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Expressiva vitória política e diplomática de Cuba

20 de dez de 2014

 
 
Há dezesseis anos, sob a inspiração e liderança de Fidel Castro, o invicto comandante da Revolução, o povo cubano mobilizou-se na luta pela libertação de cinco patriotas encarcerados nos Estados Unidos.

Em setembro de 1998, Gerardo Hernández, Ramón Labañino, Fernando González, Antonio Guerrero e René González foram presos em Miami por agentes do FBI. Acusados de conspiração, espionagem e preparação de atentados, foram condenados a pesadas penas de prisão. Desde 2001, quando o líder histórico da Revolução disse “Volverán!” (Voltarão), os cubanos e seus amigos solidários em todo o mundo reafirmaram com mais esperança e convicção seu compromisso com a vitória da causa da libertação dos Cinco.

Durante estas mais de uma década e meia, o governo cubano demonstrou por meio de ampla campanha de esclarecimento junto à opinião pública mundial que a verdadeira missão dos Cinco em território estadunidense era a de monitorar as atividades de grupos e organizações responsáveis por ações terroristas contra o governo cubano. Isto porque, após o triunfo da revolução cubana em 1959, o país foi alvo de mais ataques terroristas do que qualquer outro país no mundo: desde então, 3.478 pessoas foram mortas e 2.099 feridas nesses atos. A imensa maioria dos ataques foi organizada a partir do sul da Flórida, por grupos tolerados e até parcialmente financiados pelo governo dos Estados Unidos.

Hoje, o povo cubano e os milhões de amigos que tem no mundo puderam dizer “Voltaram”, com a histórica decisão tomada pelo governo dos Estados Unidos de libertar os três últimos dos patriotas cubanos – Gerardo, Ramon e Antônio – que ainda se encontravam encarcerados naquele país. Um fato histórico, dentre os mais relevantes da gloriosa trajetória da revolução cubana.

Foi uma vitória da resistência e da justiça, da luta pela verdade, contra uma condenação que era fruto da mentira, do ódio e do preconceito, uma vitória do povo cubano, da sua liderança, do seu governo e da ampla rede de solidariedade que se formou em todo o mundo. 

Também se reveste de extraordinário significado e tem projeção mundial o anúncio feito simultaneamente pelos presidentes de Cuba, Raúl Castro, e dos Estados Unidos, Barack Obama, de que ambos os governos acordaram restabelecer relações diplomáticas.

Cuba e Estados Unidos têm profundas diferenças e divergências, que foram lembradas por Raúl Castro em sua alocução, “fundamentalmente em matéria de soberania nacional, democracia, direitos humanos e política exterior”, o que não impede que se estabeleça diálogo e cooperação em temas de interesse comum.

O restabelecimento das relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos é um fato político transcendental, dos mais marcantes em quase seis décadas. Repercute em todo o mundo, é saudado pelos povos e por estadistas. Além de melhorar as relações bilaterais entre os dois países, favorece ainda mais o ambiente político em toda a América Latina e constitui positivo sinal de que é possível avançar no mundo por uma nova ordem, pela democratização das relações internacionais e pela paz.

As expectativas centram-se agora na eliminação do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos desde 1962 e que provoca enormes danos humanos e econômicos a Cuba.
 
 
Portal Vermelho
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Ação do PSDB para diplomar Aécio no lugar de Dilma vira piada

19 de dez de 2014


As ações judiciais movidas por integrantes do PSDB contra a diplomação da presidenta Dilma, ocorrida na véspera, se transformaram em motivo de piada nas redes sociais. O jornalista Paulo Nogueira, fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo, escreveu sobre isso.

 
As pessoas se perguntavam nas redes sociais: é piada?

Mas não. Não era.

Pouco antes da diplomação de Dilma hoje, o PSDB solicitou ao TSE o seguinte. Que, em vez de Dilma, Aécio fosse diplomado.

Quer dizer: o PSDB quer cassar mais de 54 milhões de votos.

Há detalhes até engraçados. Você pode imaginar a cena: um mensageiro do PSDB vai em louca correria ao presidente do TSE para entregar-lhe o pedido e, ao chegar a seu escritório, descobre que ele já está diplomando Dilma.

Em quem teria se inspirado o PSDB? No Fluminense, que escapou da segunda divisão no ano passado graças ao tapetão de última hora?

No grande filme de Dustin Hoffman em que ele salva a amada de um casamento torto em plena igreja, quando ela, belíssima em seu vestido de noiva, estava prestes a dizer sim?

O desfecho seria perfeito, como comédia, se no momento em que Toffoli entregava o diploma a Dilma o presidente do PSDB, Aécio, irrompesse na sala e cantasse: “Por favor, pare agora. Senhor juiz, pare agora.”

O final não foi este, e sim o esperado. Dilma foi diplomada e fez um discurso em que sublinhou seu compromisso com a “justiça social”. Falou também num “grande pacto”, de todos os poderes da República, contra a corrupção.

O tempo dirá quanto ela cumprirá da agenda ampla que anunciou nesta noite da diplomação.

Só se poderá julgar o segundo mandato de Dilma com o correr dos longos dias

Desde já, no entanto, é legítimo dizer que a tentativa do PSDB de colocar o diploma nas mãos de Aécio, e não de Dilma, é um dos capítulos mais patéticos da história política nacional.

O PSDB já não está mais se comportando como um grupo reacionário e disposto a tudo para chegar ao Planalto por quaisquer meios. Está agindo como um bando de lunáticos.
 
