aparece em editoriais. O jornal O Globo desta sexta-feira (27), por exemplo, noticia o fato no pé da página 9, e a matéria é absolutamente burocrática. A atitude da mídia é a de um silencio cúmplice, que representa, na prática, um incentivo.

 
As demonstrações fascistas aumentam a cada dia em número e intensidade. Um jovem militante está com a camisa do PCdoB caminhando na avenida paulista quando um homem cospe em sua direção. O militante reage e o agressor corre. Quem não reagiu foi a isenta polícia paulista, que assistiu a tudo impávida.

A resposta aos fascistas deve ser dada nas ruas e na justiça

Exemplos como estes são cada vez mais comuns. Vejam ao lado esta recente postagem no facebook. Um seguidor de Rodrigo Constantino e Reinaldo Azevedo, defende simplesmente que os professores sejam espancados. Não se sabe por que a denúncia foi feita preservando a identidade do fascista, que já retirou seu perfil da rede. Nós descobrimos seu nome, mas por questão de precaução vamos apenas dar as iniciais do mentecapto: Rodrigo Cabral Júnior. As entidades em defesa dos direitos humanos, bem como as entidades sindicais dos profissionais de ensino devem abrir imediatamente processos contra este cidadão e todos os que façam apologia ao crime, incitando a violência contra quem pensa diferente.

 
O fascismo brasileiro entrou para a história por sua característica falta de coragem. Tanto que os integralistas, que buscaram reproduzir aqui, no século passado, de forma patética, os ideais de Mussolini, ficaram conhecidos como “galinhas verdes”, pois quando não encontravam proteção no aparelho repressor do estado, fugiam ao primeiro confronto. A resposta das forças populares deve ser enérgica. Não sair das ruas e denunciar política e legalmente os fascistas são medidas para ontem. O fascismo, como vários tipos de peste, só viceja nas trevas. Temos, portanto, que trazer à luz do dia estes fatos que a mídia hegemônica, cúmplice do fascismo, oculta e, ao ocultar, incentiva.

 Red
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Intolerância política cria aprendizes de terroristas

27 de mar de 2015


Em menos de 15 dias, duas bombas caseiras foram lançadas contra sedes do PT em São Paulo; uma em Jundiaí, no interior, e ontem na capital; "Não importa de quem foi a mão que atirou os coquetéis molotov contra as instalações petistas.

E se não fosse contra o PT, mas contra outro partido, teria a mesma gravidade. Este germe da violência política, que andava hibernado desde o final da ditadura, foi agora reativado por todos os que nos últimos tempos se esforçaram para desqualificar a política", escreve Tereza Cruvinel, colunista do 247, em artigo sobre o tema; segundo ela, a divulgação, pela mídia, de protestos que, entre outros atos fascistas, enforcaram bonecos da presidente Dilma e do ex-presidente Lula, "ajudou muito a esquentar o ninho" onde se "choca o ovo da serpente da intolerância política"

No dia 15, a notícia da explosão de um coquetel molotov no diretório do PT em Jundiaí foi engolida pela caudalosa cobertura das manifestações contra o partido e a presidente Dilma. Na madrugada de quarta-feira, outra bomba artesanal foi atirada contra o diretório municipal de São Paulo.

Não importa de quem foi a mão que atirou os coquetéis molotov contra as instalações petistas. E se não fosse contra o PT mas contra outro partido, teria a mesma gravidade. Este germe da violência política, que andava hibernado desde o final da ditadura, foi agora reativado por todos os que nos últimos tempos se esforçaram para desqualificar a política. Por todos os que instigaram o ódio e a intolerância contra o PT, a ele direcionando as frustrações com um sistema político que o partido não inventou, embora não tenha conseguido, é verdade, escapar de seus tentáculos.

