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Salvador é a cidade onde mais se trai no Brasil

terça-feira, 5 de julho de 2016



Os homens seguem liderando o ranking e traindo mais do que mulheres. Mas eis a novidade: Salvador é a cidade com o maior índice de infidelidade. De acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) – que ouviu brasileiros de sete regiões metropolitanas –, 45,8% dos soteropolitanos, entre homens e mulheres, admitiram já ter traído. A média nacional é 40,5%.
A pesquisa em questão, intitulada como Mosaico 2.0, foi elaborada pela psiquiatra Carmita Adbo, coordenadora do Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Foram entrevistadas 3 mil pessoas, entre 18 e 70 anos. Segundo o levantamento, 50,5% dos homens admitiram a traição, contra 30,2% das mulheres. 
A pesquisadora não mostrou surpresa com a diferença entre os sexos. Ela afirma que, na cultura latina, o indivíduo do sexo masculino está mais propenso à traição. “O homem diz que isso faz parte da natureza masculina, que ele não vai abrir mão da oportunidade”, ratificou. Em relação à infidelidade da mulher, Carmita afirma que geralmente ela trai por estar insatisfeita com a relação amorosa. “Há uma insatisfação sexual ou afetiva, por isso ela se permite”, explicou.

Soteropolitanos opinam
Alguns soteropolitanos, como o diretor de criação, Rumenil Pimentel, 24, admitiram à nossa equipe de reportagem que já foram infiéis. Pimental reforçou a teoria da psiquiatra que conduziu a pesquisa Mosaico 2.0. “É instintivo o homem ser sacana. Eu traí porque fui sacana. Estava numa festa e fiquei com outra pessoa. E acho que têm muitas mulheres que traem porque foram traídas”, opinou.
Para a estagiária de produção, Ive Oliveira, 22, a liderança da capital baiana no quesito infidelidade por ter influência do Carnaval. No entanto, ela defende que é preciso desconstruir que o homem trai por instinto. “Isso é só mais um exemplo da sociedade machista em que vivemos. Eles justificam traição pelo fato de acharem que é um instinto, mas esse instinto não passa de uma construção social”, avaliou. 
O web designer Thiago Honorato, 25, considerou a pesquisa Mosaico 2.0 insignificante. “E ainda catalisadora de estigmas sociais. Acredito que as pessoas sentem atrações por outras mesmo estando em um relacionamento. Concretizar o que está sendo colocado como traição pode partir de vários desejos, oportunidades ou insatisfações. Concordo com a relação em Salvador. Acredito que aqui temos uma cultura libidinosa, mista à ausência de valores de companheirismo”, examinou.
Natural de Contagem (MG), a auxiliar administrativa, Vanessa Oliveira, visita a capital baiana sempre que pode. Ela ficou surpresa com os dados. “É uma porcentagem bem alta, mas não acredito que tenha a ver com regionalidade. Só que a relação de gênero faz sentido. Homens, em sua maioria, são carnais. E as mulheres mais sentimentais. Tenho vários amigos que traem as namoradas e contam isso com a maior naturalidade, como se tal atitude fosse digna de aplausos. Já as amigas que chegaram a trair, foi nos extremos da crise no relacionamento”, contou.
Também surpresa com o levantamento, a soteropolitana Evellynn Rocha, 26, diverge. “Soterapolitanos traem mais? Preocupante. Homens e mulheres traem por serem imperfeitos e terem vontades além da que sentem com o cônjuge. Os homens têm o peso da cultura do machismo, implantada desde a educação doméstica até a aceitação na sociedade. Acho bem superficial justificar a traição dos homens como instinto e mulheres como infelicidade”.

O estudante Paulo Barbosa, 22, afirma nunca ter traído, uma vez que assumiu que não aceitaria submeter sua fidelidade sexual a uma só pessoa. “Justificar a traição como parte da natureza e infelicidade é apenas covardia. Assumir um relacionamento monogâmico, sabendo que a sua “natureza” é contraria, é simplesmente desonesto. E continuar um relacionamento infeliz é apenas outra vertente disso”, avaliou.

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