 
Matéria extraída do Jornal "Correio do Brasil"
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Prefeito de Guarapari não quer turistas pobres na cidade

prefeito Orly Gomes (DEM)
Destino certo para milhares de mineiros que escolhem o Espírito Santo para aproveitar as praias todos os anos, Guarapari, uma das cidades mais procuradas pelos turistas, poderá ter novas “normas” para a entrada dos visitantes.
 
O prefeito Orly Gomes  (DEM)  disse que quer limitar o número de pessoas em casas de veraneio e receber turistas que gastem R$ 200 por dia.
 
“Precisamos de pessoas que venham com dinheiro para gastar e, assim, justificar os investimentos na cidade. Seria melhor ter 100 mil turistas com melhor poder aquisitivo, que frequentassem restaurantes, bares e ocupassem hotéis, que gerassem renda para a cidade, que gastassem R$ 200 por dia”, disse.

Com a expectativa de que entre os feriados de Natal e  Carnaval,  mais de 1 milhão de turistas passem por Guarapari, o prefeito (foto)  propôs a adoção de regras para evitar a superlotação da cidade.

O excesso de pessoas em uma única casa é uma das causas dos  transtornos, como a falta de água em Guarapari.  As casas terão que ter alvarás e serão fiscalizadas, assegura Orly Gomes.
O prefeito do DEM  também disse que a cobrança de taxas para os ônibus de turismo está entre as medidas que poderão  ser adotadas para receber turistas com maior poder de consumo.
 
O certo é que turistas pobres não serão  bem- vindos a Guarapari.
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Em anúncio histórico, Estados Unidos e Cuba dizem que vão reatar as relações após 53 anos

17 de dez de 2014




Os presidentes dos EUA, Barack Obama, e de Cuba, Raúl Castro, anunciaram nesta quarta-feira (17/12) as maiores mudanças nas relações entre os dois países desde a imposição do embargo norte-americano à ilha em 1961. Entre as medidas, estão o início das conversas para a normalização das relações diplomáticas, a flexibilização do bloqueio econômico e a libertação, por parte dos cubanos, de 53 presos políticos.

Ainda nesta quarta, Washington e Havana trocaram prisioneiros: enquanto Cuba libertou o norte-americano Alan Gross, que cumpria pena de 15 anos na ilha por espionagem, Washington soltou também os últimos três dos Cinco Cubanos presos nos EUA, também acusados de espionagem.

As negociações entre os dois países começaram há cerca de 18 meses, no Canadá, e incentivadas pelo papa Francisco. Obama e Castro conversaram na manhã desta quarta pelo telefone – a primeira vez que mandatários dos países o fizeram desde o embargo – e selaram o acordo para a libertação dos prisioneiros.

As medidas anunciadas pelos dois governos incluem:
·        Secretário de Estado instruído para imediatamente retomar diálogos para reatar relações diplomáticas, interrompidas em janeiro de 1961.
·         Reabrir embaixada norte-americana em Havana para "trocas de alto nível".
·         Manter diálogos com Cuba sobre: imigração, direitos humanos, combate às drogas.
·         Mudanças nas políticas econômicas dos departamentos do Tesouro e Comércio.
·         Empresas de telecomunicações e internet dos EUA deverão ter mais liberdade para operar na ilha.
·         Flexibilização das restrições a viagens entre os países: mais vistos serão disponibilizados a famílias, funcionários de governos, jornalistas, pesquisadores, grupos religiosos, ativistas humanitários e outros.
·         A permissão para o envio trimestral de remessas financeiras de indivíduos nos EUA para Cuba serão ampliadas de US$ 500 para US$ 2 mil. 
·         Cartões de crédito e débito de bandeiras norte-americanas poderão ser usados em Cuba.
·         EUA revisarão inclusão de Cuba na lista de países que promovem terrorismo.
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Até no país dos absurdos deve haver algum marco civilizatório

15 de dez de 2014


 
 
O esforço que parcela da sociedade brasileira faz para destruir o que o conjunto da nação levou décadas para construir pode ser mensurado na quantidade de assuntos que uma investigação policial traz a público.
 
No caso da Petrobras, a caça aos corruptos – prática que deveria ser diuturna e silenciosa – torna-se um circo. Aquela parcela de brasileiros que quer ver o esse circo pegar fogo, vaza informações, dados, relatórios, dossiês secretos e o que mais os editores adoram levar à distinta audiência, para analistas, blogueiros, palpiteiros, colunistas e curiosos fazer picadinho no dia seguinte.
Uns apimentam, outros tornam o caldo insosso e há aqueles que atribuem seja lá o que for à sanha petista, quando não presumem que os comunistas estão no controle e planejam a revolução iminente.

Se um marciano desembarcasse hoje, no Brasil, e lesse qualquer um dos diários que recebem bilhões de reais dos cofres públicos para descrever a realidade nacional, imaginar-se-ia em plena guerra civil ou à beira de um cataclismo sem precedentes nos campos econômico e político.
 
Óbvio que, nos minutos seguintes, em um simples giro pelas principais capitais do país, perceberia outra história: o brasileiro é, antes de tudo, um profissional. Amador não sobrevive nessas terras por cinco minutos. O que está dito nas redes cartelizadas da mídia é aquilo mesmo, embora não signifique exatamente o que quer dizer, ou algo parecido. O jogo de interesses das mais diferentes camadas sociais é não apenas extremamente intrincado como, para deixar tudo mais complexo, ainda existe Minas Gerais.

