João Santana é um preso político

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016





Deixa ver se eu entendi: a Polícia Federal e o juiz Sergio Moro afirmaram, textualmente, que a prisão de João Santana não tem nada a ver com as campanhas do PT e mesmo assim a imprensa e a oposição fazem ilações de que vai sobrar para a presidente Dilma?

Desconfio que a imprensa não lê o que escreve. Na página X a "Folha" publica a declaração de Moro que inocenta as campanhas do PT; na manchete, diz que a prisão de Santana dá fôlego ao impeachment.
Me recuso a qualificar João Santana de bandido, que é o que tenta fazer o noticiário.

O que ele fez – receber em dólares, no exterior – foi a mesma coisa que fez Duda Mendonça, embora sejam coisas diferentes, pois Duda admitiu que recebeu no exterior pela campanha e Santana recebeu de outras campanhas que fez no exterior. Duda foi absolvido pelo STF. O que valia não vale mais?
Por que então prenderam João Santana?

Para que voltem a bater panelas, como voltaram?
Para reacender a brasa adormecida do impeachment, como reacendeu?
Para alimentar discursos de insanos como Roberto Freire, que nunca mais se recuperou depois de se indignar com a "decisão" de que as cédulas em vez da inscrição "em Deus confiamos" trariam "em Lula confiamos"?
As três perguntas têm a mesma resposta: sim.

Quer dizer, então, que é uma prisão com fins políticos. Prisão política.
João Santana é um preso político em plena democracia.
E quando o caldeirão de cultura do golpe estiver fervilhando ele será solto.
Moro, Cunha, Gilmar Mendes não vão mais precisar dele.
Está aí porque o prenderam: ele foi preso para ser solto.

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