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O CHERNOVIZ

quinta-feira, 28 de julho de 2016

O Formulário Chernoviz foi presença obrigatória nas farmácias antes da criação da farmacopeia brasileira.
Pedro Luiz Napoleão Chernoviz era o nome abrasileirado de Piotr Czerniewicz que nasceu em Lukov, na Polonia,  em 11 de setembro de 1812  e faleceu em Paris, em 31 de agosto de 1881.
Foi um médico, escritor e editor científico.
Ele imigrou para Brasil em meados do Século 19 em uma missão em nome do rei Louis-Philippe de France a pedido do Imperador Dom Pedro II do Brasil.



O Século XX alvorecia e meu bisavô paterno, Antonio Nunes de Azevedo, clinicava mesclando a medicina com sua atividade farmacêutica, profissão muito evidenciada na época.

Assim, ele laborava com afinco no estado do Piauí e pela região são franciscana, Remanso, Casa Nova, Sento Sé,  até às terras margeadas pelo  rio Corrente, alcançando o povoado de Porto Novo e a cidade de Santa Maria da Vitória no Oeste baiano.

Na epidemia da Gripe Espanhola ocorrida em 1918 e 1919, meu bisavô salvou muita gente por esse sertão afora.

Esse bisavô que eu gostaria de ter conhecido, em vida, consultava, não raro, o FORMULÁRIO CHERNOVIZ.

Naqueles tempos de Brasil agrário, subdesenvolvido e de máximas dificuldades, com raríssimos médicos notadamente no interior da Bahia, máxime no sertão do São Francisco, é bom dizer que meu bisavô, na condição de farmacêutico, sarava os ribeirinhos enfermos que não eram poucos.

O Formulário Chernoviz do meu bisavô, foi herdado por meu querido avô José Nunes de Azevedo, Juquinha, que também receitava e que não me ofertou o precioso livro porque eu, ainda menino, esqueci de lhe pedir. 

Nos dias atuais, meu tio Aurenil, residente no Alto Cheiroso, em Juazeiro-BA,  é o único detentor e legítimo possuidor desse raro Chernoviz.

Mas o tio Aurenil, com muita razão, não empresta, não doa e sempre desconversa quando o assunto do Chernoviz vem à baila.

Por via de consequência, adquiri, por uma pequena fortuna, num sebo em Curitiba no Paraná, essa 18ª edição, de 1908, (foto) que as traças passaram ao largo, como sói não deve ter acontecido com o Chernoviz dos meus parentes.

Tenho hoje a relíquia da 18ª edição do Formulário Chernoviz, para meu deleite e para as minhas pesquisas e leituras sobre os costumes e tratamento de doenças no Brasil do Século XIX.

A título de curiosidade, meu bisavô casou-se cinco vezes e três das suas legítimas esposas eram irmãs.

Nilson Machado de Azevedo








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