Estamos chocando o ovo da serpente da intolerância política, já disseram tantos. A cobertura da manifestações pela grande mídia, exaltando um protesto onde bonecos de Lula e Dilma foram enforcados, onde suásticas desfilaram e os beneficiários de programas sociais foram estigmatizados, onde se pediu ditadura e volta dos militares, ajudou muito a esquentar o ninho. A Operação Lava Jato, com suas investigações seletivas, mirando o PT e poupando outras siglas, também contribui com a fermentação antipetista. A postura raivosa da oposição e a ambivalência do PMDB, o partido que é governo mas faz oposição ao governo, são outros ingredientes. E houve também, por parte do PT, a instigação ao "nós contra eles" na campanha do ano passado.

Neste caldo de cultura da intolerância estão se criando em São Paulo, a terra do ódio mais vivo ao PT, estes aprendizes de terroristas. Sim, sem exagero, o nome é este, segundo as definições acadêmicas ou o senso comum. Terroristas são as ações políticas violentas dirigidas contra alvos específicos. É exatamente isso que começa a ser feito contra o PT, que hoje é a bola da vez, mas amanhã pode ser contra qualquer outro partido ou instituição política.
 
Brasil 247

 
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O Dr. Sérgio Moro fez diferença na vida de 250 mil operários humildes e agora desempregados

"Não existe Justiça quando, em seu olhar, não são as consequências sociais que ocupam o primeiro plano na visão de um juiz, salvo se o juiz é um obtuso", diz o jornalista Fernando Brito, editor do Tijolaço;

"A falência das empresas, sua bancarrota, está sendo o mecanismo usado para forçar as 'confissões', está evidente. Os 'confessantes', entregando a rapadura, veraz ou fantasiosa, são soltos quase imediatamente".




 
O Dr. Sérgio Moro recebeu com muita justiça o Prêmio Faz Diferença, conferido pelas Organizações Globo, outro dia.

Os números que mostram que a construção civil demitiu 250 mil trabalhadores depois da “Lava Jato”. A quatro pessoas por família, um milhão de seres humanos que, aparentemente, não fazem diferença.

Gente que, sem sombra de dúvida, não roubava e não enriquecia, como os premiados pela delação.

E que não molhava a mão de ninguém, como os empreiteiros.

Não se tem notícia de alguma filha de Paulo Roberto Costa  ou de Alberto Yousef indo filar a bóia no vizinho, ou que alguma delas esteja pegando uma faxina na casa das madames para pagar a conta de luz.

Não existe Justiça quando, em seu olhar, não são as consequências sociais que ocupam o primeiro plano na visão de um juiz, salvo se o juiz é um obtuso.

Se milhares de famílias ocupam ilegalmente o Pinheirinho, não é o “mande a polícia expulsar imediatamente e cumpra-se a lei” a sabedoria que se espera de quem tem o poder de julgar, por maiores sejam as razões do proprietário.

Isso é algo que se espera de um energúmeno, não de alguém que recebe do Estado a missão de resolver conflitos de forma justa e humana.

A falência das empresas, sua bancarrota, está sendo o mecanismo usado para forçar as “confissões”, está evidente.

Os “confessantes”, entregando a rapadura, veraz ou fantasiosa, são soltos quase imediatamente.

Para cada preso de Sérgio Moro, porém, dezenas de milhares de homens, mulheres e crianças já são imediatamente condenados: à fome, às necessidades, ao desespero.

Não têm confissões a fazer, muito menos quem as premie por elas.

Significa que se devesse aceitar a corrupção em nome do emprego?

Não, absolutamente não.

Havia um sem-número de medidas que se poderia tomar.

Reter, por exemplo, uma parcela de seus ativos e faturamento, de forma a garantir a devolução do desviado.

Determinar a auditoria dos  contratos imputados de desvio.

Como escreveu um amigo, “Quem comete crimes são pessoas, não instituições. Torturadores eram militares, não o Exército. Corruptores eram dirigentes, não empresas”.

Empresas podem e devem ser punidas com multas, até porque é inimaginável que se possa “enjaular” uma pessoa jurídica.

