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Segurança falha e Dilma poderia ser assassinada por psicopatas

5 de jul de 2015


Os últimos atos dessa ópera bufa, desse filme de horror que é a ascensão do fascismo que desmorona sobre a nação dia após dia, com virulência crescente e cada vez mais “criativa”, têm ao menos um mérito: revelar que, do jeito que está, não pode continuar.

Se você, leitor, achou que o suprassumo de bestialidade foram os adesivos pornográficos agredindo, de forma psicótica e degenerada, não a primeira mandatária da nação, mas todas as mães, esposas, irmãs e filhas deste país, os fatos trataram de mostrar que o fundo do poço não foi atingido.

No hotel em que Dilma Rousseff se hospedou nos Estados Unidos, durante encontro com o presidente Barack Obama, um dos seguidores psicóticos de Jair Bolsonaro e de outros como ele conseguiu se Infiltrar, facilmente, na comitiva da presidente.

O tal Igor Gilly Teles interceptou Dilma e sua comitiva e passou a insultar a presidente e seu grupo, enquanto se dirigiam a algum compromisso em solo norte-americano: “ladra, assassina, terrorista e comunista de merda”.

Discordo de quem pregou agressão da comitiva ao moleque endinheirado que, obviamente, quis aparecer. Bastaria tê-lo retirado do local, entregando-o às autoridades norte-americanas, já que estava ameaçando uma chefe de Estado.

A questão, porém, não é essa. Para os que fazem adesivos pornográficos e insultam de forma descabida a mulher que preside a República, existe a Justiça. Basta processar. E processar é preciso, porque esse tipo de comportamento, contra qualquer pessoa, afronta a lei.

O que é inaceitável, no que aconteceu, é constatar que a presidente da República Federativa do Brasil não tem esquema de segurança.

Aliás, a falha da segurança de Dilma é pior por ter ocorrido nos Estados Unidos do que teria sido no Brasil, pois estando em solo estrangeiro, sobretudo em um país famoso por sofrer atentados terroristas, sua segurança deveria ser ainda mais reforçada, pois a imprevisibilidade do que pode ocorrer é maior.

Como cidadão, declaro-me assustado com a inépcia da segurança da governante do meu país. Dilma Rousseff estava nos Estados Unidos representando 200 milhões de Brasileiros. Portanto, repito: como Cidadão, sinto-me inseguro ao ver que a responsável pelos destinos de meu país passou por tal situação de ameaça.

A tranquilidade com que o agressor agiu revela, para espanto de todos, que ele poderia estar portando uma arma e teria tido todas as condições de tirar a vida da presidente da República. O relato de como o meliante agiu, feito por ele mesmo, com orgulho, em entrevista à imprensa, mostra a irresponsabilidade da segurança da presidente:

Fui de andar em andar no hotel procurando ela. Como eu fiz: eu ia no primeiro andar e colocava o ouvido de porta em porta para ver se eu ouvia a voz dela. E nisso eu acabava ouvindo vozes do pessoal da comitiva dela, falando em português, eu procurando a voz dela. Fui de porta em porta, andar por andar. Imagina, o hotel mais luxuoso de São Francisco é imenso, parece um castelo, e eu fui de porta em porta, todos os quartos, demorei uma hora e meia pelo menos tentando ouvir a voz da Dilma

Quanto tempo irá demorar para que outro psicopata decida que já que “todos” odeiam Dilma cumpre-lhe aproximar-se dela e meter-lhe um tiro na cabeça?

A escalada de ódio não para. A cada dia, surge uma agressão pior do que a outra. Nesse processo, quando o abuso mais impensável for cometido, só restará o abuso final, o recurso à violência física, já que nenhum abuso moral parece ser suficiente para esses psicopatas.


Se o Brasil fosse um país civilizado deveria ser aberta uma investigação sobre a falha de segurança que expôs, de forma inaceitável, aquela que o Brasil, democraticamente, elegeu para governá-lo. E os responsáveis deveriam ser exemplarmente punidos.

Agências de Notícias
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Preconceitos contra Dilma e Maju são repudiados pela OAB e governo

4 de jul de 2015



A jornalista e a presidente da República sofreram ataques raciais e sexistas

 


O tempo fechou  nesta sexta-feira em praticamente todo o território brasileiro. A causa apontada foi uma onda de racismo, sexismo e preconceitos de toda a sorte que começou na noite de quinta-feira e atingiu em cheio a apresentadora da Rede Globo, jornalista Maria Júlia Coutinho justamente em 3 de julho, o Dia Nacional de Combate à Discriminação Racial.

Pelas redes sociais, na página da internet do Jornal Nacional, cerca de 50 mensagens racistas ofenderam a apresentadora. A tempestade de crimes, no entanto, durou pouco. Rapidamente, uma massa de internautas saiu em defesa de Maju, apelido da jornalista que conquistou os telespectadores com carisma e simpatia.

A reboque da reação popular, o Ministério Público do Rio de Janeiro, por meio da Coordenadoria de Direitos Humanos, solicitou à Promotoria de Investigação Penal que acompanhe o caso, com rigor, junto à Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI).

O presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB, Marcelo Dias, lamentou o ocorrido e lembrou que o episódio não foi “apenas um fato isolado”, mas trata-se de um caso recorrente no país ainda marcado pelos séculos de escravidão.

“Estamos numa escalada de ódio racial avassaladora. Na próxima segunda, teremos uma reunião na OAB para decidir a melhor estratégia a usar. Infelizmente as polícias estão muito morosas nestes casos. É preciso dar um basta”, disse Marcelo Dias. O ativista Ivanir dos Santos também protestou e pediu às autoridades que aproveitem a repercussão do caso para tomar medidas exemplares na punição aos criminosos.

“O governo sabe o que tem de fazer. A Polícia Federal sabe o que tem de fazer. Chega de acharmos que é tudo brincadeira, tudo piadinha, tudo ironia. Estas pessoas precisam responder por estes crimes. Racismo é crime”, disse Ivanir.

