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A soldado Maria Quitéria e o 2 de julho na Bahia

quinta-feira, 2 de julho de 2015


A história da Independência do Brasil na Bahia começou a ganhar força no início de 1822, com o desejo da Bahia de romper com a coroa, quando o rei de Portugal, D. João VI, tirou o brasileiro Manoel Guimarães do comando de Salvador, colocando em seu lugar o general português Madeira de Melo no cargo. Com isso, ele queria reforçar o poder da Coroa sobre os baianos, mas a população não aceitou pacificamente.

Os baianos foram às ruas para protestar e entraram em confronto com os soldados portugueses. Meses depois, em 12 de junho, a Câmara de Salvador tenta romper com a coroa portuguesa. O general Madeira de Melo coloca as tropas nas ruas e impede a sessão. Dois dias depois, em Santo Amaro, os vereadores declaram D. Pedro o defensor perpétuo do Brasil independente, o que significa não obedecer mais ao rei de Portugal.

No dia 25 de junho é a vez da Vila de Cachoeira romper com a Coroa portuguesa. Outras vilas seguem o exemplo. Cachoeira se torna quartel general das tropas libertadoras.

Canhões de fortes da Baía de Todos-os-Santos foram roubados para armar a improvisada frota de saveiros, que enfrentaram a esquadra de Portugal. Cercados por terra e mar, os portugueses ficam acuados em Salvador. Decidem então abandonar a cidade e fogem por mar, na madrugada do dia 2 de julho de 1823. Pela manhã, o exército brasileiro entra vitorioso na cidade, marcando a independência do Brasil na Bahia. Nesse cenário de lutas pela liberdade do Brasil, em face do domínio português, destacou-se  uma mulher:


Maria Quitéria, brasileira, soldado, guerreira, lutou bravamente pela independência do povo brasileiro. Depois da proclamação, por D. Pedro, cinco províncias – Bahia, Piauí, Maranhão, Grão-Pará e Cisplatina – continuaram leais às Cortes de Lisboa. Neste contexto de conflitos, houve necessidade de solicitar o apoio da população para lutar contra os portugueses. O movimento pró-independência enviou mensageiros a fim de angariar dinheiro e voluntários para as tropas brasileiras. Quando a Fazenda Serra da Agulha, na Bahia, foi visitada, seu proprietário, Gonçalo Alves de Almeida, em nada colaborou.  A filha, Maria Quitéria, contudo, externou o desejo de juntar-se às tropas pela independência: “Tenho o coração abrasado; deixa-me ir e empunhar armas em tão justa guerra!”, disse ao pai. Autoritário, ele desaprovou: “As mulheres fiam, tecem e bordam.  A guerra é para homens”. Não satisfeita, a humilde sertaneja baiana fugiu de casa e, com o apoio da irmã Teresa e do marido desta, José Cordeiro de Medeiros, cortou o cabelo, vestiu o uniforme do cunhado e alistou-se como se fosse “filho” deles no Corpo de Artilharia.  Apresentou-se ao Corpo de Caçadores, com o nome de soldado Medeiros. Seu disfarce durou apenas duas semanas, quando o pai, que andava à sua procura, a revelou. No entanto, devido a seu grande desempenho em combate, à sua habilidade ao manejar armas e à sua bravura, o major Silva e Castro não permitiu que fosse desligada.


Comemoração do 2 de julho em Cachoeira-BA

Maria Quitéria de Jesus nasceu entre os anos de 1792 e 1797, no arraial de São José de Itapororocas, hoje distrito Maria Quitéria, em Feira de Santana, Bahia. Filha primogênita de Gonçalo Alves de Almeida e Quitéria Maria de Jesus, foi batizada em 27 de julho de 1798. Quando ela estava com 10 anos de idade, a mãe faleceu, e ela foi obrigada a assumir a responsabilidade de cuidar da casa e dos irmãos. O viúvo casou-se, depois, com Eugênia Maria dos Santos. O relacionamento de Quitéria com a madrasta foi amigável, mas logo Eugênia faleceu. Seu pai, depois, casou-se outras duas vezes. Com a segunda madastra, Maria Quitéria teve muitos conflitos.  A fim de esquivar-se dos confrontos, Quitéria passava a maior parte do tempo fora de casa, brincando ao ar livre. Aprendeu a montar cavalos e a manejar armas de fogo. A saída da fazenda para os campos de batalha foi apenas uma questão de oportunidade. Como integrante do Batalhão dos Voluntários de D. Pedro I, o “Batalhão dos Periquitos”, como era conhecido devido à cor verde dos punhos e da gola de seu uniforme, Maria Quitéria tornou-se a primeira mulher a assentar praça em uma unidade militar, no Brasil. Destacou-se nos combates de Conceição, Pituba e Itapuã. Na Barra do Paraguaçu, em 1822, comandou um pelotão de mulheres, impedindo o desembarque de uma tropa de portugueses.

Em 2 de julho de 1823, o Exército Libertador cumpriu sua missão na Bahia. Maria Quitéria foi aclamada pela população. Foi recebida pelo imperador D. Pedro I, que lhe ofereceu a medalha de “Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro” e um soldo vitalício de alferes. Ela, então, pediu ao imperador que solicitasse a seu pai perdão pela desobediência. Obteve a sonhada reconciliação.  Ao voltar para casa, casou-se com um antigo namorado, o lavrador Gabriel Pereira de Brito, com quem teve uma filha, Luísa Maria da Conceição. A família viveu com simplicidade. No dia 21 de agosto de 1853, Maria Quitéria faleceu em um triste anonimato, completamente esquecida pelo povo que ajudou a libertar. Foi, porém, homenageada pelo Exército, quando do centenário de seu falecimento, em 11 de maio de 1953. Por ordem do Ministério da Guerra, todas as unidades e repartições militares passaram a ter um retrato dela. Em 1996, foi declarada patrono do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro.
 

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