Mas, quando são punidas com meses de insegurança, onde até mesmo pagá-las o contratado, por obras efetivamente realizadas, torna-se um perigo para qualquer dirigente público  que as contratou –  só deixa um caminho possível: parar.

E, parando a construção pesada no país, o Dr. Moro fez diferença.

Uma dramática diferença, não para os ricos, que viverão à farta com tudo o que lhes sobra.

Mas para os pobres, a quem não sobra nada e agora falta tudo.

Faz diferença, não é, Dr. Moro?
 
Brasil 247
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Governadores do Nordeste recebem ultimato da Presidente Dilma

26 de mar de 2015


 
Os governadores dos estados do Nordeste que participaram de uma reunião com a presidente Dilma Rousseff nesta quarta-feira acabaram por receber uma espécie de ultimato. Durante o encontro, que durou mais de quatro horas, os gestores ouviram que a liberação de recursos para novos investimentos na Região somente serão concretizados com a efetiva aprovação do ajuste fiscal que enfrenta problemas para ser viabilizado junto ao Congresso Nacional.

Na prática, o governo federal está colocando pressão sobre os governadores para que estes acionem suas bancadas de maneira a aprovar o pacote econômico e fiscal que está travado nas duas casas legislativas. "O ajuste fiscal é condição indispensável para ter os parâmetros que vão orientar as novas parcerias com os governadores", disse o ministro-chefe da Casa Civil, Aloísio Mercadante

Sem alternativa, os governadores se comprometeram a discutir o ajuste fiscal com as bancadas de seus respectivos estados. O governo federal, porém, deverá manter a continuidade de obras estruturadoras que já estão em andamento e as ações de combate à seca.

"Vamos convidar todos, independentemente do partido, para que possamos debater o ajuste e definir a nossa posição, e deixar claro a posição dos governadores de apoio às medidas de ajuste fiscal. Precisamos substituir a atual agenda política e econômica do país pela construção do cenário futuro. É por isso que afinamos com a presidenta a questão do financiamento da saúde, da segurança pública", disse o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB).

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), defendeu a implementação dos ajustes, mas disse que as medidas já deveriam ter entrado em vigor há mais tempo. Apesar disto, ele também disse o PSB irá tratar do ajuste fiscal com independência. "O PSB tem posição de independência, mas entendemos que o ajuste é necessário. Vamos analisar projeto a projeto e o que pode ser discutido. Nosso entendimento é que o Brasil tem que passar pelo ajuste fiscal e que isso deveria ter sido feito antes. O ajuste veio tarde", criticou.
 
247
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Nós advogados, eles juízes

25 de mar de 2015


 
Houve um tempo em que os juízes de direito só se manifestavam nos autos. É certo que em todos os tempos e em todos os lugares, o ato de julgar tem sido difícil. Os juízes não são infalíveis. Nada há de perfeito no mundo, e por mais isentos queiram ser os magistrados, eles são feitos do mesmo barro de que se fazem os outros homens. De qualquer forma, com seus erros, quando os há, e seus acertos, que são mais importantes, a sociedade precisa de juízes e de tribunais. Deles não pode prescindir. O que faz democráticas as sociedades é o sistema de múltiplo controle de seus membros e de suas instituições.
 
A consciência da vida, de que só os seres humanos são dotados, reclama regras de convivência e sua observância, ou seja, as leis. Os homicídios, por exemplo, devem ser punidos, para impedir que o instinto de répteis, que ainda atua no fundo do cérebro, prevaleça.
 
Em consequência da ineficácia da polícia e da morosidade da justiça, somos um dos países mais inseguros do mundo. Os que furtam para comer – e os códigos penais de quase todos os países civilizados aceitam a condição atenuante – devem ser perdoados, o que não tem ocorrido aqui. O direito à vida é anterior ao direito à propriedade, como os princípios éticos reconhecem. Os julgamentos não são equações matemáticas, em que para tais e quais fatores só pode haver uma conclusão (embora haja teorias que admitem mais de uma resposta, ou nenhuma resposta, para alguns problemas).
 
