Pesquisar este blog




AXÉ ou coisa que o avacalha

terça-feira, 22 de dezembro de 2015





O axé surgiu na Bahia por volta de 1980, em manifestações carnavalescas, numa mistura de frevo pernambucano, ritmos afro-brasileiros, reggae, merengue e ritmos latinos. A música que a principio tinha como propósito motivar o público que perseguia os trio-elétricos, terminou se transformando em um gênero próprio.


No inicio de 1990, com o impulso dado pela mídia, o Axé ganhou o território nacional. As primeiras bandas e músicos dessa fase ocupavam uma posição digna entre as classes musicais, pois as músicas eram trabalhadas, continham melodias, ritmo e harmonia. Por exemplo, Daniela Mercury, entre outros nomes produziram em suas carreiras músicas de Axé de qualidade.


Entretanto, o gênero foi dominado por bandas que não tinham outro intuito senão alavancar uma coreografia através de uma canção que quase sempre sugeria “duplo sentido” de caráter sexual. “É o Tchan” e Chiclete com Banana, os criadores dessa continuação da fase de sucesso de Axé, trouxeram consigo uma enxurrada de bandas “axezeiros”, que encheram os ouvidos dos brasileiros de: “Dança/Melô”, “Vai mainha”, “sacode/balança”, “Isso neguinha/loirinha/ruivinha/moreninha/japonesinha”, “lá em Salvador”, “painho, como é bom!!! Juntinho, isso!”, “Passa a mão na”, “Segura o(a)”, “Vai descendo a”, “Agora sobe!!!! Tá gostoso!!!!! Vai mainha, sacode/balança, a”, etc.


Tendo em vista que os axezeiros não sabem tocar instrumentos como violinos, saxofone e clarineta restam apenas poucos instrumentos para eles, a guitarra eletrônica e um pandeiro (e esporádicamente um berimbau e muitos tambores).

As composições das letras das músicas são como uma ordem para o ouvinte, dos movimentos que ele deve fazer ou alguma frase/expressão de duplo sentido, claro, insinuando o lado sexual.


O grupo geralmente era formado por um ou dois vocalistas e várias dançarinas, nem sempre bonitas, mas sempre com a bunda grande – boa parte da idolatria descomunal que temos hoje referente a celebridade “vazias” tais como as panicats vem dessa cultura que foi criada pela onda Carla Perez e companhia ltda.


No ano 2005 em diante, o Axé perdeu a força consideravelmente e as suas principais representantes da época, Ivete e Cláudia Leitte, começaram a investir em um estilo mais pop – rock do que em axé. Atualmente temos bandas e cantores que continuam seguindo no puro axé music, como o Parangolé ( que tem músicas semelhantes ao ato de jogar merda no ventilador) e aqueles que alternam entre o pop rock e o axé ( esse ultimo só aparece quando está perto do carnaval) como é o caso da “pé-no-saco” da Ivete e da Claudia Leitte. Infelizmente, para os nossos ouvidos, o gênero, de gosto duvidoso, ainda resiste as mudanças do cenário musical. Aliás, música precisa ter melodia, letra e harmonia e nada disso o axé "music"   tem nos tempos atuais.


0 comentários:

Postar um comentário