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REMÉDIOS DE ANTIGAMENTE

quinta-feira, 1 de novembro de 2018


Tomei muita Emulsão de Scott. Aliás, fui uma das vítimas desse famigerado e detestável óleo. Muito usado para fazer limpeza intestinal.

Para prisão de ventre, no entanto, a solução mais em conta era o óleo de rícino.
A sua aplicação posológica era a mais antiga; o pai ou a mãe com o cinto de prontidão numa das mãos e com a outra a colher, daquelas grandes, com o rícino.

A alternativa para o pobre-coitado do paciente era beber ou beber. Depois, aguardar o resultado, que não tardava muito. Era fulminante. Saía tudo que não prestava das entranhas do indivíduo.
O óleo de rícino, além de horrível para ser tomado, tinha efeito laxativo devastador.

E o sal de fruta Eno? Num vidrinho azul. Ainda existente e na ativa, dizem. Não sei. Contra azia e má digestão, tome sal de fruta Eno. Aí vinha aquele chiado da sua efervescência.

O sujeito, acreditando no efeito profilático, enchia o bucho de mocotó ou de carne de porco, das bem gordurosas, mais farinha-d’água, e, para prevenir o efeito catastrófico, recorria ao sal de fruta, que servia até mesmo para combater ressaca. Sal de fruta Eno ajudou muita gente a trabalhar na segunda-feira.

Também gozou de muito prestígio o Leite de Magnésia Phillips. Um laxante e tanto. Fui também sua vítima.

Portador de prisão de ventre, com medo das dores, tomei uma dosagem de Lei de Magnésia. Foi tiro e queda. Quando a coisa veio, veio como se fosse uma avalanche. Recomendação médica: tive que deitar com as pernas pra cima.

O Leite de Magnésia Phillips fez um estrago incontornável.

Suportamos muitas intempéries com esses remédios. Meu avô tinha sempre às mãos o famoso Elixir Paregórico, indicado para gases, dores estomacais e intestinais.

Serviu, ao lado da Coramina, de uso rotineiro, para que ele, que sofria de muitos males, vivesse até os 95 anos de idade.

Deus dá o frio conforme o cobertor. Os nossos remédios nos ajudaram a vencer o tempo. Quem sabe, um dia, vencerão a morte.

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