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Não vai ser fácil tirar Delcídio da cadeia

sexta-feira, 27 de novembro de 2015


Todos os advogados com quem conversei nos últimos dias foram unânimes: diante de todas as circunstâncias que fundamentaram a prisão de Delcídio do Amaral será muito difícil tirá-lo da cadeia.

Nenhum argumento dos seus advogados vai convencer o STF a conceder qualquer habeas-corpus, isso está fora de questão desde que se tornaram públicas gravações em que ele insinua que os ministros são suscetíveis a pressões, dele próprio e do vice-presidente da República.

Ele perdeu a imunidade, embora ainda continue senador e, portanto, tornou-se um simples mortal, como todos nós, e em pouco tempo seu mandato será cassado. O juiz Sérgio Moro já provou que com ele é sed lex, dura lex. O que ele decidir a respeito do senador, o STF deverá corroborar.

O seu destino está amarrado ao de seu delator para todo o sempre: enquanto Cerveró estiver cumprindo pena, em prisão fechada, semi-aberta ou domiciliar com tornozeleira ele também continuará preso, pois se for solto poderá potencialmente conspirar contra ele e a Lava Jato. Por baixo, por baixo ele ficará preso tanto tempo quanto Ceveró e mais o que for compatível com o crime de conspiração contra a Justiça etc etc.

Somente a delação premiada poderá atenuar sua pena. Resta saber o que ele teria a contar além do que Moro já ouviu de outros delatores.

Daqui de fora a impressão que dá é que o único assunto novo seria a revelação de que o esquema da Petrobrás começou antes do governo Lula, pois em 2001 Delcídio foi diretor da Petrobrás - se é que havia esquema na época e se é que ele está disposto a manchar ainda mais a sua reputação, já bastante maculada.

A outra opção é a que já começa a circular: dizer que tentou calar Cerveró a pedido da presidente, hipótese que se for cogitada não deverá prosperar por carecer de provas. A não ser que ele tenha grampeado a presidente.

Ninguém como Delcídio cabe no figurino de alguns velhos provérbios, tais como "quem vê cara não vê coração" e "por fora bela viola, por dentro pão bolorento".

A não ser por uma cena registrada por telefone celular em que ele reage com truculência ao se ver flagrado numa boate de Ibiza nas últimas férias parlamentares, seu comportamento, assim como seu vestuário sempre foram no mínimo elegantes e equilibrados, jamais pairou qualquer suspeição acerca de suas atividades parlamentares.

Quem dissesse há uma semana que ele um dia seria o aloprado número 1 da República passaria por maluco.

 

Alex Solnik

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