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ESCREVO-LHE  ESTAS MAL TRAÇADAS LINHAS

sexta-feira, 20 de abril de 2018


Outro dia estava conversando com um amigo sobre os bons tempos das cartas. Sim, aquelas mesmo: papel, envelope, selo, carteiro – e ficamos filosofando sobre isso.

É verdade que a Internet, redes sociais, o facebook  aproximaram muito as pessoas. Permitiram com que amigos distantes um do outro e, de certa forma, esquecidos em algum lugar da memória, pudessem se reencontrar, continuando a amizade, ou melhor, entrando em uma nova etapa. Raramente uma amizade continua a mesma ao longo dos anos, infelizmente alguma coisa sempre muda, algo sempre se perde pelo caminho.

Não sei explicar exatamente o meu sentimento em relação a isso, mas parece que o e-mail e o facebook tiraram  a emoção e o romantismo que havia nas cartas, deixou tudo muito rápido e a espera, de certa forma, mais angustiante. 

Pela carta havia também um momento de espera, mas uma espera que não dependia só da gente. Dependia do carteiro, de quando a pessoa postou a carta, do cara que separava as correspondências na Agência dos Correios... Em minha opinião receber uma carta tinha mais vida, mais alegria. Às vezes eu ficava esperando o carteiro na porta de casa e quando ele me via dava um sorriso: "opa, hoje tem carta pra você, Nilson".   E o coração já disparava. E não era só isso, eu fazia amizade com o carteiro. 

Escrever cartas tinha todo um ritual: pegar o papel, escolher um pensamento para colocar no início, a caneta não era uma Bic qualquer, às vezes fazia algum desenho ou pintura. Sem contar que a escrita era a próprio punho. Seria uma heresia datilografar ou digitar uma carta!
E após tudo isso ainda tinha de levar o envelope até a agência dos correios.

Muito trabalhoso? De certa forma sim. Mas era algo gratificante. Pelo menos pra mim. Ia com alegria ao Correio e conhecia todos os funcionários.  O conteúdo da carta sempre mudava, pois como passavam dias até obter a resposta, o estado de espírito já era outro e sempre havia novos assuntos. 

Ficávamos mais próximos dos amigos distantes e, de certa forma, nos tornamos mais solitários. Parece que é uma contradição, mas sinto que a Internet tirou parte do convívio físico, pessoal. Hoje tudo está na "nuvem". Inclusive os amigos.

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