Pesquisar este blog




O Hexa perdeu o rumo

terça-feira, 8 de julho de 2014



O futebol da seleção brasileira é hoje o espectro de um esporte sem alma. Navega à deriva sem rumo claro a seguir, nem porto seguro onde chegar. Morreu o futebol-espetáculo brasileiro.

No caminho do voraz capitalismo, tudo que é sólido se desvanece no ar e tudo que é sagrado é profanado. Chegou a hora do futebol.  O capitalismo insaciável transformou o futebol numa fonte de acumulação. Hoje o princípio primacial deste esporte é o mercado que amputou seu espírito para “fazer dinheiro” e não a alegria do povo. 

Já não se joga futebol como antes. O que importa é o resultado independente da forma de alcançá-lo. O drible já não é o protagonista do jogo; o número de faltas supera o número de jogadas bonitas. A habilidade já não é o único critério para contratar jogadores, que agora devem ser mais altos e mais fortes para jogar o jogo duro do futebol-de-resultados. Hoje, sem espetáculo, a violência aumenta entre torcidas insatisfeitas. 

Já não vamos aos estádios, que estão apelidando de arenas, curtir o desempenho de nossa equipe, mas ver estrelas de brilho efêmero desfilar no campo sem vínculo com seu grupo. Estas estrelas brilham mais em anúncios publicitários pousando de cueca para anúncios de televisão. 

No futebol-arte, o brilho autêntico de jogadores-artistas ( a exemplo de Pelé e  Maradona) os acompanhava ao longo de suas carreiras e mesmo após parar de jogar não perderam a sua aura. Jogavam para a alegria do povo, como Garrincha. 

Hoje, estrelas artificiais raramente brilham e alguns sequer perderam a arte do futebol porque jamais a alcançaram.

Sob a pressão de um indecente salário altíssimo e contratos publicitários multimilionários, o jogador de brilho fugaz não joga bem para seu país; reserva seu bom desempenho para seu clube-corporação.  

Para diminuir a frustração coletiva das sociedades de origem desses jogadores, os que transmitem a Eurocopa fazem um esforço patético para criar a ilusão de que os jogadores-mercadorias no exterior ainda são “nacionais”. Por exemplo, no caso do Brasil, eles gritam: “gooooooool do brasileiro Neymar”; porém, quando o mesmo jogador está jogando em nossa seleção, eles gritam: “gooooooool de Neymar, do Barcelona”.

A seleção é formada por maioria de jogadores-mercadorias de clubes-apátridas. Competem entre si. O Brasil já não lhes emociona como fonte de motivação; é o contrato em Euros a fonte de pesadelos. Sem emoção não há paixão, sem paixão não há compromisso e sem compromisso não houve o Hexa.
.

1 comentários:

Anônimo disse...

E quem mais perdeu com isto foi Dilma e o Pt que politizaram o futebol e queria tirar proveito disso.

12/7/14 19:21

Postar um comentário