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Meu avô me contou sentado à beira do rio

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015


Outrora suas águas eram de integração nacional, quando o nosso país tupiniquim, o Pindorama tropical, jamais sonhava em descobrir as  riquezas que dizem fincadas nas profundezas da Bacia de Santos, no pré-sal cantado em prosas verde-amarelas.

O rio São Francisco já conduziu até tropas de militares da Força Expedicionária Brasileira (FEB) durante a Segunda Guerra Mundial, para se evitar  o  deslocamento do Norte e Nordeste para o Sul pela costa marítima, bombardeada, rotineiramente, pelos submarinos nazistas alemães. No entanto, o transporte fluvial, de Juazeiro (BA) para Pirapora (MG) e vice-versa, deixou de existir há muitos anos.

Em Xique-Xique, na época de rio cheio, boa parte da população fazia festa com a chegada dos vapores ao cais da cidade  e  os identificavam  pelo apito, sonorizado a partir da Ponta da Ilha na entrada da Ipueira.

No período de  seca,  a esturricar até as folhas de fícus da Avenida J.J. Seabra, o rio protestava desde a nascente na Serra da Canastra e suas águas baixavam acentuadamente, obstaculizando a passagem pelo Canal do Guaxinim, quando os vapores ancoravam no Porto do Jenipapo do lado oeste da Ilha do Miradouro.

Barão de Cotegipe, Wenceslau Brás, São Francisco, Benjamim Guimarães, Engenheiro Halfed, Siqueira Campos, Cordeiro de Miranda, Jansen Melo, Raul Soares, Antonio Nascimento e o Otavio Carneiro singravam as águas barrentas do antigo “rio dos currais” tendo a bordo estudantes, comerciantes, doutores, mascates, raparigas, marreteiros,  recém-casados em lua de mel, romeiros , pagadores de promessa ao Bom Jesus da Lapa,  políticos ocupantes dos camarotes da primeira classe e, principalmente, os retirantes esperançosos de arranjar trabalho em São Paulo.

É assim, nessa moldura, que até hoje  nós beiradeiros, povo humilde do São Francisco, rogamos, com fervor, a proteção de São Francisco de Sales, de Pádua e de Assis, para que o agonizante Velho Chico renasça tal qual Fênix  com o  adjutório do Nêgo D’água.

Nilson Machado de Azevedo
nilsonazevedo@globo.com

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