Os juízes de direito são pessoas que julgam atos pessoais, e julgam com seus próprios instrumentos intelectuais e éticos. A balança pode ser precisa, mas os pesos, como sabemos, costumam variar. E chegamos a uma penosa conclusão: a de que há juízes que cometem atos ilícitos.
 
No passado, era quase impossível conhecer seus desvios e puni-los, mas nos últimos anos alguns deles foram denunciados, indiciados, processados e condenados.
 
É normal – e até desejável – que os altos magistrados brasileiros divirjam: na justiça, como em todas as outras atividades humanas, toda ortodoxia, todos os dogmas – mesmo os tidos como clássicos em Direito – merecem ser vistos com sábio ceticismo. O conhecimento – e nele se reúnem os do saber jurídico, o dos fatos em si, o do peso das circunstâncias – é sempre uma possibilidade, jamais uma certeza. Todos os juízes, diante dos autos, são acometidos da razão socrática: sabem que conhecem pouco do que vão julgar.
 
Antes de uma decisão, os bons juízes refletem muito, apelam para a razão e, aqueles que nele crêem, suplicam pela ajuda de Deus. Mas é preciso que haja instituições que zelem pela retidão dos juízes. Que o juiz se equivoque, por falta de informações completas, ou por não encontrar a relação do delito com as leis penais, não o faz passível de reparos ou punição. O que os torna delinquentes é o dolo. Para os equívocos existem as instâncias de apelação, mas, para o comportamento doloso, devem atuar órgãos como o Conselho Nacional de Justiça.
 
O CNJ é composto por magistrados escolhidos, em sua maioria, pelos tribunais e, em minoria, pela OAB e pelo Parlamento. Em sua composição, de 15 membros, todos são profissionais do Direito, com a exceção de “dois cidadãos”, de notório saber jurídico e reputação ilibada, conforme o artigo 102-B, da Constituição.
 
Alguns juízes, mediante sua associação corporativa, contestam esse poder do CNJ – e preferem que o órgão não avoque o exame das denúncias, antes que elas sejam investigadas no âmbito do tribunal em que ocorram. Trata-se de uma posição corporativa, que não deve prevalecer. É preciso que haja instituição distanciada das relações pessoais com os acusados, para que o exame dos atos imputados se faça com a imparcialidade possível, ainda que sujeita à condição humana dos investigadores e julgadores.
 
Se a sociedade for consultada, ela dirá que, sim, que é preciso que os juízes sejam fiscalizados e investigados e, se for o caso, processados. Enfim, como advertiam os latinos, corruptio optimi pessima est. Ou no idioma de Rui: A corrupção dos melhores é a pior.
 
nilsonazevedo@globo.com
Fonte: Revista Data Venia

 
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De freguêses a clientes

Nas favelas, no senado, sujeira pra todo lado, Ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação". Essa canção da Banda Legião Urbana embalou a juventude brasileira no final da década de 80 e de norte a sul do país todos se perguntavam: Que país é esse?


Ora, pois sim. Este é o país  do clientelismo que   é  um sub-sistema de relação política, com uma pessoa recebendo de outra a proteção em troca do favor ou apoio político usando a máquina eleitoral  para  oferecer benefícios, privilégios e facilidades em troca da garantia dos votos.

O que caracteriza o clientelismo, portanto, é o sistema de troca de favores por votos. Como nota característica, o cliente fica em total submissão ao patrão que está no poder. Daí vultosa parcela do dinheiro público se  aplica de forma inconfessável  para beneficiar aqueles que giram  em torno do Poder  enquanto houver a oportunidade.. 

 
Infelizmente um segmento substancial do povo brasileiro ainda é ignorante quando o assunto é representatividade política, bem assim quando se aborda o significado de coeficiente eleitoral.  Muitos preferem apontar todas as mazelas aos conspiradores, sejam eles de direita, liberais, conservadores, totalitários ou da esquerda festeira e festiva.
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Por outro lado, não há quem tire da cabeça de alguns que  pertencer a currais eleitorais e eleger pseudo-líderes que passam o bastão de pai para filho, desde a época das capitanias hereditárias, é algo corriqueiro, comum.


