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DIGA AO POVO QUE FICO

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016




Neste 9 de Janeiro comemora-se o Dia do Fico, data crucial no processo de independência do Brasil em relação a Portugal, em 1822. Segundo a história oficial, nesse dia o então príncipe regente e futuro imperador Pedro I do Brasil recebeu um documento com 8.000 assinaturas pedindo que permanecesse no Rio de Janeiro, desobedecendo as ordens das Cortes Constituintes Portuguesas. Em seguida, apareceu em uma das janelas laterais do Paço Imperial, no centro cidade, e pronunciou uma frase  decidida e corajosa: . “Como é para bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto: diga ao povo que fico!”

A famosa declaração do Fico envolve, porém, um mistério. Segundo o historiador Tobias Monteiro, ao receber o abaixo-assinado, Dom Pedro teria dito: “Convencido de que a presença de minha pessoa no Brasil interessa ao bem de toda a nação portuguesa, e conhecido que a vontade de algumas províncias assim o requer, demorarei a minha saída até que as cortes e o meu Augusto Pai e Senhor deliberem a este respeito, com perfeito conhecimento das circunstâncias que têm ocorrido”. Essa é a versão constante dos autos da vereação e do edital publicados no mesmo dia – uma resposta prudente, sem rompimentos, na qual invocava “o bem de toda a nação portuguesa” e respeito às cortes e ao seu pai e rei de Portugal, Dom João VI. Misteriosamente, no dia seguinte um novo edital foi publicado com palavras mais enérgicas.

   Quem teria mudado a frase de Dom Pedro?

As suspeitas recaem sobre a maçonaria carioca.  A nova versão estava mais de acordo com as expectativas dos maçons do Rio de Janeiro, mentores do abaixo-assinado e interessados em promover o príncipe Dom Pedro à condição de protagonista da Independência. O documento tinha sido preparado nos dias anteriores em uma modesta cela no Convento de Santo Antônio, situado no Largo da Carioca. Seu ocupante, frei Francisco Sampaio, era ligado à maçonaria e foi o autor da representação que, em nome dos habitantes da cidade, seria entregue ao príncipe pedindo que ficasse no Brasil.

 



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