Pesquisar este blog




Serra gera incidente diplomático na oferta de suborno ao Uruguai

quarta-feira, 17 de agosto de 2016


Na visita ao país vizinho no início de julho, Serra esteve acompanhado do ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso para uma reunião com o presidente uruguaio Tabaré Vázquez


A oferta do senador licenciado José Serra (PSDB-SP), atualmente no grupo do presidente de facto, Michel Temer, – com o cargo de chanceler – ao governo democrático do Uruguai gerou um mal estar ainda maior, na tarde desta terça-feira. Após divulgada a decisão do Itamaraty, sob a gestão imposta aos brasileiros após o golpe de Estado que afastou a presidenta Dilma Rousseff, de convocar o embaixador do Brasil no Uruguai, Carlos Daniel Amorín-Tenconi, Serra causa o primeiro incidente diplomático do novo período de exceção no Brasil. A chancelaria brasileira quer explicações sobre a denúncia do equivalente uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, de que Serra teria tentado “comprar o voto do Uruguai”, em uma clara tentativa de suborno ao país vizinho, ao pedir que não transferisse a Presidência pró-tempore do Mercosul à Venezuela.
— Não gostamos muito de que Serra tenha vindo visitar o Uruguai para nos dizer, e ele fez disso algo público, por isso digo, que vinha com a pretensão de que se suspendesse a transferência (da Presidência do Mercosul) e que, além disso, se nós a suspendêssemos, nos levaria em negociações com outros países, tentando comprar o voto do Uruguai — denunciou Novoa a tentativa aberta de suborno, durante encontro da Comissão de Assuntos Internacionais de Deputados na última quarta-feira, cuja declaração transcrita foi publicada pelo jornal local El País, que teve acesso ao documento.
Na visita ao país vizinho no início de julho, Serra esteve acompanhado do ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso para uma reunião com o presidente uruguaio Tabaré Vázquez. Em entrevista à imprensa, Serra afirmou que o Brasil faria uma “grande ofensiva” comercial na África e no Irã e queria que apenas o Uruguai, entre todos os outros países do Mercosul, participasse como “sócio”. Para tanto, o Uruguai deveria suspender a transferência da Presidência rotativa do bloco, o que o país vizinho recusou-se a fazer.
— O presidente o respondeu de maneira clara e contundente: o Uruguai cumprirá com a normativa (do bloco) e vai convocar a mudança da Presidência — informou Novoa.
A intervenção de Serra “incomodou muito” o presidente Vázquez, acrescenta o chanceler:
— O Uruguai não iria permanecer na presidência de jeito nenhum; atendendo a norma, em seis meses, deixaríamos o cargo.
O ministro disse ainda que, para Montevidéu, a “Venezuela é o legítimo ocupante da presidência pró-tempore, portanto, quando convocar uma reunião o governo uruguaio irá. Se os outros não forem, a responsabilidade será deles”.
Para ele, Brasil, Paraguai e Argentina — que não reconheceram a Venezuela à frente do bloco — querem “fazer bullying” contra o país.
— Eu digo com todas as letras. Eles pulam o jurídico, que contém o corpo normativo [do Mercosul], e, alegando razões que não estão aqui, querem eludir, erodir, fazer bullying contra Presidência da Venezuela. Esta é a pura verdade — afirmou.

No entanto, o ministro uruguaio ponderou que o impasse pelo cargo do Mercosul “não poderá se repetir em dezembro, quando a Venezuela tenha que passa-lo à Argentina”.


0 comentários:

Postar um comentário