Assim, quando líderes daquela parcela que joga sujo e visa o golpe sobre a outra parte, esta que acaba de vencer as eleições, saem em manifestações pela volta dos militares ao poder – apoiadas por supostos artistas convictos da própria boçalidade e amplamente cobertas no noticiário como coisa séria – o fazem com o objetivo claro de minar a Democracia que os brasileiros de bem ergueram com sangue, suor e lágrimas.
 
Sorte é que, como a atuação deles é bufa e caricata, até os micróbios que aportaram junto com a nave daquele marciano percebem logo que nada do que dizem os neonazistas de plantão merece crédito, apesar do espaço que recebem na mídia conservadora, regiamente paga com recursos do Erário.

Tudo bem. É preciso ter paciência. Mas já estão indo longe demais. A ponto de um homem chamar uma mulher, em público, de ‘vagabunda’ e lhe dizer, nas fuças de quem estiver por perto, que não a estupra somente porque ela não merece, sem ganhar sequer uma reprimenda por isso, no mínimo, ou um corretivo adequado, como convém. Nem é crível que esse mesmo ser seja recebido em uma instalação militar para fazer proselitismo do golpe de Estado

 
O deputado Bolsonaro é recebido em uma instalação militar para pregar um movimento político de extrema direita
 
 
Não bastasse o absurdo da cena, que lembra um convescote na Alemanha nazista, as declarações desse agente da ultradireita diante uma tropa uniformizada, de oficiais e futuros oficiais do Exército Brasileiro, em uma instalação militar, envergonham a Democracia.
 
Em um país que se rege pelas leis,o mandato deste parlamentar deveria ser levado ao julgamento de seus pares, no Plenário da Câmara, por quebra do decoro parlamentar e incitação ao golpe de Estado. Cada um dos militares envolvidos nessa reunião tenebrosa, identificado e afastado da farda, sumariamente, em condição vexatória. O comandante, retirado de suas funções e levado à Corte Marcial, por permitir a ocorrência de tais fatos em um quartel sob sua responsabilidade.

Vivamos no país dos absurdos. Problema algum. Mas assim também já é demais.



Gilberto de Souza,  jornalista, editor-chefe do jornal Correio do Brasil
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EU VI O NÊGO D'ÁGUA

13 de dez de 2014

 
Parece história de pescador,  mas afirmo de viva voz que já vi aquele caboclo de cabeça grande e olho no meio da testa.

Estava eu navegando pelo canal do Guaxinim, indo para o Icatú, quando  o "nego d'água"  emergiu das águas e apareceu  ao lado do nosso barco, querendo cachaça e fumo. Por sorte levava comigo os objetos do desejo do compadre.

Para quem não sabe, informo que o dito cujo habita bem no meio do rio, precisamente nos locais onde existem rochedos e perto das c'roas. O tal sujeito gosta de fazer locas cavando os barrancos, provocando o deslizamento das terras. Para afugentá-lo ou amedrontá-lo, nós beiradeiros colocamos armadilhas  de pregos e vidros nos lameiros. Apesar de viver também fora d'água ele nunca se afasta muito da beira do rio durante as suas andanças. Quando não gosta de um pescador, afugenta os peixes, tange-os para longe da rede de pesca.  Adora fumo, desrespeitando  as campanhas antitabagistas. Conhecedores desse vício, os pescadores atiram fumo na água para angariar a simpatia e as graças desse caboclo d'água que gosta do agrado.

Ele costuma aparecer nas casas de farinha das ilhas em noite de farinhada, comumente depois que os trabalhadores se acomodam para dormir, quando ele passeia entre os que estão adormecidos para roubar-lhes fumo e beijú.

Um pescador contou-me que pescava à noite quando percebeu um vulto de um animal morto boiando na correnteza. Remou apressadamente em direção ao animal, observando, ao se aproximar, que se tratava de um cavalo. Tentou encostar o paquete para verificar a marca ou ferro, para avisar ao dono, quando o animal afundou e, logo em seguida, a canoa foi sacudida, notando o pescador, nesse ínterim, que um nego d'água agarrado à borda da embarcação tentava virá-la.

Nesse instante lembrou-se o pescador de que trazia consigo um pedaço de fumo. Imediatamente o atirou  para o elemento que, dando cambalhotas, desapareceu no fundo das águas. Alguns dizem que existe apenas um nego d'água em todo o rio São Francisco, outros dizem que são muitos. O fato é que o nego d'água, povoa a imaginação de muitos meninos  beiradeiros e à noite raros são os meninos que se aproximam do rio.

Quanto ao nego d'água que me apareceu no canal do Guaxinim, confesso que nunca mais o ví, nem quero.
 
Nilson Machado de Azevedo


 
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DISCUTI COM UM JACU (republicação)

12 de dez de 2014



Discuti com um jacu
Que tinha a venta suada
Ele só tinha zuada
E como era linguarudo!
Apesar de ser parrudo,
Não corri da discussão
Aguentei bem a pressão
Comecei a balear
Fiz o bicho se enfezar
Pra minha satisfação.

Esse filho de uma quenga
Eu fui matando na unha
Foi mais fácil que eu supunha
E nem precisei de faca
Eu estava com a macaca
Confesso de sangue quente
Vendo o jacu impaciente
Fiz da língua meu chicote
Fiz o bruto dar pinote
Até me olhar diferente.

Os jacus de  Xiquexique
Seguirão o mesmo destino
Mulher, homem e menino
Vão deixar de comer angú
Baleando  muito  jacu
Toda essa  plebe ignara
Na cachaça enche a cara
Vindo comentar neste blog 
E chegando aqui de porre
Os Jacus vão levar vara
 

 
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Mocambo dos Ventos

9 de dez de 2014


Tua terra tem palmeiras
onde canta o sabiá
na minha mandacaru
umbuzeiro e pé de juá.