Da mesma forma quando ouço um político dizer que vai consultar sua base eleitoral, vejo que muitos vão consultar mesmo são os seus afiliados e financiadores de sua campanha. Isto é fato comprovado na Lava a Jato.

Clientelismo é, portanto,  a utilização dos órgãos da administração pública com a finalidade de prestar serviços para alguns privilegiados em detrimento da maioria da população e  tem a finalidade de amarrar politicamente o beneficiado. Os intermediários de favores prestados às custas dos cofres públicos, são todos os chamados clientelistas, despachantes de luxo ou traficantes de influências. O grande objetivo dos intermediários é o voto do beneficiado ou o dinheiro proveniente de propinas.
 
O clientelismo é a porta da corrupção política e o pai e a mãe das irregularidades e do uso da "máquina administrativa" com finalidades perversas e, no final da história, os prejudicados são a maioria dos cidadãos e cidadãs que cumprem com seus deveres  mais comezinhos.

Dizia-me um professor de ciência política  que os brasileiros acreditavam, ingenuamente, que os "políticos de plantão" resolveriam os nossos infindáveis problemas. Entretanto, tenho pra mim que até hoje os políticos plantonistas e profissionais sempre defenderão os seus interesses particulares e de seu grupo. Raramente servirão aos interesses coletivos e tampouco seguirão os princípios e valores que norteiam os seus partidos, com ou sem operação Lava a Jato.

Se nós brasileiros não nos educarmos formal e politicamente e não fizermos uma reforma política pra valer, vivenciaremos, de geração a geração,  o morde e assopra eleitoreiro.


Fonte: Cadernos de Ciência Política
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Sudestinos, Sulinos e Nordestinos

23 de mar de 2015



 
Porque muitos brasileiros passaram a chamar a letra É de Ê? Alguns palpites sobre a breguice.  
O que é ser brega? Uma das características mais marcantes do brega é querer agir como se ele fosse outro. Outro que ele talvez admire sinceramente ou que é induzido a admirar (pela mídia, pelo grupo no qual está inserido naquele momento da sua vida, etc.).
 
Não é por acaso que um dos exemplos mais típicos de breguice, um dos que mais chama a atenção e provoca o riso, é a modificação do jeito de falar. Um brasileiro que passa algum tempo morando no exterior e volta falando diferente, com sotaque. A pessoa que está estudando uma língua estrangeira e passa a utilizar palavras e expressões dessa língua na sua conversa diária, trivial, com os interlocutores. A pessoa que passa a falar “difícil” propositadamente perante o seu grupo.
 
Quando o brega age como brega ele quer impressionar os outros, seduzir (e assim assumir um certo status de superioridade sobre os outros). Ele acha que é chique imitando alguém que ele acha que é chique ou que foi induzido a achar. E quer que os outros o achem chique quando faz essa imitação. É... A breguice é um modo de sedução. Que funciona entre outros bregas, mas é letal num meio mais cultivado, onde só provocará o deboche.
Isso estou dizendo eu, um simples leigo no assunto. Os estudiosos do brega podem talvez dizer mais sobre a breguice.
 
Parece que já li em algum lugar, não sei onde, que uma diferença entre ser caipira e ser brega é que o primeiro é autêntico e o segundo não. Quem sabe não se pode acrescentar que o caipira não tem pretensão de ser considerado chique e o brega sim. E com essa “chiqueza” quer ter alguma preponderância sobre os outros. Quer ser mais considerado, em suma, quer ter poder.
 
De uns tempos para cá, mais precisamente desde fins da década de noventa, ou pelo menos foi a partir daí que passei a notar com mais atenção o fenômeno, a “elite” brasileira, puxada pela Rede Globo, passou a achar extremamente chique pronunciar a letra “é” com o som fechado “ê”. Imitando os brasileiros sulistas de origem italiana, alemã e espanhola.
 
