Carnaval de antanho

sábado, 30 de janeiro de 2016








Reprisa no fundo do baú de minha memória um carnaval de apenas três dias quando, ao  ostentar pela Avenida J.J. Seabra, usei uma fantasia confeccionada pelo exclusivo e  inimitável alfaiate João Pacheco. A fantasia simbolizava um gavião de terno e gravata que pulava na folia à caça de andorinhas, odaliscas e colombinas.



O Abre Alas, com percussão de triunfante cadência, tinha no seu comando a batucada regida por Silvio Bandeira e o  "Balancei a roseira/ a rosa caiu/ rosa tem espinhos/ rosa me traiu" letra de  um  samba muito em voga, incluído no repertório da batucada de Silvio.



Os clubes sociais Sete de Setembro e Operária, concorrentes, esmeravam-se na decoração momesca, disputando a participação do inesquecível maestro e saxofonista Mário Rapadura, bem assim, do inconfundível Hermes que fazia do seu trombone o instrumento das marchinhas idílicas com inigualável competência, além de Pedro Cachaça, exímio baterista e o discreto Manoel Guerreiro, tocador de banjo.



O tríduo momesco  espalhava-se pela cidade até a dispersão no periférico cabaré de Lourenço, ao tempo em que as graciosas cabrochas da rua do Perau desfilavam com seu estandarte de coloridas lantejoulas e paetês, recebendo merecidos aplausos  do cordão dos marmanjos e dos velhos assanhados que caiam no ráli-gáli, sassaricando na esquina da rua Monsenhor Costa com a praça Dom Máximo.



O aguadeiro Bonitinho não precisava nem usar "máscara de careta", Galo Cego, vigia do hospital, Queném, Eremita, Marciano, Dionísia e outros símbolos  populares das ruas, também se esbaldavam no carnaval com as suas fantasia do dia-a-dia, sempre alvos de brincadeiras da indiscreta rapaziada do Momo.



Os entrudos, já em plena decadência, consistiam em jogar foliões na Ipueira, da rampa da praça Getúlio Vargas, permitido pelo  rio cheio no mês de fevereiro, havendo riscos de afogamentos, alguns etílicos, embora sem registros fatais, porquanto todos sabiam nadar e comer água indiscriminadamente.



Pelo sim pelo não, mudou o carnaval, mudou XiqueXique, mas não mudei eu, continuo na mesma festa saindo no bloco dos Incutidos, talvez  vá de  “Burrai”   na Quarta-Feira de Cinzas de 2017, porque neste bendito  ano de 2016 não haverá carnaval em Xique-Xique  e  dizem que é por causa da chuva.





Nilson Machado de Azevedo

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