Manhã de sexta-feira. Mestre Chiquinho, numa só manobra, encostou a barca "Sereia da Ipueira" no barranco do porto do Mocambo dos Ventos. Havíamos deixado, antes do nascer do sol, a Ilha do Miradouro e o estreito do canal do Guaxinim. Já estávamos distantes do porto da Ponta das Pedras, em Xiquexique, ponto de partida e de recolhimento da âncora da nossa embarcação.

Ali no alto do barranco, debaixo de uma mangueira que resistia, inexplicavelmente, à força dos ventos e da areia que formavam as dunas, iniciávamos o ritual de pescadores, o ensaio do preparo da sapeca de peixe, ao acender o fogo  para formar a brasa  sob uma improvisada forquilha para assar os mandins, curimatás, pirás e piranhas bebas, pescados com rede de  tarrafa.

Acercaram-nos alguns nativos, moradores do Mocambo. Traziam um garrafão de aguardente, uma manta de carne de bode salgada e farinha de mandioca preparados ali mesmo ao sabor e ao sopro dos ventos.

Mestre Chiquinho não recusou  a aguardente brejeira. De minha vez,  para não fazer desfeita ao  povo do Mocambo, aceitei, também,  de bom grado, uma talagada da catuzeira,  relíquia artesanal que ainda cheirava à cana caiana dos brejos do Icatu.

Os nossos simpáticos anfitriões, orgulhavam-se em relembrar  que a localidade do Mocambo dos Ventos era de origem quilombola e  hoje habitada pelos descendentes dos escravos .

Apesar dos meus esforços em demonstrar naturalidade nativa, confundiram-me com um  turista, pois a máquina fotográfica, a bermuda estampada, o boné e os óculos escuros denunciaram-me escancaradamente. Logo eu que tenho fama, sem proveito,  de ser marxista, desde  que Marx dizia ser  Marx apesar de pintado  em cor verde-amarelo.

Nos intervalos de cada prosa, debaixo de frondosa mangueira, de cada dose de aguardente e dos sucessivos mergulhos no rio que marulhava ali em frente, contavam-me causos fantásticos envolvendo pescarias, assombrações, mistérios, lutas, mitos e lendas do Velho Chico, representando  uma identidade particular, única, dos heroicos descendentes de antigos escravos  


Um dos causos a mim narrados pelos mucambenses dizia respeito á lenda de Romãozinho.

Reproduzo, resumidamente:


Romãozinho era um menino endiabrado, filho de um casal de lavradores. O pai trabalhava de sol-a-sol na roça e romãozinho era encarregado de levar-lhe diariamente a refeição. A mãe sofria muito com as traquinagens do filho e a brutalidade do marido que a espancava por qualquer "dá cá aquela palha". Romãozinho gostava de ver sua mãe apanhar e, por isso, provocava brigas entre os seus pais.

Todos os dias que ia levar a comida para seu pai na roça, o capeta do menino comia a metade pelo caminho, razão pela qual o pai tinha sempre um motivo para espancar a mulher quando chegava em casa á noite, alegando que ela era uma pessoa mesquinha e que queria matá-lo de fome. A mulher retrucava que mandava comida suficiente e isso aumentava a raiva do marido.

Certo dia, a pobre mãe matou uma galinha e preparou a capricho, mandando-a inteirinha para o marido. Romãozinho comeu tudo no caminho e chegando ao local do trabalho, onde o pai, faminto, o esperava, apresentou-lhe apenas os ossos da galinha, disse: ela manda dizer que se contente com os ossos, pois a carne guardou para o vigário.

Mal acabou de ouvir o que o filho lhe dizia, o homem saiu como louco e, chegando em casa, matou a mulher. No momento exato em que o marido matava a esposa, o mau filho estourou, deixando atrás de si um horrível cheiro de enxofre.

Desse dia em diante Romãozinho começou a aparecer às pessoas, fazendo boiadas arrebentarem os currais, virando panelas no fogo, furando vasilhames de água e jogando pedras nos telhados das casas. Ele virou bicho aos doze anos de idade e quando toma birra com uma pessoa ela tem que se mudar de terra.

Aquela altura, depois de ouvir, atentamente, a história de Romãozinho, urgia molhar a garganta e beliscar um churrasquinho de carne de bode, ali na beira do rio. Para minha surpresa e dos demais, a cachaça e os tira-gostos desapareceram num encanto.

Ainda ouvimos uma gargalhada estridente, que ecoava na curva do rio, enquanto regressávamos  ao porto das Pontas das Pedras.

Chegamos ao anoitecer em XiqueXique.
Na Avenida J.J. Seabra,  já refeito do susto, fui induzido a fechar o corpo, com  um brinde de januária,  no bar de Manezim, rezando alguns benditos e, em especial, o Salmo Noventa e Um.

Nilson Machado de Azevedo
 
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A história verdadeira de um pescador do Velho Chico

8 de dez de 2014

In  

As primeiras chuvas anunciavam um inverno de fartura. Os umbuzeiros arrastavam os galhos pelo chão, carregados de frutos ainda verdes.  As gaivotas negras emigravam para os lugares longínquos no pé de serra e os bandos de marrecos, patos, garças e galinhas d’água voavam sincronizados, a reconhecer o terreno do alagadiço.

