AFRONTA AO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO

domingo, 14 de fevereiro de 2016

 
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) disse ter sido uma "provocação" a divulgação, em uma terça-feira de carnaval, quando o Judiciário sequer trabalha, da decisão do juiz Sérgio Moro autorizando a abertura de um inquérito para investigar o sítio em Atibaia frequentado pela família do ex-presidente Lula; para o petista, o fato tem relação com a data em que o PT comemora 36 anos, nesta quarta, quando todos os jornais amanheceram com essa notícia estampada; "Eu tenho convicção de que é isso", diz; sobre a notícia de que a divulgação da decisão de Moro foi um "equívoco", como afirmou hoje o magistrado, "no mínimo deve ser vista como uma provocação, um deboche, um escárnio"; "Equívoco com o ex-presidente da República, em um cenário como esse?", questiona o parlamentar
 
 
 
Na visão do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), a decisão do juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato, de autorizar a abertura de um inquérito para investigar um sítio em Atibaia (SP) frequentado pela família do ex-presidente Lula é uma "provocação" e "afronta o estado democrático de direito".

O parlamentar resgatou o fato de que a Lava Jato foi aberta para apurar o cartel de empresas que prestavam serviços para a Petrobras, pelos quais pagavam propina e fraudavam contratos bilionários. E que em "um cenário delicado e complexo como esse, o Sérgio Moro autoriza uma investigação de benfeitorias num sítio em Atibaia. Isso afronta o estado democrático de direito".

"Aí isso é notícia em todos os jornais no dia do aniversário do partido", acrescenta Pimenta. Questionado se acredita que a decisão, divulgada no feriado, teria relação com os 36 anos do PT, comemorados nesta quarta-feira, o deputado afirma: "Eu tenho convicção de que é isso". Sobre a informação de Sérgio Moro, publicada nesta quarta, de que a divulgação de sua decisão foi um "equívoco", uma vez que o processo corre sob sigilo, Pimenta vê como um "deboche".
 
"Equívoco com o ex-presidente da República em um cenário como esse?", questiona. "No mínimo isso deve ser visto como uma provocação, um deboche, um escárnio... Uma forma de dizer 'olha, eu faço o que eu quero, da maneira que eu quero. E se vocês não gostarem, não adianta reclamar, porque comigo é isso aqui'. Estou convencido disso", reforça o deputado.

Ação seletiva
Para Paulo Pimenta, a decisão de Moro autorizando a investigação sobre o sítio "só reforça a convicção que nós estamos diante de uma ação seletiva que envolve setores – Polícia Federal, Ministério Público Federal – e acabam tendo a guarida do poder Judiciário e a proteção da grande mídia para uma operação seletiva jamais vista na história do Brasil".

Segundo o deputado, "não existe nenhuma autoridade desde Getúlio Vargas que tenha sido submetida a um processo de tentativa de macular a sua história como Lula está sofrendo. São tantas as vertentes... tem os dois filhos, a nora, a esposa, as palestras, o sítio, o apartamento, os caças suecos, o trabalho do filho no Corinthians, o plágio", contabiliza o petista.

"São tantas... que isso já ficou evidente (a perseguição). Até blitz ambiental no sítio pode ter, visitas a padaria, lojas. Nunca nesse país se investigou o patrimônio do [ex-presidente] Fernando Henrique, o apartamento em Indianópolis, o apartamento em Paris, as emissoras que Aécio [Neves] tem, que contrato que fez... Então é evidente que há uma ação política, e ela tem como pano de fundo a tentativa de impedir que Lula volte, e que acaba tendo um verniz de legalidade".
 
"É tão evidente a seletividade que os setores da burocracia (PF, MPF) perdem já o cuidado de qualquer liturgia". "Dona Marisa [esposa de Lula] é chamada para depor, e a mulher do [presidente da Câmara, Eduardo] Cunha, nunca depôs", compara, mencionando o deputado que é alvo de inquérito por corrupção no STF e acusado de manter contas secretas na Suíça.

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