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Chico Buarque é atacado por playboys arruaceiros simpatizantes do PSDB

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015




Chico Buarque foi cercado na noite da última segunda-feira no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro, onde reside, por um grupo de jovens fascistas que se declararam ‘antipetistas’. O cantor e compositor, que tem posições políticas assumidamente de esquerda, defendeu o Partido dos Trabalhadores (PT).

Chico saía de um jantar no restaurante Sushi Leblon, localizado na Rua Dias Ferreira, acompanhado do cineasta Cacá Diegues e do escritor e jornalista Eric Napomuceno.

Entre os coxas agressores que abordaram o ícone da MPB estava o filho de Álvaro Garnero, pretensioso empresário paulista. Herdeiro de uma família que se diz  tradicional, Álvaro se filiou ao PRB e cogitou ser candidato a deputado federal.

Um dos arruaceiros grita: “Petista, vá morar em Paris. O PT é bandido”. Em resposta, Chico diz, em tom de voz controlado: “Eu acho que o PSDB é bandido, e aí?”.

Apesar da agressividade dos playboys pessedebistas, Chico permaneceu calmo e ironizou a posição política do grupo, dizendo que “com base na revista Veja, não dá para se informar”. Um dos agressores, então, replica: “A minha opinião é a minha opinião”.



Chico Buarque é um verdadeiro mito da música e da militância. Um dos grandes artistas que burlaram a ditadura – como esquecer a genial Jorge Maravilha que, reza a lenda, referia-se à filha do ex-presidente Ernesto Geisel?


É um artista brasileiro que jamais será esquecido. É aquele que já escreveu a sua história e ajudou – ainda ajuda, ao que nos parece – a escrever a história política de seu país. Ele definitivamente não precisa provar nada a ninguém.
Não precisa consumir os próprios neurônios discutindo com meia dúzia de jovens arruaceiros que provavelmente não têm a menor ideia do que estão dizendo. Não precisa, definitivamente, estragar o próprio jantar preocupando-se com os impropérios de quem – francamente! – não deveria sequer ter a pachorra de se dirigir a ele.


Chico não precisou levantar a voz para os fascistas que o abordaram na saída de um restaurante. Há pessoas que não merecem o nosso latim. É como jogar pérolas aos porcos, como diria a minha avó.
Nenhum grito vazio em pleno Leblon falaria mais do que a genial letra de “Cálice.” Nenhum insulto odioso seria mais didático que “Acorda amor”. A obra de Chico fala por ele. Do mesmo modo, o nosso discurso – sutil, elegante, calmo – fala por nós.

Aliás, é inútil tentar convencer quem não quer construir absolutamente nada além do alvoroço.




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