Zé Pequeno, nascido nos barrancos do Velho Chico, criado para enfrentar o rio, já comemorava a época das plantações que se avizinhava nos lameiros,  preparando também as suas tarrafas e redes para o momento oportuno quando as águas se derramassem pelo Vale,  adentrando o  canal do Guaxinim ao norte da ipueira que banha Xiquexique.

No Mangue Fundo e no ilhote do Pau Seco, as pescarias iniciavam-se, numa lufa-lufa de dezenas de canoas que barravam com redes a passagem dos peixes. Era abundante a pescaria. Em terra uma multidão de mulheres e crianças empunhava facas a destripar e salgar o pescado.

As pescarias realizavam-se pela manhã ou à noite e o lançamento de uma rede demandava o esforço de, pelo menos, doze homens, elevando-se algumas vezes para trinta. Dois paquetes eram conduzidos ao ponto da pescaria e dali se separavam em direções opostas quando era jogada, pouco a pouco, a rede que ia se estendendo pelas águas. Em seguida, os canoeiros remavam para as margens do rio, puxando as cordas presas nas extremidades da rede. No barranco, já postado, um grupo iniciava a puxada da rede, até fechá-la. Alguns pescadores, em suas canoas,  acompanhavam as bordas da malha até à margem sem deixar  que as curimatãs, os piaus e os  surubins escapassem. 

A família de Zé Pequeno, hoje moradora de Xiquexique, retirante da submersa   Pilão Arcado, foi, naquela época, vegetar nas famigeradas agrovilas, lá para as bandas  de Bom Jesus da Lapa, desprotegida até pelo Santo milagroso e compulsada pelas idéias populistas do entusiasmado governo militar que, naquele tempo atroz,  dos anos 70, ditava as regras da vida e da morte do povo brasileiro. Construiram a Barragem de Sobradinho com muitas promessas para os pescadores de Casa Nova, Sento-Sé , Remanso e Pilão Arcado.

No entanto, os pescadores costumavam dizer em versos que Sobradinho deu luz, mas não pariu, cantoria,  entoada pelos subversivos que enxergavam a miséria progressiva no Vale do São Francisco.

Até que sobrevieram os parreirais e a perspectiva do Baixio, frutos da  irrigação ou da imaginação!

 
Nilson Machado de Azevedo
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O último xiquexiquense em Paris

4 de dez de 2014


Paris tem glamour, também tem  mendigos, ladrões e preços altíssimos. No metrô, a situação é vergonhosa. As pessoas pulam as  catracas para viajar de graça. Até senhoras idosas tentam embarcar  no metropolitain de graça. Há batedores de carteira, há os ridículos ladrões do manjadíssimo golpe do anel e o que é pior: nos horários de pico, os ladrões mirins  avançam nas pessoas para roubarem bolsas, mochilas e o que encontrar mais facilmente nos turistas que dão “bobeira”, inclusive turistas cariocas. Isso mesmo. Cariocas. Só não vi, ainda, um xiquexiquense. Mas vejo, ali no marché aux puces, um casal cearense.

Há sempre uma confusão no metrô ou no trem. Algo patético e inacreditável pela cena indigna e risível. Hoje mesmo presenciei um roubo e um enorme tumulto.

Um policial apareceu e saiu correndo pra prender o ladrão, mas ele escapou. O sujeitinho com ares de "boneca"  fugiu gritando em francês, “Je ne suis pas pickpocket” (Eu não sou batedor de carteira). Alguns parisienses afirmam, preconceituosamente,  que os ladrões “são gente originária do Leste Europeu”.
O  certo é que os ladrões e as ladras de Paris, a maioria adolescente, se espalham correndo para todo lado, ninguém sabe quem foi o ladrão ou se falta interesse da polícia parisiense em prendê-los.

A tática é sempre a mesma dentro do metrô ou nos trens que partem do Aeroporto Charles De Gaulle, quando o turista dá vacilo ao entrar no vagão do trem com destino ao centro ou ao bairro de Saint Germain des Près, o Quartier Latin, aonde fica a Universidade de  Sorbonne. 

Tanto faz  no final da escada rolante, como  na rua ,  nos pontos  turísticos, nas varandas dos cafés e restaurantes, jovens, algumas grávidas ou crianças ainda, rodeiam o turista e criam uma situação confusa, pedem assinaturas ou pisam nos pés da vítima. A pessoa se distrai, tenta entender o que está acontecendo e quando consegue se afastar já foi roubada há muito tempo. Muitos não percebem o ato e nenhum francês intervém.

Já com relação aos preços, uma simples mochila que no Brasil custa 100 Reais, em Paris custa 400. Parece que os franceses estão desesperados por dinheiro. Coisa que não vi na Inglaterra e na Alemanha onde preços mais justos são praticados. E quanta tristeza sentir que a   "Cidade Luz", uma das maravilhas do mundo ocidental, que por sorte não foi destruída pelos nazistas de  Hitler, no final da Segunda Guerra Mundial, esteja em crise , sem fôlego para reagir contra a decadência de costumes, enquanto um conhecidíssimo político brasileiro, de ultradireita,  desfila pela Avenida Champs-Elysèes, dirigindo uma Ferrari amarela.

 Em Paris, repito, o glamour em decadência convive, lado a lado, com ladrões, mendigos e medo.

É por essas e outras experiências que angariei na França, e após três meses  de Sorbonne, concluo que não ficarei mais aqui. Somente retorno  para turismo coletivo acompanhado de brasileiros progressistas e  de curiosidade crítica.
Voltarei, enfim, para  a Bahia, mesmo que o meu retorno não tenha nenhuma semelhança com o protesto musicado em versos pungentes do compositor Paulo Diniz: “I don't want to stay here I wanna to go back to Bahia".