Quase todo brasileiro aprendeu a pronunciar as vogais do velho ABC assim: A, É, I, Ó, U. 
Hoje em dia, especialmente na Rede Globo e nas vozes da propaganda, e especialmente em São Paulo, se você não chamar o “é” de “ê” e até mesmo o “ó” de “ô” faz feio, não é chique.
E, não contentes com a mudança da letra isolada, para serem coerentes, mudaram também a pronúncia do “é” nas palavras. Essas pessoas não querem mais dizer “éducação”  e  sim “êducação”. República, com “é” bem aberto que vem das palavras latinas res publica, com o “e” de res bem aberto, só deve ser pronunciada “rêpública”, para ser chique. Mesmo que para isso o fôlego necessário para fazer a aspiração fechada seja maior, deixando a conversação mais cansativa. O importante é ser “chique”.
 
As sucessivas reformas ortográficas da língua portuguesa vêm facilitando essas “chiquezas”. Houve tempo em que “e” aberto tinha quase sempre o acento agudo “ ´ ” para diferenciar do “e” fechado que tinha o acento circunflexo “ ^ “.  Mas as reformas ortográficas foram abolindo esse chamado acento diferencial. A reforma de 1971 (Lei 5765/71 do General Médici) é a principal responsável pela extinção do acento. Recentemente tivemos nova reforma que reduziu mais ainda o uso de acentos diferenciais. O objetivo alegado sempre foi o de simplificar a escrita, nunca o de mudar a pronúncia das palavras.
 
Entretanto o que vemos hoje é uma avalanche de ê-falantes no português do Brasil. Tem-se a impressão de que cada repórter e cada locutor de propagandas na TV e no rádio vão diariamente para a frente do espelho treinar falar “ês” fechados para não cometerem gafes. E que temos fonoaudiólogas da Globo em todos os estúdios treinando os repórteres a falar “chique” com “ê” fechado.
 
Assim a regra é ouvirmos:
 
Êlêtrônicos (embora ainda não ousem chamar elétrons de êlêtrons).
Êspêcial (embora não possam chamar espécie de êspêcie).
Êlêtricidade, êlêtricista, êlêtrizante, (embora não ousem pronunciar êlêtrico em vez de elétrico).
Cêlular (embora ainda pronunciem normalmente célula).
Nôrmal (embora ainda pronunciem norma com “ó” aberto).
Sêxual (embora não tentem mudar a pronúncia de sexo, de “é” para “ê” por ficar ridículo).
 
Acabo de ouvir um repórter da CBN tascar um “aprêssar”, chiquérrimo, pena que não se pode falar prêssa, por ficar estranho. Outra, na TV Globo, acaba de soltar um “mistêrioso”, que aparentemente se origina de “mistério”. Antigamente, na época do Cid Moreira e Sérgio Chapelin, o Jornal Nacional era anunciado assim: jórnal nacional. Agora os locutores dizem: jôrnal nacional, jôrnal hoje, enfatizando bem o “ô”. Gente fina fala assim.
 
Na Copa das Confederações de 2013 um jovem repórter fez uma matéria em um sítio de quilombolas para o Esporte Espetacular. Ele perguntava aos negros: você já ouviu falar de Pêlé? Fiz uma retrospectiva mental tentando lembrar se em algum lugar do Brasil ou do exterior, nas TVs e nos rádios eu já ouvira alguém pronunciar o famosíssimo nome de Pelé com o primeiro “é” fechado. Nunca. Sempre o que se escuta é Pélé.
 
Deve ser a força do hábito de transformar tudo em “ês” mais chiques, para diferenciar desses falantes de Minas Gerais para cima, especialmente dos feios nordestinos, que em tudo são feios e pobres, até no falar –não importa se os nordestinos são mais fiéis ao português de Portugal ou ao ancestral latino.
 
