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Carta aos amigos internautas

domingo, 20 de julho de 2014





Outro dia estava conversando com um amigo sobre os bons tempos das cartas. Sim, aquelas mesmo: papel, envelope, selo, carteiro – e ficamos filosofando sobre isso.


É verdade que a Internet, redes sociais e os e-mails aproximaram muito as pessoas. Permitiram com que amigos distantes um do outro e, de certa forma, esquecidos em algum lugar da memória, pudessem se reencontrar, continuando a amizade, ou melhor, entrando em uma nova etapa. Raramente uma amizade continua a mesma ao longo dos anos, infelizmente alguma coisa sempre muda, algo sempre se perde pelo caminho.

Não sei explicar exatamente o meu sentimento em relação a isso, mas parece que o e-mail tirou a emoção e o romantismo que havia nas cartas, deixou tudo muito rápido e a espera, de certa forma, mais angustiante. 

Você está esperando muito um e-mail.  De cinco em cinco minutos  olha a caixa de entrada e o e-mail não vem. Dá um F5 e nada. Clica em verificar e-mail e só entra o maldito spam. É uma espera longa. Interminável. Até que finalmente chega o tão esperado e-mail. Você clica no link, lê, responde (às vezes com meias palavras) e o e-mail vai para a lixeira. Escrever um e-mail é muito rápido.  Na maioria das vezes  mal há tempo de pensar na pessoa para quem  você está a escrever (veja bem, isto não é uma regra).  E dependendo de como está  o seu humor ou estado de espírito, a conversa acaba ali.

A carta também tem este momento de espera, mas é uma espera que não depende só de ti. Depende do carteiro, de quando a pessoa postou a carta, do cara que separa as correspondências na Agência dos Correios... Em minha opinião receber uma carta tinha mais vida, mais alegria. Às vezes eu ficava esperando o carteiro na porta de casa e quando ele me via dava um sorriso: "opa, hoje tem carta pra mim." E o coração já disparava. E não era só isso, eu fazia amizade com o carteiro. 


Escrever cartas tinha todo um ritual: pegar o papel, escolher um pensamento para colocar no início, a caneta não era uma Bic qualquer, às vezes fazia algum desenho ou pintura. Sem contar que a escrita era a próprio punho. Seria uma heresia datilografar uma carta! E após tudo isso ainda tinha de levar o envelope até a agência dos correios.

Muito trabalhoso? De certa forma sim. Mas era algo gratificante. Pelo menos pra mim. Ia com alegria ao Correio e conhecia todos os funcionários.  O conteúdo da carta sempre mudava, pois como passavam dias até obter a resposta, o estado de espírito já era outro e sempre havia novos assuntos. 


Ou seja, ficamos mais próximos dos amigos distantes e, de certa forma, nos tornamos mais solitários. Parece  que é uma contradição, mas sinto que a Internet tirou parte do convívio físico. Hoje tudo está na nuvem. Inclusive os amigos.



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