Gilmar surtou de vez

quinta-feira, 17 de setembro de 2015


 
Depois de sentar por um ano e meio em cima do processo da Ação de Inconstitucionalidade do financiamento empresarial de campanha, movido pela OAB, o julgamento continuou ontem, 16, com o voto do ministro Gilmar Mendes.

No começo o voto ainda teve alguma racionalidade, tentando desenvolver uma tese fraquíssima de que proibir o financiamento empresarial prejudicaria partidos da oposição (os "amados" tucanos) e beneficiaria os que estão no poder (segundo ele, projeto do PT se perpetuar no poder).

Mas quando se empolgou, o voto dele deixa no chinelo as reporcagens mais mirabolantes da revista Veja. Desceu a lenha no PT muito acima do tom.

Algumas pérolas:

Gilmar criticou duramente a OAB, acusando de estar a mando do PT.

Segundo Gilmar, o PT não precisa de dinheiro privado, nem público para financiar campanha, porque tem não sei quantos bilhões da Petrobras escondidos no exterior para fazer campanha até 2038 (nas palavras dele).

Ai, ai, ai ... só por um exercício de imaginação, vamos imaginar por um minuto que existisse esse dinheiro. Como poderia trazê-lo para usar em campanhas? E como poderia gastar tanto dinheiro sem que os adversários percebessem a disparidade de uma campanha muito rica comparada as outras que teriam de ter recursos mais ou menos iguais? E como fechar a prestação de contas perante a própria Justiça Eleitoral?

Só falta Gilmar dizer que o suposto dinheiro virá em um disco voador cubano vindo de Marte.

Acho que é bom fazer um exame na água que o ministro tomou para ver se alguém não colocou por engano alguma substância lisérgica tarja preta.

Agora, deixando essas maluquices sem pé nem cabeça de lado, como pode um ministro do STF fazer acusações tão graves sem provas? Ele fez outras acusações, também de natureza criminal, com base em ilações, na base do que delatores disseram "ter ouvido falar" (sem sequer dizer de quem) ou na base do "não sei, não vi, mas chuto que pode ter havido [pagamento de propina]".

Gilmar esteve muito acima do tom e fora de si. Estava completamente irracional. Sem exagero, pareceu ter surtado, com algum desequilíbrio mental.

A única coisa boa é que, por vias tortas, o surtado fez o contrário do que desejava. Fez, sem querer, a mais contundente crítica ao financiamento empresarial já vista nos últimos tempos.

Atualização: no fim da sessão, o advogado que defende a OAB pediu a palavra apenas para esclarecer que a ação de inconstitucionalidade tinha cinco anos, e o presidente da OAB naquela época, Ophir Cavalcanti era crítico ao governo petista.

Gilmar Mendes quis que Lewandowski não concedesse a palavra. Bateram boca, e Gilmar destemperado levantou-se e saiu bufando.


 

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