Na língua portuguesa –na verdade em todas as línguas românicas- há o fenômeno histórico chamado metafonia. Na formação de plurais (ôlho > ólhos; côrpo > córpos; ôvo > óvos; pôrto > pórtos, etc.). Em conjugações verbais (dêver: eu dêvo, tu déves, ele déve, nós dévemos, vós dêveis, eles dévem), etc.  Em alemão há o fenômeno do Umlaut que é similar ao da metafonia. Alguns plurais se formam acrescentando um ä  que corresponde ao som da letra “é”, aberta.
 
No Brasil parece que fazemos uso mais equilibrado dos dois sons. Sempre tivemos bolsões de ê-falantes, especialmente no estado de São Paulo e nos estados do Sul, em regiões de forte imigração italiana, alemã e de língua espanhola (fronteiras com países falantes do espanhol). Mas eles eram minoria e bem delimitados.
 
O problema parece ter começado com as fonoaudiólogas da Globo.  O problema parece ter realmente se avultado quando a “elite” brasileira se descobriu como melhor que o resto da população, mais rica, mais bonita, mais européia. Essa elite despreza raízes portuguesas, aqueles baixinhos, atrasadinhos da Europa. Despreza os nordestinos com suas cabeças chatas e sua pobreza. Despreza todos esses é-falantes.
 
Na eleição de 2010 uma propaganda de Serra colocava uma voz nordestina falando, totalmente estereotipada, com todos os sons abertos, os “t” e os “d” sempre linguodentais, e essa voz ao falar PT dizia Pé-Tê. Ninguém no Brasil fala PT assim. Desconheço quem pronuncie no Brasil a letra “p” como “pé”.  Mas achei isso uma prova sensacional da politização fascista dessa questão linguística.
 
Parece que os bregas do Sul/Sudeste do Brasil estão conseguindo fazer uma metafonia ao contrário: agora tudo que é aberto vai se tornar fechado.

Zé Gomes     
GGN
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INSIGNIFICÂNCIA E VAIDADE

21 de mar de 2015



Tenho convicção da minha insignificância e fragilidade neste mundo. Sou apenas um entre 7 bilhões de seres humanos também insignificantes.

O meu futuro  inexorável  será pó de carbono que vai atomizar o meu inglório túmulo, ionizando o átomo  a ser programado ao esquecimento.

Fui  profetizado como o primeiro réu  a ser  julgado no apocalíptico Juízo Final, cuja sentença  condenatória não ensejará recursos.

Entretanto, serei degredado para cumprir minha pena retornando ao vale de lágrimas, num cenário de montagem da  divina comédia de Dante .

 


Feito o exórdio acima, há de se afirmar que  todos os dias vivemos mentiras, deixamos de fazer algumas coisas com medo das consequências de nossos atos, criando um mundo imaginário no qual as consequências de um simples “oi” serão catastróficas – ou as mais maravilhosas que a mente humana pode imaginar.

Pensamos sempre no depois, e esquecemos o agora! Vivemos num futuro imaginário, enquanto o agora real fica em segundo plano. Evitamos falar algumas coisas porque em nosso futuro imaginário as consequências dessas palavras não foram boas. Ou ficamos presos num futuro imaginário muito bom, no qual tudo deu certo, tudo valeu a pena, e esquecemos de fazer com que aquele futuro possa se tornar real. Vivemos um faz-de-conta de coisas boas e ruins; esquecemos do agora e vivemos o depois.

 Alberto Caeiro, poeta modernista português (heterônimo de Fernando Pessoa), defendia uma visão mais “realista” do homem para o mundo:

“O que nós vemos das cousas são as cousas/ Por que veríamos nós uma coisa se houvesse outra?/ Por que é que ver e ouvir seria iludir-nos/ Se ver e ouvir são ver e ouvir?”.

As flores são flores, as estrelas são estrelas, e não há nada a mais nem nada a menos em cada uma das coisas. Caeiro tentou nos ensinar a virar a cabeça para ver os donos daquelas sombras que víamos na parede. Ensinou-nos que o que vemos e ouvimos não são mais do que vemos e ouvimos.

