Mordomo de filme de terror tentará governar um país de 200 milhões

terça-feira, 10 de maio de 2016



O tratamento generoso que Michel Temer tem recebido da maioria dos analistas políticos explica-se por uma razão ululante. Num país onde uma parcela crescente da população se recusa a aceitar um golpe de Estado de braços cruzados, todo cuidado é pouco para esconder fraquezas incuráveis de um governo construído sem legitimidade popular, em torno de uma liderança política fraca, condenada a ser tutelado pelas mesmas forças responsáveis pelo estrangulamento de Dilma Rousseff.

Se a experiência ensina que nenhum presidente capaz de herdar o cargo no final de um processo de impeachment está livre de ter seu mandato questionado desde o primeiro dia, pois lhe falta a legitimidade do voto popular, o caso de Michel Temer é bem mais grave.

Ao participar de uma conspiração ativa para derrubar Dilma Rousseff e assumir sua cadeira, o que implica em dissimular e enganar, o vice deixou dúvidas inevitáveis sobre sua credibilidade.    

Não é uma dificuldade pequena, diante da circunstância de quem tentará governar um país de 200 milhões de habitantes e imensas contradições com o apoio, basicamente, daquilo que puder combinar e prometer.   

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