Está, portanto, decidido e sacramentado: Amanhã mesmo eu volto para a Bahia e, quem sabe,  estarei  anônimo em XiqueXique , como já estive este ano, quando  num barco a motor, fretado em Euros, fotografei as dunas do Icatu para uma revista francesa.. 


Nilson Machado

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As revelações de um estagiário num boteco baiano

3 de dez de 2014




Perguntaram-me, outro dia, se eu trabalho ou se vivo flauteando tal qual  um  vagante deitado numa rede à beira do mar da Bahia, de pernas para o ar ou coisa que o valha, enquanto eles, meus intrépidos questionadores, dizem que ralam à beça, dando um duro danado, para conseguir colocar o feijão com arroz em casa.
 

Feito este exórdio, resta-me revelar que na condição de estagiário de direito, trabalho igual a  um condenado em regime semi-aberto. Acordo, diuturnamente, antes do nascer do sol e ainda na alvorada vou para o escritório  onde passo algumas  manhãs, tardes e  noites, a depender do horário das aulas na faculdade, colhendo no computador jurisprudências para o arrazoado do chefe do escritório.

Rotineiramente o chefe nos avisa que será implacável se, porventura, algum  estagiário deixar de lhe inteirar  sobre prazo processual  prestes a ser vencido.  Na hipótese, teremos o olho da  rua como  a aplicação da pena mais branda, além da implementação de  acessórios  decorativos de todos os brocardos jurídicos publicados em latim ou mesmo em português arcaico.

Aprenderemos, também, pela interpretação analítica, a intransparente teoria do "domínio do fato", lançada em segunda mão  pelo aposentado Dr. Quinca Barbosa, que não passou no exame da OAB, porque a ele não se submeteu, mas recebeu, mesmo assim,  a cobiçada carteira de advogado.

Nós estagiários  jamais perdemos  prazos processuais aqui neste escritório de famosos juristas baianos, tanto é que no dia de Santo Ivo, que este ano caiu numa sexta-feira 13  à noite, bem assim  em todo 11 de agosto de cada ano, estamos a comemorar, num boteco no Largo do  Campo da Pólvora, que fica defronte ao vetusto Forum Rui Barbosa, bebendo batida de limão e comendo galinha de molho pardo  aprontada pela bela afro-greco-baiana Têmis, no intuito de que esqueçamos,  momentaneamente, do Vade-Mecum e das doutrinas que nos perseguem.

 
Nilson Machado de Azevedo
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O MONSTRENGO DE XIQUEXIQUE (republicação)

2 de dez de 2014



As feridas urbanas estão expostas a traumatizar a estética desta cidade que um dia, perdido no tempo, foi esconjurada pelo Padre Francisco Sampaio, quando, no inicio do Século XX, foi ele escorraçado de XiqueXique,  embarcado, na marra, numa canoa furada pelo fato de  haver enfrentado de peito aberto os "coronéis" xiquexiquenses  em razão desse religioso  defender o povo humilde e carente da sua paróquia.

Em XiqueXique há feridas,  em forma de muralha,  com ardentes sintomas na orla fluvial. O monstrengo de concreto que se ergue desafiador, sem enfrentar a clava forte, sufoca com  os fluidos de ácido úrico e coliformes exteriorizados pelo metabolismo humano, despejados nas quinas sombrias do famigerado “cais”, num premente estado de necessidade sem corar as impúdicas faces dos agachados.

A ocupação comercial dos buracos que se abrem sob o muro, foi planejada e permitida por algum artista, surreal, “urbanista”, cuja obra impunemente erguida é de causar náuseas, pelo mau gosto estético e odor, para aflição dos escultores Joan Miró e  Salvador Dali, daqui e de alhures,  ora citados, pretensiosamente, em homenagem à linguagem eufêmica.

Quem sabe se  um dia, também perdido no tempo, será apagada  de XiqueXique a idade das trevas que insistentemente turva o céu da Ipueira, para dar  lugar ao renascimento do cais.

Com a fé que não me costuma falhar,  creio que nesse  dia de hosanas e louvores, o poluto monstrengo, objeto de olhares assimétricos dos viajantes que porventura nos visitam, será expurgado das margens da Ipueira, ao som do Réquiem de Wolfgang Amadeus Mozart.


Nilson Machado de Azevedo






 


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Nascente do Rio São Francisco secou, diz diretor de parque

23 de set de 2014

A principal nascente de toda extensão do Rio São Francisco secou, afirmou nesta terça-feira (23) o diretor do Parque Nacional da Serra da Canastra, Luiz Arthur Castanheira. Segundo ele, o motivo foi a estiagem. "Essa nascente é a original, a primeira do rio e é daqui que corre para toda a extensão. Ela é um símbolo do rio. Imagina isso secar? A situação chegou a esse ponto não foi da noite para o dia. Foi de forma gradativa, mas desse nível nunca vi em toda a história”, afirmou. O rio, que tem 2,7 mil km de extensão, nasce em Minas Gerais e escoa no sentido sul-norte pela Bahia e Pernambuco, desaguando na divisa entre Alagoas e Sergipe. De acordo com o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), Anivaldo Miranda, explicou que a nascente que secou não é determinante para o volume de água na bacia, mas serve como “termômetro”, uma vez que o nível dos reservatórios da região é fundamental para o rio. A estiagem deste ano ocorre em todo o país a vários meses e, segundo os meteorologistas, não deve acabar tão cedo. Dados da empresa Climatempo apontam que a tendência é que na primavera a temperatura a temperatura fique de 2ºC a 3ºC acima da média nas regiões Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste. No Sul, a temperatura pode ficar até 3ºC acima da média. Segundo a previsão, o período de chuvas deve começar apenas em outubro deste ano. Informações do G1.