À noite, no Jornal Nacional, a apresentadora comentou o lamentável episódio com a simpatia habitual e também pediu providências às autoridades, para que este tipo de comportamento seja extinto no país.
“Infelizmente, eu já lido com isso (racismo) desde que me entendo por gente. Sei dos meus direitos e acho que estas medidas têm de ser tomadas para evitar novos ataques não apenas a mim, mas também a outras pessoas. No entanto, queria dizer a estas pessoas que os comentários racistas ladram, mas a caravana passa”, disse Maju, prevendo um tempo melhor para ela própria a partir de agora.

Adesivos que humilham presidente serão investigados

A onda de preconceito racial, intolerância e sexismo atingiu a presidente Dilma Rousseff. Um adesivo ofensivo com uma montagem da presidenta de pernas abertase colocado nos tanques de gasolinas dos carros causou polêmicas nas redes sociais e revolta no governo federal, aliados e opositores.
A ministra Eleonora Menicucci, da secretaria de Política para as Mulheres, encaminhou uma denúncia ao Ministério Público Federal e ao Ministério da Justiça, com o objetivo de investigar e responsabilizar quem produz, divulga e comercializa os adesivos.


“É intolerável o material. Ele fere a Constituição ao desrespeitar a dignidade de uma cidadã brasileira e da instituição que ela representa, para a qual foi eleita e reeleita democraticamente”, destacou a ministra Eleonora.

Universidade Federal do Rio de Janeiro-URFRJ  mostra desigualdade racial no país

A UFRJ divulgou recentemente um Relatório das Desigualdades Raciais no Brasil, que aponta o e agravamento das diferenças entre negros e brancos. O estudo mostrou, por exemplo, que a probabilidade de um homem negro ser assassinado é mais do que o dobro se comparado a de um branco.

Entre as mulheres, a morte por homicídio entre as negras é 41,3% maior à observada entre as brancas.
A esperança de vida da população negra segue inferior à da população branca. Entre os homens o indicador não passou de 66 anos Já entre os brancos, chega a 72 anos. No estudo com as mulheres, a esperança de vida entre negras foi de 70 anos, abaixo dos 74 anos das brancas. A pesquisa também mostrou que o nível de escolaridade dos brancos ainda é muito maior do que entre os negros.

Glória Maria defende Maju

A jornalista Glória Maria, também da Rede Globo, e que apresentou os principais programas da emissora nas últimas décadas, saiu em defesa de Maria Júlia Coutinho. “O que eu digo para a Maju é que ela vá em frente e não desista nunca, porque é isso que os racistas querem, que a gente fraqueje e desista. Mas que ela fique mais forte com essa experiência e siga adiante”, disse Glória Maria à coluna de Bruno Astuto, da Revista Época.

A apresentadora contou que também sofreu racismo durante os dez anos em que apresentou o Fantástico, também da Globo. “Recebia os comentários por cartas e emails. Não era público e atingia a minha alma e meu coração. Hoje atinge o Brasil. A diferença é essa. Eu tinha que aguentar o tranco sozinha. Isso que ela está vivendo é a normalidade do brasileiro”, disse.

Com informações de "O DIA"
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Senador do DEM goiano estreia em jornal paulista pregando a própria mesmice

Um dos defensores da ruptura da ordem democrática na Presidência da República, Ronaldo Caiado (DEM-GO) estreou sua coluna na Folha de São Paulo neste sábado, 4, no lugar da ministra Kátia Abreu (PMDB); Caiado classifica como "gestão bolivariana dos governos do PT", período em que a produção de grãos do País alcançou a marca de 200 milhões de toneladas em 55,3 milhões de hectares plantados e defende a saída da presidente Dilma Rousseff; "Precisamos abraçar um projeto para tirar o país da crise e promover uma correção de rumos. Para isso, defendo a realização de uma nova eleição para a Presidência da República"; espaço destinado à Agricultura vira palco para golpismo

 


O senador Ronaldo Caiado (DEM), líder do DEM no Senado, estreou sua coluna a Folha de S. Paulo neste sábado, 4, pregando a ruptura da ordem democrática na Presidência da República. 

O espaço dado a Caiado pelo jornal de Otávio Frias Filho deveria ser destinado à discussão de assuntos relacionados à Agricultura, antes ocupado pela senadora e atual ministra da Agricultura, Kátia Abreu (PMDB). 

Caiado, entretanto, afirma que o "PT tirar dos brasileiros a maior conquista de todos os tempos, que é o Plano Real". "Com a volta da inflação, vamos retroagir aos anos de 1990, quando o setor se endividava com créditos reajustados por taxas e indexadores, as famosas letrinhas. Para exemplificar, ao final do ano agrícola, o produtor contraía um empréstimo equivalente a 10 mil sacas de milho, mas na colheita devia 50 mil sacas", afirma. 

Caiado classifica como "gestão bolivariana dos governos do PT", período em que a produção de grãos do País alcançou a marca de 200 milhões de toneladas em 55,3 milhões de hectares plantados. 

"Não cabe a mim, como senador da República, apenas diagnosticar o óbvio e se preocupar com o que possa acontecer, mas sim trabalhar no sentido de antecipar os fatos, mobilizar a classe política, o setor produtivo e a sociedade para o momento que vivemos: a total ingovernabilidade, com a presidente Dilma Rousseff, sem nenhuma credibilidade, atingindo o mais alto patamar de rejeição desde a redemocratização", afirma. 

"Precisamos abraçar um projeto para tirar o país da crise e promover uma correção de rumos. Para isso, defendo a realização de uma nova eleição para a Presidência da República", prega Caiado. 

Leia aqui a íntegra da coluna de Ronaldo Caiado.
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Pequeno tratado sobre a independência dos Estados Unidos da América do Norte



A democracia norte-americana, pregada pelos EUA como modelo de política e liberdade para o mundo, é na verdade uma falsa democracia. Descobrimos este fato pelo estudo do desenvolvimento econômico norte-americano através do tempo.
No século XVII, capitalistas e aristocratas ingleses invadiram e ocuparam a América do Norte para explorá-la lucrativamente. Expulsaram os índios do litoral e nele organizaram várias colônias. Nas colônias do norte e do centro, onde havia clima favorável, os ingleses instalaram a produção mercantilista baseada no trabalho artesanal e no assalariado, financiada pelo capital bancário da metrópole. Nas colônias do sul, o clima quente e tropical favorecia apenas a agricultura de plantation. Então, os ingleses instalaram a produção agrícola exportadora baseada na mão-de-obra escrava.


