O Rio São Francisco nasceu das lágrimas derramadas pela índia Irati

sexta-feira, 12 de agosto de 2016





Diz a lenda que antes do rio São Francisco ser formado, viviam tribos indígenas nos chapadões da bacia e entre essas tribos, existia uma doce índia chamada Irati, noiva de um forte guerreiro.

Com saudade do bravo companheiro que foi lutar pela posse da terra contra o homem branco e não voltou mais, Irati sentou em um pedra e chorou dias. De tão grande, sua tristeza deu origem ao Opará, que significa rio-mar, na linguagem indígena. Os passos dos guerreiros à caminho da guerra afundaram a terra criando um grande sulco. As lágrimas da índia Irati escorreram por esse sulco e pelo chapadão, despencando do alto da serra formando uma linda cascata. As águas da cascata  escorreram  para o norte e até hoje deságua no oceano Atlântico.



Infelizmente para a índia Irati e o seu noivo guerreiro essa história não teve final feliz, mas para nós e milhões de pessoas, que vivem desse rio feito das lágrimas de saudade de uma índia apaixonada, as suas águas  são sagradas.



 O Velho Chico, apesar de continuar belo, jamais esteve tão maltratado. Mesmo assim, continua fertilizando terras de cinco Estados, dando de beber aos barranqueiros, povoando de sonhos e lendas dos lugares por onde passa, encantando seus navegantes.



Nas últimas décadas, o São Francisco já perdeu três dos 16 afluentes perenes. Os rios Verde Grande, Salitre e Ipanema tornaram-se temporários, reduzindo o volume de água disponível para navegação, irrigação, pesca e geração de energia. Os três rios deixaram de ser permanentes por causa da ação devastadora de siderúrgicas de Minas Gerais e mineradoras baianas – que utilizavam a mata ciliar na produção de carvão.

Além disso, há a poluição provocada pelas cidades. A metrópole de Belo Horizonte, por exemplo, situada na bacia do São Francisco, castiga o principal afluente do Velho Chico, o Rio das Velhas, com o lançamento de esgotos de uma população superior a 4 milhões de habitantes.


Atualmente, depois dos estragos causados pela exploração de ouro e diamante no quadrilátero ferrífero mineiro no passado recente, a principal ameaça ao futuro do São Francisco vem da atividade agrícola, com o avanço das plantações de soja e café nos cerrados baianos.

Por conta desta secular imprevidência, o leito do rio está a cada ano mais assoreado e poluído, de acordo com o relato geral dos próprios moradores das comunidades ribeirinhas e pescadores. Só no lago de Sobradinho, por exemplo, o rio despeja 18 milhões de toneladas de areia, numa quantidade de sedimento que corresponde a uma área de 10 mil hectares. Não é por outro motivo que se verificam tantas reclamações dos pescadores. A atividade pesqueira também vem decaindo.

A exemplo do rio, as populações que moram em suas margens também estão entregues à própria sorte. A pobreza de cinco séculos foi amenizada com os projetos de irrigação, mas a miséria continua lá, especialmente quando o rio atravessa as regiões mais tórridas que se debruçam sobre as suas margens.

A origem do problema é conhecida há muito tempo. Depois do ciclo do ouro, a região do vale voltou ao abandono dos tempos primitivos. A poluição urbana é a grande vilã e  quem sofre são as comunidades ribeirinhas.

Não é demais  afirmar que o Brasil jamais teria se formado com essa extensão do seu território se não fosse os caminhos proporcionados  pelo São Francisco.

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