Antes de romper, Cunha pediu a cabeça de Janot

sexta-feira, 17 de julho de 2015


Irritadíssimo com a denúncia de que teria recebido US$ 5 milhões em propina, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), se reuniu na noite de ontem com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e com o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), a quem comunicou que anunciaria hoje o rompimento com o governo Dilma; segundo a coluna do jornalista Tales Faria, o deputado colocou como condição para não romper a exoneração do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ou o compromisso de Dilma de que o chefe da PGR não seria reconduzido ao cargo; Cunha afirma ser perseguido por Janot e ter certeza de que a denúncia faz parte de um plano orquestrado por governo e PT contra ele; nesta sexta, horas depois do rompimento, Cunha autorizou duas CPIs contra o governo na Câmara

Pouco antes de anunciar o rompimento com o governo federal, no final da manhã desta sexta-feira 17, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), condicionou sua decisão à exoneração do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de quem acredita ser alvo de perseguição.

O pedido foi feito na noite desta quinta, segundo o jornalista Tales Faria, do iG, durante reunião entre Cunha, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o vice-presidente, Michel Temer (PMDB), a quem comunicou que faria hoje o anúncio do rompimento. O deputado estava irritadíssimo com a denúncia contra ele.

Ao longo da tarde, veio à tona trecho da delação premiada do empresário Julio Camargo, da Toyo Setal, em que revelava ter sido pressionado pessoalmente por Eduardo Cunha a pagar US$ 5 milhões em propina, a fim de efetivar um contrato de navios-sonda junto à Petrobras.

O presidente da Câmara afirma ter "absoluta certeza" de que a denúncia faz parte de um plano orquestrado do governo e do PT contra ele. E de que é perseguido por Janot.

Segundo Tales Faria, outra hipótese dada por Cunha para recuar sobre o rompimento seria o compromisso da presidente Dilma Rousseff de que não reconduziria Janot ao cargo. O mandato do procurador-geral expira em setembro, e a presidente tem a opção de mantê-lo por mais dois anos ou nomear outra pessoa.

Temer teria dito a Cunha que seria impossível obter essa promessa de Dilma, pois, se assim o fizesse, Janot sairia como vítima e herói injustiçado. A presidente concorda com Cunha no ponto em que as investigações conduzidas pela Procuradoria-geral da República são o foco da crise política, mas não aceita os argumentos de que o governo está por trás da denúncia contra o presidente da Câmara.

Cunha autoriza CPIs contra o governo

Nesta tarde, horas depois do rompimento, feito às 11h em coletiva à imprensa, Cunha autorizou a criação de quatro CPIs na Câmara, sendo duas de interesses contrários ao governo – a do BNDES e a dos Fundos de Pensão. Os pedidos para criação dessas duas comissões sequer estavam em primeiro na fila.

O pedido para a criação da CPI do BNDES estava em sétimo na lista, e a dos fundos de pensão, em oitavo. Como apenas cinco comissões podem funcionar ao mesmo tempo, Cunha arquivou quatro pedidos que estavam na frente. O motivo: não possuíam "objeto de investigação determinado".
 
Tijolaço

0 comentários:

Postar um comentário