A colonização baseada na propriedade privada dos meios de produção desenvolveu uma sociedade colonial dividida em quatro classes. Duas delas ricas e privilegiadas: a aristocracia agrária, formada pelos senhores de escravos das colônias do sul, e a burguesia mercantilista formada pelos banqueiros, armadores, donos de manufaturas, comerciantes e burocratas do norte e do centro. As duas outras classes eram pobres e exploradas. Eram elas: a dos trabalhadores livres, formada por assalariados, artesãos e pequenos agricultores, e a dos escravos, composta de africanos cativos. A aristocracia enriqueceu explorando os escravos e a burguesia enriqueceu explorando os trabalhadores livres. Tudo era feito em sociedade econômica e política com as altas classes da metrópole (Pacto Colonial).
Mais tarde, em 1776, a crise financeira e a industrialização da Inglaterra causaram a separação dos negócios. Os sócios ingleses mudaram arbitrariamente as regras do Pacto Colonial para obrigar as colônias a financiar as dívidas da guerra com a França e para viabilizar o seu novo negócio, a indústria. Criaram pesados impostos sobre pessoas e mercadorias e também monopólios que impediam a liberdade de comércio. Prejudicados em seus negócios, os sócios coloniais (aristocratas e burgueses) desfizeram a sociedade com a Inglaterra, proclamando a independência. Os sócios ingleses responderam com as armas.
Na verdade, a independência dos EUA não foi um movimento democrático popular, mas sim a luta da minoria de ricos colonos pela sua própria riqueza e pela liberdade econômica. As massas trabalhadoras, maioria da população colonial, continuaram dependentes ou escravizadas, pobres e excluídas das decisões políticas. As evidências deste fato são apresentadas em História da Riqueza do EUA, de Leo Huberman, que explica como os congressos que decidiram fazer a independência, a guerra para expulsar os ingleses e os empréstimos para financiar tudo, eram formados por delegados da burguesia e da aristocracia coloniais eleitos pelo voto censitário masculino (direito de votar e ser votado apenas para homens com boa renda anual). Colonos de baixa renda, mulheres e escravos foram excluídos.

A república aristocrático-burguesa
A formação do Estado Nacional norte-americano seguiu o mesmo processo antidemocrático. Cada colônia foi transformada em estado soberano por congressos locais eleitos e unidos pelas classes ricas. Do mesmo modo, foram eleitos os representantes dos 13 estados e reunidos em um congresso aristocrático-burguês, o Congresso de Filadélfia, que em 1777 criou os Estados Unidos da América: uma confederação de 13 estados soberanos representada pelo congresso unicameral.
Depois de expulsar os ingleses, as classes ricas passaram a ter sérios problemas. As dívidas da guerra da independência causaram grave crise financeira. O excesso de autonomia política, econômica e monetária produziu uma crise econômica generalizada. Huberman explica que os agiotas aproveitaram-se da situação e a miséria do povo americano cresceu.

Arruinados pelas crises e pelos agiotas, os trabalhadores e os pequenos proprietários fizeram levantes armados em vários estados. Um desses levantes, o de Shays (1786), no Estado de Massachusetts, foi particularmente perigoso porque defendeu a idéia da propriedade comum. Alarmadas, as altas classes tentaram controlar a situação, mas a precária confederação mostrou-se incapaz. Então os ricos passaram a clamar por um novo tipo de estado.
Em 1787, reuniu-se uma convenção para organizar o novo estado. Huberman denuncia que os 55 delegados dessa convenção eram banqueiros, acionistas, comerciantes, fabricantes e senhores de escravos reunidos em segredo e a portas fechadas.
As divergências entre os dois modos de produção dominaram os trabalhos. A burguesia era contra a soberania dos estados porque esta travava a livre circulação de mercadorias, impedindo o funcionamento dos seus negócios. Seu objetivo era acabar com qualquer barreira à livre circulação das mercadorias e integrar os estados para organizar o comércio interno. Por isso os burgueses defendiam a formação de uma federação, que é um tipo de estado formado pela união de estados com limitada autonomia em torno de um poder central, forte, centralizado e soberano. Segundo Delgado de Carvalho, em sua História Geral, essa burguesia organizava-se no Partido Federalista (Partido Republicano de hoje). Eram liderados pelo rico advogado Alexandre Hamilton e pelo general George Washington. Seguiram o liberalismo inglês.

A aristocracia agrária não queria a diminuição da autonomia estadual porque perderia o controle político e econômico dos estados do Sul, essencial para manter seus negócios. Sua produção agroexportadora escravista e dependente dos mercados externos dava altos lucros. Exportava algodão e tabaco e importava produtos industrializados ou manufaturados da Europa e escravos das Antilhas. Não precisava de comércio interno nem de integração econômica. Por esse motivo defendia a formação de uma república onde os estados tivessem ampla autonomia. De acordo com Delgado de Carvalho, os aristocratas organizavam-se no Partido Republicano-Democrático (Partido Democrata de hoje), sob a liderança de Thomas Jefferson, seguindo ao mesmo tempo o liberalismo francês e a fisiocracia.
O resultado da luta política entre aristocratas e burgueses foi uma constituição de artigos que atendeu aos interesses comuns das duas classes, os quais eram: 1 – A propriedade privada; 2 – a liberdade individual formal; 3 – a liberdade econômica (liberalismo); 4 – moeda única para todos os estados; 5 – um exército permanente para esmagar os levantes das massas trabalhadoras e rebeliões dos escravos, lutar contra nações concorrentes, guardar as fronteiras (terras de especuladoras) e guardar a propriedade privada; e uma Marinha de guerra para auxiliar o Exército e proteger o comércio marítimo. Interesses divergentes, como o tipo de estado, tiveram de ser conciliados. Foi adotada a República Federativa para atender à burguesia, e a República para atender aos aristocratas.
O mesmo aconteceu com a organização econômica. Foram estabelecidos os estados livres, em que a base da economia era o trabalho artesanal ou assalariado, e os estados escravistas (no sul), onde a base da economia era o trabalho escravo.
Segundo estudos de Huberman, para que as pessoas com pouca ou nenhuma propriedade tivessem pouco poder, burgueses e aristocratas estabeleceram o seguinte esquema: primeiro dividiram o governo em três partes – uma parte legislativa, formada pelo Congresso dos Estados Unidos, dividido em duas câmaras, Senado e Câmara dos Representantes Estaduais; uma parte executiva, formada pela Presidência dos Estados Unidos; e uma parte judiciária, formada pela Suprema Corte dos Estados Unidos.
Depois, estabeleceram que o povo elege diretamente apenas a Câmara dos Representantes Estaduais. Cabe aos representantes estaduais eleger os senadores e escolher os eleitores do Colégio Eleitoral. O Colégio Eleitoral elege o presidente dos Estados Unidos, que tem mandato de quatro anos. O presidente escolhe os membros da Suprema Corte, que têm mandato vitalício. A Constituição dos Estados Unidos da América entrou em vigor nacionalmente em 1788, após tumultuada notificação dos 13 estados. Ela é um dos maiores exemplos de falsificação da democracia e da liberdade.
Para coroar sua vitória sobre as ameaças à propriedade privada e aos seus negócios, em 1789 as classes ricas unem-se para eleger George Washington (Partido Federalista) o primeiro presidente. Quase meio século depois, o abolicionista William Lloyd Garrison propôs que a Constituição dos EUA fosse queimada porque, segundo ele, ela perpetuava a escravidão.



