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O retorno dos anos de chumbo e da porrada

sexta-feira, 2 de setembro de 2016



Michel Temer tem a receita para todos os brasileiros se darem as mãos, como numa propaganda antiga da Coca Cola. Na noite de quarta, 31, assim que assumiu a presidência na esteira de um vexame internacional, fez um pronunciamento de cinco minutos.

Prometeu reformas na previdência e nas leis trabalhistas e falou o seguinte: “Meu único interesse, e que encaro como questão de honra, é entregar ao meu sucessor um país reconciliado, pacificado e em ritmo de crescimento. Um país que dê orgulho aos seus cidadãos”.

Um de seus porta vozes na imprensa, Gerson Camarotti, da Globo News, criticou a fala de Dilma pós-impeachment antepondo-a a essa lenga lenga temerista.

Dilma, apontou o macambúzio GC, fez uma “declaração de guerra”. Segundo o jornalista, Temer estava, até então, numa “linha de conciliação”. Em anúncio de página inteira nos principais jornais — homenagem aos sócios —, a Fiesp acha que “é hora de todos juntos reconstruirmos o país”.

Como gosta de lembrar o seu filho adolescente: não vai rolar. Ou, segundo o professor Vladimir Safatle: hoje, nós apenas ocupamos o mesmo território.

Um sujeito lidera uma gangue que arma uma fraude, conspira, atropela o voto de 54 milhões, faz parte de uma campanha assassina contra titular, enxovalha sua reputação, limpa a bunda com a Constituição, cassa seu mandato, dá um golpe — e agora fala em “pacificação”.

Não. Tudo indica que não vai rolar. Temer, o covarde que fugiu de vaias na Olimpíada, terá que continuar clandestino.

Na quinta, 1º de setembro, pelo terceiro dia seguido, manifestantes ocuparam as ruas de várias capitais. Em São Paulo, uma estudante chamada Deborah Fabri teve o olho perfurado por estilhaços de uma “bomba de efeito moral”.

Pacificação?

Em Caxias do Sul, um advogado de 51 anos foi espancado por três policiais com cassetetes depois que os manifestantes já haviam se dispersado. Tomou porrada no corpo inteiro. Num determinado momento, ele caiu no chão com um soldado. O filho dele se aproximou e chutou a cabeça do PM.


Pacificação?

Um homem agrediu a senadora Vanessa Grazziotin no avião. Ela filmou o começo do entrevero, até o instante em que ele agarra a câmera. O valentão foi detido pela PF.

Segundo uma testemunha ouvida pelo Portal Paraná, o animal a pegou pelo cabelo até ela bater a cabeça no braço da poltrona. Vanessa tinha ido a Curitiba visitar a mãe. Equivocadamente, não quis registrar boletim de ocorrência.

Pouco a pouco, o golpista sem pescoço vai descobrindo maneiras de garantir a “pacificação”. Autorizou as Forças Armadas a garantir “a lei e a ordem” na Avenida Paulista no domingo, dia 4.

Oficialmente, o exército vai cuidar da passagem da tocha paralímpica. Coincidentemente, estará lá no mesmo dia em que um “Fora Temer” foi convocado. E, veja só, a Secretaria de Segurança Pública do Estado havia proibido o protesto por causa de “atos de vandalismo”.

O único jeito de Michel Temer pacificar a nação que humilhou, dividiu e incendiou é ele sair. Como não vai rolar, ele viverá tempos duros pela frente. E nós também.

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