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De volta ao Rio Samburá

segunda-feira, 24 de outubro de 2016






Cidade de 3.500 habitantes, Medeiros fica aproximadamente a 300 quilômetros de Belo Horizonte. Em Medeiros se localiza o exuberante Parque Nacional da Serra da Canastra com as suas paradisíacas cachoeiras, com destaque agalardoado para a esplendorosa cachoeira Casca d’Anta.  

Desta vez,  o meu destino não seria o Parque, mas a nascente do rio Samburá no Planalto de Araxá, entrecortado de cânions, localizado  no mesmo município de Medeiros,  que seria o verdadeiro nascedouro do Velho Chico.

Desde criança aprendi nas Escolas Reunidas Cézar Zama, em Xique-Xique, que o rio São Francisco nasce na Serra da Canastra. No entanto, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco (CODEVASF) aposta, defende e jura que o rio São Francisco é um mero afluente do Rio Samburá e a sua origem não se dá na Serra da Canastra, como, aliás, havia defendido no Século XIX, o engenheiro alemão Henrique Halfeld que virou nome de vapor do  São Francisco talvez por ter sido contratado pelo Imperador D. Pedro II para elaborar um estudo sistemático sobre o Velho Chico, usando as técnicas do século XIX, então disponíveis.

Foi assim, do alto das dunas, contemplando a Serra da Canastra e a paradisíaca Cachoeira Casca d’ Anta que  me recuso a admitir a façanha do Rio Samburá cuja mineirice brejeira esbarra no meu sotaque de barranqueiro, adquirido dos  caboclos descendentes dos índios tapuias, pescadores que remontam ao Rio Opara, caboclos   plantadores de mandioca nos lameiros da Ilha do Miradouro,  onde  louvamos Nossa Senhora Sant’Ana rezando alguns benditos para  que a  histórica igrejinha, palco e altar da serpente encantada, seja conservada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional .

Nasci atravessando a nado  o lago da  Ipueira que banha XiqueXique e é nesse cenário e circunstâncias, que  fui agraciado  com honra ao mérito de melhor remador de paquete desde o Mocambo do Vento até o Riacho do Icatu.

Permito-me, no entanto, a não acreditar que o  São Francisco, o majestoso Velho Chico seja mero afluente,  um coadjuvante,  do Rio Samburá.

Nilson Machado de Azevedo

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