Os senhores do dinheiro contra os senhores dos escravos
A luta de classes logo transformou a república aristocrático-burguesa dos EUA em cavalo de batalha das classes proprietárias. A burguesia do Norte tirava a sua riqueza do modo de produção capitalista de mercadorias. Mas essa liberdade era travada pelo modo de produção do Sul, baseado no trabalho escravo e na terra. Então, as duas classes passaram a usar o Estado para lutar uma contra a outra, prejudicando o povo.
O primeiro governo de Washington foi tumultuado pela rivalidade entre o secretário de Estado, Thomas Jefferson (Partido Republicano-Democrático), que usava o cargo para os negócios de agroexportação dos aristocratas, e o secretário do Tesouro, Alexander Hamilton (Partido Federalista), que usava o cargo para os negócios da burguesia. Esse tipo de política arruinou a maioria do povo, que se revoltou, mas foi rapidamente derrotado.
Nos anos seguintes, o Partido Aristocrático usou o Estado para comprar os territórios da Luisiânia e da Flórida, para onde expandiram a produção agroexportadora escravista. A burguesia respondeu com a expansão dos seus negócios para o Oeste, usando a mão-de-obra barata do proletariado das cidades do norte, invadindo e incentivando a invasão das terras dos índios por garimpeiros, caçadores de peles e agricultores arruinados.
Depois, sobre as terras roubadas, construíram estradas de ferro ligando o Oeste ao Norte para fazer circular as mercadorias. Por volta de 1850, já não havia terras para onde expandir, o que agravou o conflito. Reorganizados desde 1836 no Partido Democrata, os aristocratas dividiram o controle do Estado com os burgueses até 1860, quando o novo partido burguês, o Republicano, elegeu Abraham Lincoln e implantou o programa burguês de integração econômica. Aprovou taxas que beneficiavam os negócios da burguesia e prejudicavam a produção agrária e iniciou o projeto de libertação dos escravos.
Em minoria, os aristocratas responderam com um golpe. Separaram os estados sulistas dos EUA e com eles formaram seu próprio estado (os Estados Confederados da América), para manter a produção escravista. O resultado foi a explosão de uma guerra civil. A burguesia mobilizou os estados do norte e do oeste (a União), os abolicionistas e o proletariado para destruir a Confederação. Durante cinco anos, os confederados lutaram encarniçadamente, porém como eram dependentes da importação de armas e munições foram bloqueados pela Marinha de Guerra construída pelos estaleiros burgueses e destruídos pelas armas fabricadas pela indústria burguesa.
A vitória do capitalismo industrial na Guerra Civil Americana destronou a aristocracia sulista e transformou os EUA numa república burguesa. Tal vitória custou ao povo americano 617 mil mortos, 8 bilhões de dólares em despesas de guerra, destruição da economia do Sul e milhares de desempregados e desabrigados (principalmente escravos “libertados”).
 
Onde está a democracia dos EUA?
Segundo os estudos de Lênin para o livro Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo, a economia norte-americana desenvolveu monopólios que são minorias de grandes empresas organizadas em trustes e cartéis para controlaram sozinhas toda a matéria-prima e para impor suas mercadorias e seus preços. Os donos dos monopólios são um pequeníssimo número de burgueses.



A tirania econômica monopolista desenvolveu a tirania política imperialista. Os donos dos monopólios norte-americanos organizam-se em partidos burgueses, como o Republicano, para controlarem o Estado. Com isso, passam a dominar a economia e a nação para sugar suas riquezas. Depois, usam o estado para dominar outras nações e extrair matérias-primas e demais riquezas. Para isso, endividam essas nações, compram seus políticos e seus governos fantoches.
De 1870 a 1980, os EUA derrubaram dezenas de governos eleitos e instalaram ditaduras em todos os países das Américas do Sul e Central. Onde houve resistência ou concorrentes imperialistas, os EUA fizeram guerras devastadoras como a II Guerra Mundial e a Guerra do Vietnã.
Internamente, a política dos EUA passou a ser monopolizada pelos partidos da minoria rica, o Partido Republicano (burguesia proprietária dos monopólios) e o Partido Democrata (restante da burguesia e pequena-burguesia). A participação do povo continua resumida à eleição dos representantes estaduais, mesmo depois de ter conquistado com muita luta o direito de votar e ser votado através do voto universal.
As análises da ciência econômica marxista demonstram que não existe democracia em sociedades baseadas na propriedade privada dos meios de produção. Neste tipo de sociedade, uma minoria de ricos proprietários explora e domina a maioria do povo (trabalhadores). Nesse esquema, a democracia é apenas um slogan usado pela minoria rica para atingir seus objetivos.
 
