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A capital do Rio São Francisco

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015


Alguns jornais do Pará,  do Tocantins e o A VOZ de Xiquexique noticiaram, há tempos, a possível criação de novos Estados para a Federação. Não houve surpresas quanto a isso. 
Mas falando aqui com os nossos botões, diríamos que o Brasil já é muito dividido em razão das suas insistentes diferenças sociais.
Afirma-se, inclusive, que este nosso país matizado de verde, amarelo, azul e branco é riquíssimo desde o norte de Roraima até o sul do Rio Grande do Sul e do Acre à Ponta Seixas na Paraíba, embora outras línguas e dialetos dizem, peremptoriamente, que parcela significativa de sua população é  pobre sem emergência, apesar dos esforços discursivos que enaltecem a classe C, ex-compradora de  carro popular e  ex-usuária contumaz  de anti-democráticos carnês automotivos,  com pagamento de 72 parcelas mensais.

O que nos chamou atenção, naquela época, foi um dos projetos de divisão territorial do Brasil que incluiu, mais uma vez, a Bahia.

Será que ainda querem dividir a Bahia?

Pois muito bem.
Se, porventura, concretizar essa  divisão com a criação do  Estado do São Francisco, uma coisa é certa: Nós que nascemos aqui nestas barrancas do Velho Chico, poderemos deixar de ser velhos baianos para adquirirmos nova cidadania: a franciscana.

Talvez nem tenhamos de enfrentar a burocracia  para darmos nova feição às nossas identidades, visando mostrar ao mundo que o Estado do São Francisco é habitado por cabras machos.

Os futuros habitantes do Estado do São Francisco nascerão de parto natural pois, ao invés disto, nós que ainda somos baianos, não nascemos da forma tradicional pois baiano não nasce, estreia.
Alea jacta est. Não haverá novidade na lançada sorte. Todos nós xiquexiquenses, espalhados pelo planeta Terra, vamos exigir o nosso direito geográfico, em manifestação sem máscaras, empunhando cartazes: Xiquexique para Capital do Estado do São Francisco.

                                        Nilson Machado de Azevedo

1 comentários:

Zé Patricio disse...

Meu Velho, meu Velho Chico,
Quem te viu e quem te vê!...
Não dá mais para acreditar!
Quem quiser te conhecer,
Pois esqueceram de ti,
Tão magro como um faquir
De ti querem esquecer.

Onde está o Velho Chico
Com seus navios a vapor?
Acabou-se o turismo
E o povo dispersou
Em busca de um bom emprego,
Pois aqui virou degredo
E a seca tudo acabou.

Se esse rio morrer
Morre o povo do sertão
Tudo aqui vira deserto
Culpa da desmatação.
Esgotos podres a jorrar,
Tantos lixos a amontoar
Sem nenhuma correção.

Estão desviando o rio
Pros estados nordestinos...
Mas quem vai ganhar na história?!
São as empresas dos sovinos;
Os protetores vêm à tona,
Todo lado já se soma
De homem, mulher e meninos.

Só pensam já no desvio
Se achar que é ruim ou não
Ninguém conhece o problema
Só viajam de avião;
Esse rio que é tão valente,
Com seu povo tão prudente,
Sofredor cá do Sertão.

Ele é o Nilo Brasileiro
O maior rio da Nação,
Também o mais poluído
Dentre lago e ribeirão;
O pescador sofredor
Lamenta ver tanto horror!
Cadê o Peixe, meu irmão?!

São Francisco Brasileiro
Tenha pena e tenha dó!
“Se és o Santo de Assis”
Não deixe teu povo só!
Eu vou fazer uma prece
Pra ver se o céu escurece
Pra acabar com esse pó.

MORTE DO VELHO CHICO.( livro publicado em Carinhanha/Ba)
Poesia de cordel de:
Honorato Ribeiro dos Santos(Zé de Patricio)

2/2/15 06:28

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