O mordomo usurpador lidera equipe de homens velhos, ricos e brancos

domingo, 5 de junho de 2016



“Eu jamais pensei que assistiria alguém ameaçar o Bolsa Família e as conquistas na área de educação. Nunca pensei que num país com essa diversidade pudessem extinguir o Ministério da Cultura. Não é um capricho nosso querer que sejamos representadas no primeiro escalão do governo, porque não é possível deixar que ocorra estupro coletivo ou segregação de babás”.

A frase foi dita pela presidenta afastada Dilma Rousseff a uma multidão de mulheres que participou da Marcha das Mulheres pela Democracia e Cultura contra o Golpe no Rio de Janeiro.

Ela se referia a dois temas muito populares nas redes sociais: à proibição do uso do banheiro das sócias por babás, no Country Club do Rio de Janeiro, e ao estupro coletivo de uma adolescente por um bando de marmanjos na mesma cidade.

“Essa cultura do estupro contra as mulheres e da exclusão social é algo que nós sabemos que tem que ser combatido por todos os movimentos, mas também pelos governos. É lamentável que ao escolher uma secretária das mulheres ela se manifeste contra o aborto em caso de estupro, previsto em lei. É uma conquista ainda pequena das mulheres, mas é uma conquista.

Um agente público, homem ou mulher, mas sobretudo uma mulher, não pode achar que as suas convicções pessoais se sobreponham à lei”, afirmou Dilma.

É uma referência a Fátima Pelaes, indicada pelo governo Temer para a Secretaria de Políticas para Mulheres. A ex-deputada diz que, depois que “encontrou Jesus”, não levanta mais bandeiras contrárias “aos valores bíblicos”.

Porém, depois da nomeação, ela divulgou a seguinte nota: “Sempre trabalhei de forma democrática para defender a ampliação dos direitos das mulheres. Em respeito à minha história de vida, o meu posicionamento sobre a descriminalização do aborto não vai afetar o debate de qualquer questão a frente da Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres. 

A mulher vítima de estupro, que optar pela interrupção da gravidez, deve ter total apoio do Estado, direito hoje já garantido por lei. Trabalharei, incansavelmente, para combater qualquer tipo de violência contra a mulher”.

Em seu discurso, Dilma também falou sobre o impeachment a partir de um ponto-de-vista feminista:
“No início eles queriam que eu renunciasse, para tirar o incômodo que é a minha presença. Eu não cometi nenhum crime de corrupção, não desviei dinheiro público, não tenho conta na Suíça, então era melhor que eu renunciasse para evitar o incômodo de tirar uma pessoa inocente.

As mulheres resistem, seguram uma barra feia e seguram o bonde. A minha vida inteira eu lutei contra a ditadura nesse país. E agora eu tenho a honra de lutar pela democracia nesse país. Eu sei que sou um grande incomodo, porque, como eu sou mulher, eles confundem as coisas. Eles falam que mulher é frágil, mas, se a gente fosse frágil, a gente não criava filho, não segurava trabalhar e cuidar das crianças, não conseguiríamos ter um trabalho decente, nos formar nas universidades, somos a maioria em vários cursos.

E se a gente fosse tão frágil, eu não seria a primeira mulher presidente”.

Apesar do bom discurso da mandatária, a inépcia de sua assessoria pode reduzir o impacto da fala. As publicações de Dilma são feitas exclusivamente na plataforma do Facebook e um vídeo de baixa qualidade técnica, com cerca de 40 minutos de duração, nem sempre obtém a reprodução de vídeos editados, com os melhores momentos, que podem circular do Twitter ao YouTube, do Vimeo ao WhatsApp.

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