Fonte: Paulo Marcelo Rodrigues
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Início do Golpe Político tem data marcada: 14 de julho

3 de jul de 2015


Cassado por compra de votos quando foi governador da Paraíba, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), um dos principais interlocutores de Aécio Neves (PSDB-MG), já marcou a data para o início do processo de guilhotina da presidente Dilma Rousseff e do vice Michel Temer; segundo ele, será no dia 14 de julho, data do depoimento de Ricardo Pessoa no TSE e também da Revolução Francesa; “O que o PSDB defende são novas eleições”, disse Cunha Lima; “O próprio ex-presidente Lula poderá disputar. Ele vai poder se submeter à soberania do povo brasileiro. É isto o que nós queremos: novas eleições”; senador tem pressa porque o golpe é a única saída que interessa a Aécio, que não tem fôlego para chegar como candidato tucano a 2018, quando estaria em desvantagem em relação a Geraldo Alckmin e José Serra

 
O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), um dos principais interlocutores do presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (PSDB-MG), tem pressa. Tanto que já marcou até a largada para o golpe contra a presidente Dilma Rousseff: o dia 14 de julho, quando Ricardo Pessoa, dono da UTC, prestará depoimento no Tribunal Superior Eleitoral sobre suas doações de campanha.

Além de aflito, Cunha Lima, que já foi cassado quando governador da Paraíba por crime eleitoral e compra de votos, quer guilhotinar também o vice-presidente da República, Michel Temer.

“Acreditamos firmemente que, já no próximo semestre, haverá o julgamento que poderá cassar o diploma da presidente Dilma Rousseff e o do vice-presidente Michel Temer. Assume, pelo comando constitucional, por três meses, o presidente da Câmara”, disse Cunha Lima, segundo relato do jornalista Josias de Souza.

“O que o PSDB defende são novas eleições”, afirmou. “O próprio ex-presidente Lula poderá disputar. Ele vai poder se submeter à soberania do povo brasileiro. É isto o que nós queremos: novas eleições.”

Ventríloquo do senador Aécio, Cunha Lima tem pressa por uma razão simples. Ao presidente do PSDB, apenas o golpe interessa,  uma vez que que ele não tem fôlego para chegar como candidato tucano a 2018, quando estará em desvantagem em relação ao governador Geraldo Alckmin e  ao senador José Serra (PSDB-SP).

Aécio só será candidato se conseguir transformar o Brasil no que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), definiu como "republiqueta", ao explicar porque é contra um processo de impeachment contra uma presidente da República recentemente eleita. Aécio também não aceita a deposição apenas de Dilma, porque sabe que Temer poderia se tornar popular com um governo de "salvação nacional".

Hoje, Aécio e Cunha Lima são os dois principais incendiários do PSDB, e também do País, mas não devem ter força para impor seus desejos nem mesmo a outras lideranças tucanas, bem mais sensatas.
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Virou Casa da Mãe Joana

2 de jul de 2015


O Brasil foi transformado na casa da mãe Joana, onde todo mundo manda. Manda a mídia, manda o juiz Sergio Moro, manda o procurador Fernando Lima, manda a Policia Federal, manda o deputado Eduardo Cunha, manda o senador Renan Calheiros. Quem menos manda é a presidente Dilma Rousseff, o Supremo Tribunal Federal, o ministro José Eduardo Cardozo. Todo mundo faz o que bem entende, ameaça de morte quem não pensa como a oposição, agride ex-integrantes do governo em hospitais e restaurantes e insulta a presidente da República nas redes sociais e até em adesivos colados em automóveis. E ninguém sofre qualquer punição. As arbitrariedades e a impunidade generalizada transformaram a democracia vigente no país em uma anarquia mascarada.

 
O procurador Fernando Lima, por exemplo, um dos principais integrantes da força-tarefa da Operação Lava-Jato, certamente sentindo-se fortalecido diante do silêncio e da inércia do STF e da autoridade maior do Ministério Público, chega a debochar publicamente da presidente da República. Em resposta a uma crítica da presidente Dilma Rousseff, sobre as delações premiadas, disse à "Folha de S.Paulo" que "como não há [entre delatados da Lava Jato] nem Jesus Cristo nem Tiradentes, não há entre os delatores nem Judas nem Silvério. Porque não vivemos nem na Roma imperial nem nos tempos de Maria Louca (??). Vivemos na democracia".

Ele esqueceu de dizer que se vivemos hoje numa democracia devemos, entre outras pessoas, à própria Dilma, que lutou contra a ditadura, chegando inclusive a ser presa. E ele? Qual a sua contribuição à democracia? Na verdade, se houvesse mesmo democracia em nosso país o procurador Fernando Lima não teria a ousadia de debochar da chefe da Nação, pois as instituições estariam funcionando perfeitamente, sem medo da mídia, e ele, como funcionário público, seria punido pelos seus superiores. Como, no entanto, vivemos mesmo numa anarquia, ninguém mais respeita ninguém. A própria Presidente não reage aos insultos de que tem sido vítima.

Como uma das consequências da apatia do governo e do Supremo Tribunal Federal, aparentemente amedrontados diante das pressões diárias da grande mídia, o juiz Sergio Moro se transformou no homem mais poderoso do país, promovendo um festival de prisões e estimulando a delação premiada para obter resultados políticos. Todo o mundo jurídico critica os seus métodos arbitrários, até o ministro Marco Aurélio Melo, do STF, mas como até hoje não houve uma posição formal do Supremo ele continua fazendo o que bem entende, acolitado entre outros pelo procurador Fernando Lima, ignorando solenemente todos os que discordam dele. E não está preocupado porque tem a mídia, que até já o premiou, do seu lado.

Enquanto isso o senador Aécio Neves, ainda inconformado com a sua derrota nas eleições presidenciais do ano passado, continua buscando algo para perturbar a presidente Dilma Rousseff. Até hoje ninguém tomou conhecimento de qualquer projeto da sua autoria destinado a melhorar alguma coisa no Brasil. Na verdade, ele não faz outra coisa a não ser agredir o governo e procurar motivos para derrubar a Presidente. Certamente por isso está perdendo espaço para o governador Geraldo Alkmin, de São Paulo, que se mostra mais maduro e muito mais equilibrado para concorrer à Presidência da República em 2018. Aliás, na propaganda partidária na TV Alckmin fez questão de separar o PSDB de São Paulo do PSDB de Aécio.