Bahia Notícias
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A FESTA DA PRIMAVERA

14 de set de 2014




Não escrevi estas mal digitadas linhas no mês de agosto, porque o meu lado supersticioso sempre aflora,  a exigir severo  recolhimento.  

Minha sorte está lançada.

Os fantasmas de agosto surgiam em nuvem de poeira formada pela ventania que a todos atingia e cercava na subida da Avenida J.J. Seabra quando a gravidade impunha e estatelava no chão, ainda sem paralelepípedos, muito pau d’água, cachaceiros contumazes de todos os gêneros, raquíticos de todas estirpes, além dos estudantes do Cézar Zama e do Senhor do Bonfim, desafiantes dos redemoinhos que zuniam  na famosa e resplandecente avenida xiquexiquense do final dos anos sessenta.

Com arraigada mania de pescar, sobrevivi, num mês de agosto, a um naufrágio de paquete nas imediações da Ilha do Paulista, quando o vento, que soprava  desde as dunas do Icatú, enfurecido por Eólo, partiu o mastro da pequena e rústica embarcação arrastando-a  para o  fundo do rio.

Nas ditas circunstâncias, a esperança sempre se  descortina com o alvorecer do mês de setembro, a rememorar as festas da primavera em Xiquexique.

Foi numa festa da primavera que os professores do Colégio Municipal Senhor do Bonfim destacaram  alguns alunos para homenagear  a estação primaveril, tendo como sugestivo  tema as plantas, flores e frutos.

Foi armado um palanque na Praça Dom Máximo.

Cada aluno, escalado, haveria de representar,obviamente,as plantas, flores e frutos, conforme o roteiro  que lhes fora destinado a protagonizar:

“Eu sou a Rosa, a rainha das flores, que perfuma todos os jardins da cidade” declamava um linda cabrochinha da 7ª série.

“Eu sou o Milho e tenho mil e uma utilidades”,  discursava um colega, o primeiro da classe.

“Represento o Feijão, a riqueza da nossa região” rimava outro colega.

Todos, compenetrados, incorporavam os produtos nobres, desempenhando o papel individualizado da nossa flora.

Sobrou pra mim, no entanto, o script de um personagem que ninguém queria explanar, conquanto, soube depois, foi usado até  nepotismo para que os alunos privilegiados deixassem de interpretar a planta que me coubera por exclusão. Aquilo valia nota. Criei ânimo e com coragem subi na ribalta.  Fantasiado da planta que eu incorporava na condição de  artista coadjuvante,  segurei firme o microfone balanceado pelo radialista e sonoplasta Mário Velho, tomei a palavra e bradei com altivez:

-Eu sou o FUMO! Ataco os ricos, ataco os pobres, desde os baixos operários aos altos milionários. Ataco o pulmão, o cérebro e o cerebelo, ataco as fossas nasais que é o nariz, que quando o fumante vai dizer bolacha, só pronuncia “munacha".

Nesse ínterim, uns  gaiatos que assistiam a cerimônia, cairam na risada e nos apupos. No microfone, já cortado o som, mandei todo mundo para o devido lugar, resultando-me uma repreensão do diretor do colégio e vermelho no meu boletim no item comportamento.

Desse dia em diante, desisti de ser ator.

Nilson Machado de Azevedo






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Paulo Souto e Ruy Costa em Xique-Xique, quem ganha e quem perde?

13 de set de 2014

O final de semana foi movimentado em Xique-Xique, onde dois candidatos ao governo do Estado, Paulo Souto e Ruy Costa marcaram presença. As disputas, no entanto, vão além da campanha estadual e federal, movimentando as peças do xadrez político de olho no futuro. Mas quem ganhou e quem perdeu?

Tentando mostrar força o ex-prefeito Reinaldo Braga Filho tentou liderar a vinda do candidato ao governo do Estado Paulo Souto a Xique-Xique, mas a primeira visita pessoal de Souto no município foi ao maior adversário do grupo Braga, o Vice-prefeito Dr. Lula, que ao lado de vereadores e lideranças políticas, recebeu o candidato Souto, confirmando seu apoio.

Dr. Lula, também cobrou, que se eleito fosse, o governador tenha compromisso com Xique-Xique e que priorize as necessidades mais urgentes, como saúde, abastecimento e segurança, que tivesse também como prioridade a construção da estrada que liga Xique-Xique a Sento Sé passando pelo Baixio de Boa Vista e que invista nesta terra que tem grande potencial para ser um polo de desenvolvimento para toda micro Região.

Enquanto Dr. Lula conversava com Souto na sua residência, o ex-prefeito olhava do meio da rua, sem poder entrar, pois correligionários de Lula protegiam a entrada, onde Reinaldinho não seria bem vindo, uma vez que ele nunca teve respeito aos adversários, usando sempre as rádios e redes sociais para atacar, xingar e denegrir a imagem de várias famílias xiquexiquenses, por questões políticas.

Além destes vexames, o povão não compareceu ao chamado de Reinaldinho para o encontro com o candidatado a governo, mostrando que, sem o poder da prefeitura e com a imagem manchada depois de ser condenado pelo TCM a devolver cerca de R$ 2.000.000.00 aos cofres públicos, o grupo Braga que tem o pai de um lado e filho do outro, numa velha e conhecida manobra política de uma vela pra “deus” outra pra o “diabo”, perde força no município.

