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Um dia de mãe

domingo, 8 de maio de 2016




Sabe aquela frase que vira e mexe você escuta por aí: “Ser mãe é padecer no paraíso ou  ela é a rainha do lar? Pois é, possivelmente deve ter sido inventada por um ilustrativo homem pançudo, daqueles de cartola, fumando charuto, de fraque e bengala, tendo os olhos a lacrimejar cifrões  com a máquina registradora à sua frente, lançando slogans capitalistas para sensibilizá-lo a fazer novas compras enquanto o  seu cartão de crédito, se é que se tem, dá tremeliques e afunda-se em dívidas por conta, entre outras, dos gastos recentes realizados com os tais ovos de chocolate da Páscoa que muitos andaram a comprar, no mês passado.

Longe de mim querer ser rotulado de  chato. Direi apenas que o dia das mães, na forma como se festeja, é  mais uma invenção da enganadora sociedade capitalista, que recorre a datas comemorativas com o intuito único e exclusivo de fortalecer seus caixas, seus comércios, suas empresas,  por meio do consumo nervoso, desenfreado,  paranoico,  graças ao  incentivo midiático que abastece a alienação cultural impositiva.

Dizem que por um lado isso é  bom, pois gera empregos temporários. Mas, de outro lado, digo eu, isso acaba pressionando as pessoas a consumir cada vez mais, inspiradas pelo apelo das bem elaboradas propagandas, do tipo: “Compre esse perfume para dar um cheiro em sua mãe que ela vai adorar”, “Sua mãe não merece ganhar esse sapato de salto alto, portanto compre batom",    "É esparrela sua mãe sem presente no dia dela”   e... por aí vai.

É por isso e em razão de tudo isto estamos no mesmo barco, exaurindo a imagem que nos venderam, a ambicionar o segundo domingo de maio, reforçando a base da pirâmide capitalista não obstante a constância da vida que não deveria ser convertida, forçosamente,  em  produtos de consumo.

À vista disso, dirijo minha solidariedade às mães e mulheres trabalhadoras de todo Brasil, cujo sentimental ainda não foi destruído pela mídia e pelos persuasivos presentes materiais. 

Continuo  a acreditar no valor das pequenas coisas, pois  grande é afirmar  que mãe é a soma de todos os afetos.

nilson machado de azevedo

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