Por sua vez o deputado Eduardo Cunha, hoje o segundo homem mais poderoso do país depois do juiz Moro, deita e rola na Câmara dos Deputados, atropelando tudo para fazer valer a sua vontade. E conseguiu aprovar a redução da maioridade penal no mesmo dia em que a proposta foi rejeitada, contando para isso com os votos até de parlamentares da base aliada. Cunha, pelo visto, tem a Câmara nas mãos, pois também faz o que bem entende diante da submissão da maioria dos parlamentares. Sua diferença para o juiz Moro é que ele é chefe de um poder e não tem ninguém acima dele, a não ser o plenário da Casa que, no entanto, vem homologando todas as suas decisões. Talvez por isso ele também defenda o Parlamentarismo.

O fato é que alguém precisa fazer alguma coisa para mudar essa situação de insegurança em que o país está vivendo. Além das prisões indiscriminadas, ao sabor dos humores do juiz Moro, o ódio disseminado pela grande mídia e redes sociais ameaça fazer uma vítima a qualquer momento, pois as agressões verbais a ex-integrantes do governo e a quem não reza pela cartilha da Direita estão se intensificando sem nenhuma medida punitiva. Se nada for feito um dos muitos desequilibrados que pululam por aí, especialmente nos locais frequentados pela elite paulista, poderá cometer um desatino de consequências trágicas. Afinal, depois que um imbecil pregou a morte de Jô Soares, só porque entrevistou a presidente Dilma Rousseff, tudo é possível.

Ribamar Fonseca
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A soldado Maria Quitéria e o 2 de julho na Bahia


A história da Independência do Brasil na Bahia começou a ganhar força no início de 1822, com o desejo da Bahia de romper com a coroa, quando o rei de Portugal, D. João VI, tirou o brasileiro Manoel Guimarães do comando de Salvador, colocando em seu lugar o general português Madeira de Melo no cargo. Com isso, ele queria reforçar o poder da Coroa sobre os baianos, mas a população não aceitou pacificamente.

Os baianos foram às ruas para protestar e entraram em confronto com os soldados portugueses. Meses depois, em 12 de junho, a Câmara de Salvador tenta romper com a coroa portuguesa. O general Madeira de Melo coloca as tropas nas ruas e impede a sessão. Dois dias depois, em Santo Amaro, os vereadores declaram D. Pedro o defensor perpétuo do Brasil independente, o que significa não obedecer mais ao rei de Portugal.

No dia 25 de junho é a vez da Vila de Cachoeira romper com a Coroa portuguesa. Outras vilas seguem o exemplo. Cachoeira se torna quartel general das tropas libertadoras.

Canhões de fortes da Baía de Todos-os-Santos foram roubados para armar a improvisada frota de saveiros, que enfrentaram a esquadra de Portugal. Cercados por terra e mar, os portugueses ficam acuados em Salvador. Decidem então abandonar a cidade e fogem por mar, na madrugada do dia 2 de julho de 1823. Pela manhã, o exército brasileiro entra vitorioso na cidade, marcando a independência do Brasil na Bahia. Nesse cenário de lutas pela liberdade do Brasil, em face do domínio português, destacou-se  uma mulher:


Maria Quitéria, brasileira, soldado, guerreira, lutou bravamente pela independência do povo brasileiro. Depois da proclamação, por D. Pedro, cinco províncias – Bahia, Piauí, Maranhão, Grão-Pará e Cisplatina – continuaram leais às Cortes de Lisboa. Neste contexto de conflitos, houve necessidade de solicitar o apoio da população para lutar contra os portugueses. O movimento pró-independência enviou mensageiros a fim de angariar dinheiro e voluntários para as tropas brasileiras. Quando a Fazenda Serra da Agulha, na Bahia, foi visitada, seu proprietário, Gonçalo Alves de Almeida, em nada colaborou.  A filha, Maria Quitéria, contudo, externou o desejo de juntar-se às tropas pela independência: “Tenho o coração abrasado; deixa-me ir e empunhar armas em tão justa guerra!”, disse ao pai. Autoritário, ele desaprovou: “As mulheres fiam, tecem e bordam.  A guerra é para homens”. Não satisfeita, a humilde sertaneja baiana fugiu de casa e, com o apoio da irmã Teresa e do marido desta, José Cordeiro de Medeiros, cortou o cabelo, vestiu o uniforme do cunhado e alistou-se como se fosse “filho” deles no Corpo de Artilharia.  Apresentou-se ao Corpo de Caçadores, com o nome de soldado Medeiros. Seu disfarce durou apenas duas semanas, quando o pai, que andava à sua procura, a revelou. No entanto, devido a seu grande desempenho em combate, à sua habilidade ao manejar armas e à sua bravura, o major Silva e Castro não permitiu que fosse desligada.


Comemoração do 2 de julho em Cachoeira-BA

Maria Quitéria de Jesus nasceu entre os anos de 1792 e 1797, no arraial de São José de Itapororocas, hoje distrito Maria Quitéria, em Feira de Santana, Bahia. Filha primogênita de Gonçalo Alves de Almeida e Quitéria Maria de Jesus, foi batizada em 27 de julho de 1798. Quando ela estava com 10 anos de idade, a mãe faleceu, e ela foi obrigada a assumir a responsabilidade de cuidar da casa e dos irmãos. O viúvo casou-se, depois, com Eugênia Maria dos Santos. O relacionamento de Quitéria com a madrasta foi amigável, mas logo Eugênia faleceu. Seu pai, depois, casou-se outras duas vezes. Com a segunda madastra, Maria Quitéria teve muitos conflitos.  A fim de esquivar-se dos confrontos, Quitéria passava a maior parte do tempo fora de casa, brincando ao ar livre. Aprendeu a montar cavalos e a manejar armas de fogo. A saída da fazenda para os campos de batalha foi apenas uma questão de oportunidade. Como integrante do Batalhão dos Voluntários de D. Pedro I, o “Batalhão dos Periquitos”, como era conhecido devido à cor verde dos punhos e da gola de seu uniforme, Maria Quitéria tornou-se a primeira mulher a assentar praça em uma unidade militar, no Brasil. Destacou-se nos combates de Conceição, Pituba e Itapuã. Na Barra do Paraguaçu, em 1822, comandou um pelotão de mulheres, impedindo o desembarque de uma tropa de portugueses.

