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Memórias de um ex-prefeito

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015









O vate baiano Raul Seixas, disse, ainda sóbrio, que não queria ser prefeito, pois correria o risco de ser assassinado, caso fosse eleito.

Se Raul tivesse a mesma inspiração nestes últimos anos, admitiria que o risco se somaria à possibilidade de ser cassado post mortem.


Um ex-prefeito confessou-me que por mais haver se empenhado em ser honesto, por mais que administrasse o município na ponta do lápis, as suas contas sempre corriam o risco de não serem aprovadas pelo Tribunal de Contas, pela simples razão de haver rompido com um grupo político poderoso da sua região, com velada influência tanto no TC quanto no Tribunal de Justiça do seu Estado.

Dizia-me que sem as contas da prefeitura aprovadas,  foi ele, por traição, acusado pelo que não fez e pelo que nem soube fazer. Sem o apoio da maioria dos vereadores ficou a um passo do processo de impeachment e a uma polegada da cassação pelo TRE, em que pese haver pagado promessa ao santo padroeiro municipal para não cair nas mãos de algum juiz parcial, desses raros que proferem decisões em face dos murmúrios de espíritos santos de orelhas nos telefones fixos ou móveis que caem sempre nas escancaradas escutas grampeadas, sem exclusão da lista negra do Conselho Nacional de Justiça-CNJ.

É ululantemente óbvio, público e notório que muito tem sido feito para diminuir a corrupção sintetizada nas fraudes e ilícitos que grassam na administração pública brasileira. Sabemos que a maioria das instituições do judiciário combate com firmeza a prática desses delitos, embora, diga-se de passagem, uma minoria forte e exuberante de forças não muito ocultas, corrói a ética e a moralidade tão perseguidas pelos políticos sérios.


Nesta mesma linha de raciocínio, sem acreditar em mágica, os juízes anônimos espalhados por todo o Brasil que exercem os seus misteres com honestidade, dignidade e honradez, são decisivos no combate à corrupção. Devemos a esses obstinados magistrados a sobrevivência do estado de direito no Brasil. O resto é futrica provinciana e paroquial.

Quanto ao ex-prefeito que aqui mencionei, digo-lhes que ele não mais se candidatou a cargos eletivos, nem mesmo a síndico de condomínio, pois, continua a afirmar, sempre inspirado em Raul Seixas, que "não é mais besta para tirar onda de herói".



Nilson Machado de Azevedo

1 comentários:

Anônimo disse...

Môço, me lembrei agora de dr. Zé Magalhães.

29/12/14 22:29

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