Paulo Souto, no entanto, deve recuperar boa parte da sua votação em Xique-Xique depois da última eleição, pois, além do atual governo ter prometido muito sem cumprir, traiu seus aliados, perdendo gente da linha de frente, e isso deve refletir no resultado das urnas, apesar do evento regional promovido em Xique-Xique pelo seu adversário mais potencial, Ruy Costa, que no dia 12/09 fez grande carreata.

No frigir dos ovos, a grande luta eleitoral no município neste momento é visando à eleição de 2016, onde cada um tenta mostrar a sua força e importância. O atual prefeito Dr. Ricardo fez o dever de casa no evento de sexta. O vice Dr. Lula, menosprezado pelo governo, foi valorizado e recebeu em sua residência o candidato Paulo Souto que lidera neste momento as pesquisas na Bahia. Já o ex-prefeito Reinaldo Braga Filho, não deve estar muito feliz, pois, além de não conseguir mobilizar o povo, apesar do apelo pessoal nos carros de som e convites impressos, percebeu que Souto, caso ganhe a corrida eleitoral, governará com todos os aliados em Xique-Xique, como fez no passado com Magalhães e Braga, sem valorizar uns em detrimento de outros, mesmo por que, a campanha de Souto no município têm o apoio de outras lideranças políticas, além do ex-prefeito.
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Vote nas lágrimas de Marina e quem vai chorar por último será você

A candidata Marina Silva deflagrou, neste sábado, uma nova estratégia política; quer vencer as eleições de 2014 com uma nova arma: suas lágrimas


A eleição presidencial começou mesmo em 13 de agosto último, nem duas horas após o anúncio da morte de Eduardo Campos – o irmão dele já se oferecia para ser vice na chapa de Marina Silva, quem, no mesmo dia, já começava a fazer seus cálculos políticos.


A partir dali, a mídia transformou Marina em viúva-honorária do falecido. Durante mais de uma semana, TV, internet, rádio, revistas, jornais e o que mais se puder imaginar inundaram a sua vida, leitor, com imagens da viúva política de Campos ostentando expressão de dor que só ela sabe afetar.

E, de quebra, vestindo preto.


Por alguma razão, Globo, Folha, Veja e Estadão acreditaram que a disparada de Marina se daria às custas dos votos de Dilma e não dos de Aécio, porque a pessebista seria “de esquerda” como a petista.





Marina, porém, como foi previsto aqui tantas vezes, tornou-se problema imediato de Aécio, não de Dilma. Assim, tal qual vampira sugou os votos do tucano até deixá-lo literalmente exangue, eleitoralmente.

Fico só imaginando a cara desses apalermados da mídia corporativa ao perceberem o tiro de bazuca que haviam dado no próprio pé.

Eis, então, que, confiante na estupidez do eleitorado, a mídia desanda a espancar aquela em quem ainda não confiava – justamente por caírem na dela e acreditarem-na “de esquerda” –, na esperança de ressuscitar o tucano abatido em voo baixo.

Volto a ver, em pensamento, a expressão abobalhada que se estampou nas fuças dos “doutores” em tudo que infestam a imprensa brasileira.

Agora, os “geniais” apalermados e abobalhados barões da mídia tiveram mais um plano infalível: transformar em agressão torpe, baixaria, golpe abaixo da cintura Dilma meramente travar o debate político sobre as propostas vacilantes da adversária.

Querem impedir que Dilma reaja ao que fez Marina no debate da Band, que aconteceu não faz nem um mês, quando a verdinha espancou os dois principais adversários enquanto estes se encolhiam ante a agressão de alguém recém-canonizada.

Apesar dos fatos sobre quem começou a troca de críticas, a capa da Veja desta semana e as da Folha de São Paulo dos últimos dias inventaram uma santinha esmagada pela truculência de uma Dilma mostrada como destemperada, covarde e todos os outros adjetivos necessários à caricatura.

Será que vou precisar resgatar a montanha de matérias da própria grande mídia reconhecendo que quem começou a pancadaria foi Marina no debate da Band ou a mídia golpista de direita prefere reconhecer já que Marina chorar agora por simplesmente ser criticada, logo após ter partido para cima dos que só revidam, não passa da mais pura vigarice? Sim, Marina quer colocar suas próprias lágrimas a serviço de uma estratégia política.



Quão trouxa é o eleitorado brasileiro? Já se viu que não tanto quanto pareceu no momentum da passagem de Eduardo Campos.

Aos poucos, as pessoas foram se posicionando – mais rapidamente no lado de Marina e mais lentamente no lado de Dilma –, e o país se dividiu em igualdade de partes. Como se disse aqui tantas vezes, esta eleição será decidida por margem exígua, talvez por uma casa decimal.

Nesse quadro, a eleição pode caminhar para uma loteria. Afinal, há muito trouxa no Brasil capaz de votar em lágrimas ou em viúvas de araque que chegam a fazer “selfie” sobre o caixão do “cônjuge” recém-saído desta para melhor.

Se o pior suceder, se ficar provado que a maioria do povo brasileiro é composta por trouxas e se, assim, os trouxas vencerem a eleição presidencial, quem irá chorar por último serão eles. Muito poucos irão ganhar em um governo de banqueiros e barões da mídia.

.Dá pra entender? Marina rir no velório  e chorar no palanque ... !
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