Em 2 de julho de 1823, o Exército Libertador cumpriu sua missão na Bahia. Maria Quitéria foi aclamada pela população. Foi recebida pelo imperador D. Pedro I, que lhe ofereceu a medalha de “Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro” e um soldo vitalício de alferes. Ela, então, pediu ao imperador que solicitasse a seu pai perdão pela desobediência. Obteve a sonhada reconciliação.  Ao voltar para casa, casou-se com um antigo namorado, o lavrador Gabriel Pereira de Brito, com quem teve uma filha, Luísa Maria da Conceição. A família viveu com simplicidade. No dia 21 de agosto de 1853, Maria Quitéria faleceu em um triste anonimato, completamente esquecida pelo povo que ajudou a libertar. Foi, porém, homenageada pelo Exército, quando do centenário de seu falecimento, em 11 de maio de 1953. Por ordem do Ministério da Guerra, todas as unidades e repartições militares passaram a ter um retrato dela. Em 1996, foi declarada patrono do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro.
 
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Golpe de "Cunhão" impõe em 1º turno redução de maioridade penal


Em nova votação, encerrada na madrugada desta quinta-feira (2), conduzida a partir de atropelos regimentais sob o comando do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o Plenário aprovou, por 323 votos a 155, emenda que reduz a maioridade penal, de 18 para 16 anos.

A matéria refere-se aos casos de crimes hediondos (estupro, sequestro, latrocínio, homicídio qualificado e outros), homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte.

A emenda dos deputados Rogério Rosso (PSD-DF) e Andre Moura (PSC-SE) à PEC da maioridade penal (PEC 171/93) deixa de fora da redução da maioridade outros crimes, como roubo com causa de aumento de pena, tortura, tráfico de drogas e lesão corporal grave. Esses crimes constavam do substitutivo da comissão especial para a matéria, rejeitado na madrugada desta quarta-feira (1º).

Na madrugada de quarta-feira, outro texto que propunha a redução da maioridade foi rejeitado pelos deputados por cinco votos. Eram necessários 308 votos a favor para a aprovação de uma emenda constitucional.

O texto que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos ainda deve passar por uma segunda votação na Câmara dos Deputados e por duas votações no Senado para que a Constituição seja alterada.

O golpe legislativo promovido pelo presidente da Câmara, que encontra respaldo numa maioria conservadora e reacionária, é um indicador da gravidade da situação política do país. Na atual legislatura, a Câmara dos Deputados transformou-se num bastião de uma direita que se mostra cada vez mais disposta a levar o país a inaudito retrocesso civilizacional. A democracia e os direitos humanos estão sob pesada ameaça.
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Cuba e Estados Unidos restabelecem relações diplomáticas

1 de jul de 2015

Numa decisão histórica, cujo primeiro passo foi o anúncio em 17 de dezembro do ano passado pelos presidentes Raúl Castro e Barack Obama, de que os dos países decidiram restabelecer relações diplomáticas, ambos os governos anunciaram nesta quarta-feira (1º/7) instalar embaixadas no próximo dia 20. O governo cubano emitiu um comunicado, que publicamos na íntegra.
 
Neste 1º de julho de 2015, o presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros da República de Cuba, General de Exército Raúl Castro Ruz, e o presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama intercambiaram cartas mediante as quais confirmaram a decisão de restabelecer relações diplomáticas entre os dois países e abrir missões diplomáticas permanentes nas respectivas capitais, a partir de 20 de julho de 2015.

Nesse mesmo dia, se realizará a cerimônia oficial de abertura da Embaixada de Cuba em Washington, na presença de uma delegação cubana presidida pelo ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez Parrilla e integrada por destacados representantes da sociedade cubana.

Ao formalizar este passo, Cuba e Estados Unidos ratificaram a intenção de desenvolver relações respeitosas e de cooperação entre ambos os povos e governos, baseadas nos princípios e propósitos consagrados na Carta das Nações Unidas e no Direito Internacional, em particular as Convenções de Viena sobre Relações Diplomáticas e Consulares.

O Governo de Cuba tomou a decisão de restabelecer as relações diplomáticas com os Estados Unidos no pleno exercício de sua soberania, invariavelmente comprometido com seus ideais de independência e justiça social, e de solidariedade com as causas justas do mundo, e em reafirmação de cada um dos princípios pelos quais nosso povo derramou seu sangue e correu todos os riscos, dirigido por seu Líder histórico da Revolução, Fidel Castro Ruz.

Com o restabelecimento das relações diplomáticas e a abertura de embaixadas, termina a primeira etapa do que será um longo e complexo processo rumo à normalização das relações bilaterais, como parte do qual terá que ser solucionado um conjunto de assuntos derivados de políticas do passado, ainda vigentes, que afetam o povo e a nação cubana.

Não poderá haver relações normais entre Cuba e os Estados Unidos enquanto se mantenha o bloqueio econômico, comercial e financeiro, que se aplica com todo o rigor, provoca danos e carências ao povo cubano, é o obstáculo principal ao desenvolvimento de nossa economia, constitui uma violação do Direito Internacional e afeta os interesses de todos os países, incluindo os dos Estados Unidos.

Para alcançar a normalização será indispensável também que se devolva o território ilegalmente ocupado pela Base Naval em Guantânamo, cessem as transmissões de rádio e televisão para Cuba que violam as normas internacionais e são lesivas a nossa soberania, se eliminem os programas dirigidos a promover a subversão e a desestabilização internas, e se compense o povo cubano pelos danos humanos e econômicos provocados pelas políticas dos Estados Unidos.

Ao recordar os temas pendentes de solução entre os dois países, o governo cubano reconhece as decisões adotadas até o momento pelo presidente Obama, de excluir Cuba da lista de Estados patrocinadores do terrorismo internacional, de instar o Congresso de seu país a levantar o bloqueio e de começar a adotar medidas para modificar a aplicação de aspectos desta política no uso de suas prerrogativas executivas.

Como parte do processo para a normalização das relações, terão quer construídas as bases de laços que não existiram entre nossos países em toda a sua história, em particular desde a intervenção militar dos Estados Unidos, há 117 anos, na guerra de independência que Cuba travou por cerca de três décadas contra o colonialismo espanhol.

Estas relações deverão cimentar-se no respeito absoluto a nossa independência e soberania; ao direito inalienável de todo Estado a escolher o sistema político, econômico, social e cultural, sem ingerência de nenhuma forma; e à igualdade soberana e à reciprocidade, que constituem princípios irrenunciáveis do Direito Internacional.

