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A praga do Padre Chicão

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

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Juram os céticos e os pessimistas que a praga lançada e aspargida sobre Xiquexique pelo padre Francisco Sampaio, no limiar do século XX, jamais será remida ou exorcizada. 

A praga que  até hoje ecoa, misteriosamente, desde a Ilha do Miradouro até o acesso da Vila de Santo Inácio no Portal da Serra do Açuruá, irradiando a maldição já conhecidíssima, ad nauseam, por gerações e gerações de  xiquexiquenses: “Terra maldita que crescerá tal qual rabo de cavalo. Dizem que nem reza de São Cipriano da Capa Preta neutralizará os efeitos do epíteto deflagrado pelo vigário indignamente ultrajado.

Não participo do rol dos pessimistas. Creio que o perdão emergirá das mesmas águas são-franciscanas aonde os antigos coronéis e seus sequazes fizeram embarcar, compulsoriamente, na marra mesmo,  o padre Chicão a bordo da lendária canoa furada.

Interessa-me saber, no entanto,  quem enterrou uma caveira de burro na Praça Dom Máximo a fim de que seja aplicada ao malévolo autor ou autores a pena de excomunhão, prevista no Código Canônico quando, nesse ínterim, buscaremos convencer às nossas lideranças políticas o enfrentamento e as soluções, com os espíritos desarmados, uma vez que se multiplicam os enormes desafios que se lhes apresentaram  nestes tempos pós-modernos do ano de 2014, após o esboço de fim do mundo pré 2012.

A nossa urbe barranqueira está a clamar um compromisso de todos os seus cidadãos que depositaram seus votos, repletos de esperanças alvissareiras, nos atuais dirigentes do município, objetivando retirar das pranchetas burocráticas o desenho do desenvolvimento de que necessitamos, quer seja no que se refere à  agressiva paisagem que contorna a  Ipueira, legado da ditadura militar que  obstaculiza a visão romântica do ocaso do sol ou mesmo exigindo o final feliz dos capítulos do desenvolvimento econômico  provindos da irrigação do Baixio da Boa Vista que insiste em marcar passo para o término da obra que nunca chega e jamais se conclui.

Se preciso for, prometo que estarei na avenida J. J. Seabra, dirigindo uma retroescavadeira até à Praça Dom Máximo para desenterrar a famigerada caveira de burro que está enterrada no anfiteatro que se distingue  na paisagem da histórica Praça. 

Na alvorada desse dia, quando o sol der início ao seu brilho ardente na orla do Parque Aquático Ponta das Pedras, vamos todos  à Igreja Matriz do Senhor do Bonfim, em procissão, cantando salmos e benditos, para fazer penitência e orar pela alma do Padre Francisco Sampaio e com a sua intercessão, rogaremos ao Padroeiro que uma brisa de perdão e  civilização  volte a soprar e pairar sobre a cidade.

Nilson Machado de Azevedo
nilsonazevedo@globo.com

   

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