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Um nome estapafúrdio pior que Passarinho

quarta-feira, 3 de agosto de 2016



Anastasia, pior que Passarinho: nem escrúpulos de consciência tem, para mandar às favas
Em dezembro de 1968, ao participar da reunião que em que Costa e Silva decidiu pela implantação do AI-5 e, com ele, a suspensão dos míseros direitos individuais que restavam após o golpe de 1964, o coronel Jarbas Passarinho, pronunciou seu famoso “Às favas, senhor presidente, neste momento, todos os escrúpulos de consciência” e acompanhou a violência que se praticava ali.

Antonio Anastasia, ao ler seu relatório pela cassação de Dilma, sequer a sinceridade do desabafo de Passarinho tem.

Se não manda às favas seus escrúpulos de consciência ao condenar uma governante eleita e uma mulher honesta, por crimes que, simplesmente, não existiram – e peritos e MP o afirmam -, mas apenas porque isso é parte do golpe político, mostra que, se escrúpulos não tem para lançar fora, queira o destino tenha uma consciência na qual lhe ardam a culpa e o remorso de sua vilania.

Senador, o tempo, que anistia os pecadilhos de qualquer existência humana, é impiedoso com o grande pecado dos liberticidas e dos golpistas.

Se os filhos, criados na fartura que a vida política democrática lhe deu, não se envergonharem de seu pai, os netos, um dia, inocentes, terão vergonha de dizer que o avô era um golpista. O nome pode ficar algum tempo batizando avenidas e praças, mas acabará sendo tirado de lá, como acabaram sendo os que não tiveram escrúpulos ou os lançaram fora.

Não escrevo com ódio, mas constrangimento ver um homem prestar-se a isso.

Nada o obrigava ao papel de algoz, nada lhe exigia tomar o machado nas mãos.

Nada, exceto o seu sabujismo a Aécio Neves, ao playboy tardio que lhe deu, por procuração, o Governo de Minas, mesmo antes de que o senhor fosse eleito, porque administrar e trabalhar eram a ele tarefas enfadonhas.

Até agora, o senhor tinha o direito àquilo que todos nós temos: que o tempo que nos leva, levasse também nossos nomes ao descanso e ao esquecimento.

Mas o de Antonio ANASTASIA, agora, estará gravado no mármore da infâmia, com o título que nem Jarbas Passarinho mereceu: o que não mandou às favas seus escrúpulos porque sequer os tinha.

(Texto de Fernando Brito no Tijolaço)

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