O Governo de Cuba reitera a disposição de manter um diálogo respeitoso com o Governo dos Estados Unidos e de desenvolver relações de convivência civilizada, baseadas no respeito às diferenças entre ambos os governos e na cooperação em temas de benefício mútuo.

Cuba continuará envolvida no processo de atualização de seu modelo econômico e social, para construir um socialismo próspero e sustentável, avançar no desenvolvimento do país e consolidar as conquistas da Revolução.
 

Fonte: Granma
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Ao acusar Dilma de extorsão o "sem noção" extrapola


Em seu terceiro turno sem fim, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) fez um dos mais levianos gestos de sua carreira política, ao anunciar processo por extorsão contra a presidente Dilma Rousseff e o ministro Edinho Silva, a partir da delação premiada de Ricardo Pessoa; quem argumenta é o jornalista Paulo Moreira Leite, que vê indícios até de denunciação caluniosa; "Não custa observar que até agora o senador não se dispôs a esclarecer as doações feitas pelo empresário-delator à campanha de Aloysio Nunes Ferreira, em 2010, quando ele concorreu ao Senado. Aécio também poderia olhar para o próprio cofre já que, no ano passado, Pessoa lhe deu R$ 1,2 milhão a mais do que para Dilma. Eis aí um fato bom de esclarecer", diz PML; leia a íntegra

 


Num país que enfrenta as dificuldades que todos enxergam, a melhor idéia de Aécio Neves para ganhar as manchetes do dia foi ir até a Procuradoria Geral da República apresentar uma representação contra a presidenta Dilma Rousseff e contra o ministro Edinho Silva, da SECOM em função da delação premiada do empreiteiro Ricardo Pessoa.

O argumento de Aécio para bater à porta da PGR é pesado. Diz que na delação de Pessoa “há uma clara chantagem. Ou ele aumentava as doações ao Partido dos Trabalhadores e à campanha da presidente da República ou ele não continuava com suas obras na Petrobras”. Segundo Aécio, apenas a presidente “teria condições de efetivar essa chantagem.”

Não custa observar que até agora o senador não se dispôs a esclarecer as doações feitas pelo empresário-delator à campanha de Aloysio Nunes Ferreira, em 2010, quando ele concorreu ao senado. Na época, Pessoa havia acabado de comprar Constran, empreiteira que tem um imenso canteiro de obras milionárias justamente em São Paulo, estado que é o berço político de seu candidato a vice em 2014.

Aécio também poderia olhar para o próprio cofre já que, no ano passado, Pessoa lhe deu R$ 1,2 milhão a mais do que para Dilma. Eis aí um fato bom de esclarecer.

A experiência ensina que doações de empresas privadas sempre são difíceis de entender e desagradáveis de explicar, o que faz o autor dessas linhas estar 100% convencido de que nosso sistema político andará muito melhor quando acabar com elas. No fundo, ninguém consegue ficar bem na foto com esse sistema, que admite, essencialmente, dois caminhos.

Se o candidato faz força para receber, pode ser acusado de chantagem, como VEJA diz que Pessoa disse na delação premiada.

Mas: e se o candidato não faz nada, e mesmo assim o dinheiro entra numa boa, na conta, só com uma piscadinha de ôlho. Como se justifica isso? São amiguinhos? É bom para o país? Um candidato que recebeu 15% a mais do que a rival, como Aécio, é melhor ou pior do ponto de vista do cidadão comum?
Qual o lado em que Aécio prefere estar?

Há outras dificuldades. A delação de Ricardo Pessoa não foi liberada pela Justiça e permanecerá em segredo, muito provavelmente, até o momento em que a denúncia for apresentada.

Hoje, ninguém sabe — e se sabe não pode provar que sabe — qual seu conteúdo integral. Até haver uma autorização da Justiça, quem divulgar a delação, pode ser enquadrado em crime.

Caso Aécio tenha apresentado uma denúncia cujo teor real desconhece, apenas com base em informações de terceiros, pode ser enquadrado no “delito de denunciação caluniosa,” que pune a pessoa que tenta abrir inquérito a partir de uma denúncia sabidamente falsa. A pena prevista, no caso, é de 2 a 8 anos de prisão, mais multa.

Em qualquer caso, ninguém pode sair ganhando com uma denúncia cujo teor integral desconhece ou, na melhor das hipóteses, não pode revelar. Não custa lembrar que o ex-ministro Cid Gomes foi capa de revista em função de um suposto envolvimento na Lava Jato — até que se descobriu que a historia não tinha fundamento. Outro episódio entrou para os anais da Lava Jato como o “caso Bosta Seca”, envolvendo o conflito de versões entre o doleiro Alberto Yousseff e o delator Paulo Roberto Costa em torno de uma remessa de R$ 1 milhão que teria sido enviada — ou não — para Antônio Palocci.

Isso acontece porque a delação premiada, base da representação de Aécio a PGR, pertence aquele universo de sombra entre a verdade e a mentira, como explica o criminalista Antonio Claudio Mariz de Oliveira, em artigo publicado na edição de hoje do 247: “O encarcerado, com apoio na verdade ou falseando¬-a, passa a acusar companheiros de empreitada criminosa e a narrar situações ilícitas até então desconhecidas. É óbvio que a sua conduta não é inspirada por motivos ligados ao civismo, à cidadania, ao interesse público ou a quaisquer outros nobres sentimentos. Seu interesse imediato é alcançar a liberdade, bem como benefícios outros que vão desde o perdão judicial até a diminuição da pena e o menor rigor em seu cumprimento.”

Em função disso, diz o advogado, “a primeira objeção a ser posta diante do instituto da delação premiada se refere à insegurança jurídica que é por ele gerada.”

Pode-se acrescentar que, num país onde a legislação exige que a delação seja inteiramente “voluntária,” é duvidoso imaginar que o relator da Lava Jato, ministro Teori Zavaski, irá referendar denúncias obtidas num regime “medievalesco,” palavra que empregou para abrir os cárceres de Curitiba para nove executivos e empresários aprisionados por mais de cinco meses. Isso explica porque um criminalista experimentado como Mariz alerta para a “insegurança jurídica” que a delação pode gerar.
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