Um vaso de plantas não é mais do que um vaso de plantas, e o que dizemos é o que queremos dizer (obviamente isso não serve pra linguagem em código).

 
Está na hora de mudar! Vamos, aos poucos, voltar ao presente e lutar pra que o nosso futuro em que tudo deu certo se realize! Viremos a cabeça para o lado certo e evitemos de tropeçar em diversos obstáculos, não esqueçamos mais de andar. O futuro não é agora! O futuro não será nunca!
O futuro é apenas um tempo verbal, o que importa é o agora!

Lutemos por nossos direitos, por nossos sonhos, e transformemos o futuro em presente!
Mas  não esqueçamos de que “o que foi voltará a ser, o que aconteceu, ocorrerá de novo, o que foi feito se fará outra vez; não existe nada de novo debaixo do sol”.  Já dizia o Rei Salomão há mais de 3.000 anos.

nilsonazevedo@globo.com
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Mentira tem pernas curtas, já dizia minha avó

20 de mar de 2015


Minha  querida avó já dizia: "Mentira tem pernas curtas."
Esta sentença envolvia um certo sentido filosófico. Era como se o mentiroso fosse fácil de ser apanhado e, claro, ao sê-lo se cobriria de vergonha, de desonra. Isso naqueles tempos. Tempos em que os vocábulos correspondentes à  honra, ética, dignidade, decoro, honestidade não eram vulgarizados em rotineiras notícias na imprensa e assemelhados.

Quem possuía aquelas virtudes as preservava, não precisava ficar a apregoá-las ou esforçar-se para parecer que as tinha. Mas, os tempos mudaram muito. Aliás, em alguns aspectos do relacionamento humano, parece que voltamos ao tempo da barbárie. 

 
 
 
Mas, sem tergiversar a linha que estampa o título deste texto, vamos, por conseguinte, nos ater ao tema da mentira.
Hoje, mais do que nunca, a mentira ganhou status, até  enobreceu, porque  desfila nos mais refinados ambientes, palanques e gabinetes de políticos inescrupulosos tendentes à corrupção, em todos os níveis ou  patamares, desde a Câmara de Vereadores ao Senado. A mentira já nem liga se tem pernas curtas. Ela está tão desavergonhada, tão impudica, que, mesmo identificada, não se importa de sustentar um sorriso irônico e escarnecedor, troçando de seus desafetos. 

Faz promessas ou juras que não pretende cumprir e até se traveste de verdade, audaciosa e descaradamente. Claro que ela se apoia na impunidade, muitas vezes. Hoje dir-se-ia que há dentro do país uma verdadeira nação da mentira. Ela criou realmente um poder paralelo, assim como está acontecendo, infelizmente, com a violência.

A força de persuasão de certas mentiras acaba por elidir qualquer possibilidade de a extirparem. Hoje em dia, é tal o seu poder de convicção, que alguns indivíduos ganham votos em face da enganação, da mentira. Mentir e mentir sempre, até as penúltimas consequências.  Depois que as urnas são abertas e os votos apurados eles os  derrotados inconformados mentem ainda mais, a manobrar a plebe boçal para incutir-lhe mais  mentiras, agora, de forma temerária,  com viés  golpista.

A mentira tem ainda um lado mais cruel. É quando ela se alia à  infâmia, à calúnia e à difamação. Quando se imputa a alguém, sem provas, um fato definido, seja como crime, seja como uma ação imoral, ou ilegal etc. Nestas circunstâncias a mentira é ainda mais desleal e traiçoeira. Algumas vezes se vale da confiança alheia para disseminar intriga ou ódio contra alguém ou alguns.

Relembrando minha avó, ela também costumava dizer que às vezes a cobra morre pelo próprio veneno. Contudo, digo eu, nem sempre isto acontece, pois a mentira, quando muito arraigada, costuma resistir e ressurgir sempre, pelo hábito. A sua peçonha  a realimenta.

 nilsonazevedo@globo.com
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